A memória por vezes falha-me, passo longo tempo, se não mesmo eternidades sem recordar-me de algo. Coisas que passam e que depois voltam a surgir quando menos espero. E quando voltam penso: como pude eu esquecer durante tanto tempo?
Enfim, hoje foi um desses dias, sem mais nem menos veio-me à cabeça aquele turbilhão de coisas boas que sentimos, como talvez dos melhores feitos que fizemos juntos. E prometemos a nós mesmos não esquecer esse dia, e afinal a azáfama dos dias o remeteu para só agora recordar . Eu sei que vocês se lembram, só que como eu devem não falar dele há muito. No entanto, não fosse ele tão importante e passaria mais uma vida ou duas sem o memorar. Então cá estávamos nós em amena cavaqueira, felicidade, alegria, amizade e por aí...O cenário era perfeito, verde sem conta, azul puro, cheiro de mar por todos os lados e boa disposição com sorrisos rasgados. Estávamos de veras encantados com os Açores. Andávamos na vontade desmedida de beber tudo num solvo...e nesse dia o programa há primeira vista em nada se assemelhava, aos longos banhos nas cascatas, aos mergulhos nas águas e à descoberta de vales encantados. Íamos nós para um lar de terceira idade e rodeados de mar por todos os lados. Chegamos e logo ali ficamos deslumbrados, dividimo-nos por tarefas e pisos, a mesma alegria de sempre, lá nos éramos a novidade. Enquanto uns iam descascar batatas para a cozinha, outros iam para os quartos, outros até estender roupa (sim não me esqueço Nuno foi das melhores visões que já tive até hoje). Prestar auxilio era a nossa missão, no entanto foram eles que nos prestaram sobretudo ao coração. De quarto para quarto, deixávamos os tabuleiros de comida sentados nas camas falávamos, e eles com gestos retribuíam. Comemos a melhor sardinhada de sempre, numa semana rica em arroz. Tiramos a barriga de misérias, mas sobretudo a alma. Quando me pediram para ir levar a comida aquele quarto, não esperava encontrar alguém assim. Entrei e pediu-me para lhe dar a sopa à boca, os meus olhos estavam espantados com olhos tão azuis e cristalinos, com um cabelo cor de prata e uma pele tão branca...mas estavam ainda mais espantados com a sua conversa. Foi sobretudo da solidão que ela nos falou, dos livros, da vida e dos afectos e ficamos ali sentados embasbacados como se só naquele tivéssemos percebido que há tanto por fazer. Sentimo-nos tão bem em estar a proporcionar um dia diferente a alguém, que foram estrelas que pairaram sobre a nossa cabeça. E a despedida essa foi dolorosa, sabíamos que não íamos regressar. E quando ela nos perguntou se amanhã voltaríamos outra vez, com uma esperança nos olhos. Foi um nó no estômago por saber que não voltaríamos, e com uma voz trémula dissemos que não. Lembro-me das palavras que proferimos quando saímos - Espectáculo ainda bem que viemos. Coisas úteis ao coração.
Enfim, hoje foi um desses dias, sem mais nem menos veio-me à cabeça aquele turbilhão de coisas boas que sentimos, como talvez dos melhores feitos que fizemos juntos. E prometemos a nós mesmos não esquecer esse dia, e afinal a azáfama dos dias o remeteu para só agora recordar . Eu sei que vocês se lembram, só que como eu devem não falar dele há muito. No entanto, não fosse ele tão importante e passaria mais uma vida ou duas sem o memorar. Então cá estávamos nós em amena cavaqueira, felicidade, alegria, amizade e por aí...O cenário era perfeito, verde sem conta, azul puro, cheiro de mar por todos os lados e boa disposição com sorrisos rasgados. Estávamos de veras encantados com os Açores. Andávamos na vontade desmedida de beber tudo num solvo...e nesse dia o programa há primeira vista em nada se assemelhava, aos longos banhos nas cascatas, aos mergulhos nas águas e à descoberta de vales encantados. Íamos nós para um lar de terceira idade e rodeados de mar por todos os lados. Chegamos e logo ali ficamos deslumbrados, dividimo-nos por tarefas e pisos, a mesma alegria de sempre, lá nos éramos a novidade. Enquanto uns iam descascar batatas para a cozinha, outros iam para os quartos, outros até estender roupa (sim não me esqueço Nuno foi das melhores visões que já tive até hoje). Prestar auxilio era a nossa missão, no entanto foram eles que nos prestaram sobretudo ao coração. De quarto para quarto, deixávamos os tabuleiros de comida sentados nas camas falávamos, e eles com gestos retribuíam. Comemos a melhor sardinhada de sempre, numa semana rica em arroz. Tiramos a barriga de misérias, mas sobretudo a alma. Quando me pediram para ir levar a comida aquele quarto, não esperava encontrar alguém assim. Entrei e pediu-me para lhe dar a sopa à boca, os meus olhos estavam espantados com olhos tão azuis e cristalinos, com um cabelo cor de prata e uma pele tão branca...mas estavam ainda mais espantados com a sua conversa. Foi sobretudo da solidão que ela nos falou, dos livros, da vida e dos afectos e ficamos ali sentados embasbacados como se só naquele tivéssemos percebido que há tanto por fazer. Sentimo-nos tão bem em estar a proporcionar um dia diferente a alguém, que foram estrelas que pairaram sobre a nossa cabeça. E a despedida essa foi dolorosa, sabíamos que não íamos regressar. E quando ela nos perguntou se amanhã voltaríamos outra vez, com uma esperança nos olhos. Foi um nó no estômago por saber que não voltaríamos, e com uma voz trémula dissemos que não. Lembro-me das palavras que proferimos quando saímos - Espectáculo ainda bem que viemos. Coisas úteis ao coração.



Imagem: retirada da internet
Foto By E.M...
Fotografia fonte:




Queria apenas agradecer pelos bons momentos que vocês fizeram que eu vivesse.

P.S- Ficam a faltar fotos mas vocês, Rodrigo, Rafa, Nuno, Catarina...e todos os outros sabem...que o até já é para vocês também...