domingo, abril 10, 2005

Não sei se o tempo vira...

Não sei se o tempo vira, mas sei que as horas são loucas voltas.
Que sentido ganham as risadas, sem companhia para as fazer rir? Ganham mais que o tempo porque fazem parte de si e porque lembram quem as fez rir. Mas, se ris sozinho afinal porque ris? Para acordar a alma, para que ela não se esqueça de ser feliz. Estranho sentimento que parece exigir mais de ti…mas para quê exigir se assim ele teima em querer fugir! E as noites são fáceis de dormir? São quando o sono quer vir. Mas não pensas no que pode vir? Penso que seria bom, que o sol voltasse a brilhar por aqui. E se ele trouxer coisas más? Ele nunca as trás. E se resolver chover? Ai brotam sinais de frio e arrepios…O dia cobre-se de negro e os sorrisos são mais fáceis de esquecer…Esquecer sorrisos? Quando o músculo aperta cobre-se a memória de dias negros de chuva e a face pinta-se num só tom triste. E? E depois resta voltar a sorrir…e decerto que as horas passam... e o tempo esse não sei se vira,mas esquece!

sexta-feira, abril 08, 2005

Dias de sol...

Reservam-se as mudas de roupa…
Reservam-se as razões…
Aumenta a sede e a frescura pálida desse bafo de calor…
E as cidades têm mais luz…tanta, quanto a que o espectro reflecte.
E transpira a pele mas escurece a melanina.
E ficam estes dias morenos…
E as folhas verdes delineiam as sombras.
Que giram e rodam consoante a hora.
E os olhos não conseguem enxergar de frente…
Caiem as lágrimas provenientes dessa luz invasora…
Que inunda a íris e que atrai os corpos…
E o dia ganha a sua lâmpada natural…
E o ar suga a respiração…
Explode o magma…
Um céu repleto de azul…
E mergulha-se nessa imensidão…
Apenas esta brisa murmura.
E perde-se a noção do tempo…
O roteiro não é definido e altera-se a rotina…
E a bússola do olhar, essa sempre encontra um caminho…em dias de sol.

domingo, março 27, 2005

Nos olhos...

A espinha nem sempre curva ou dobra, mas dobram os olhos e deles caiem sal de alegria ou de tristeza…frescura que refresca o rosto de cor transparente.
E retiram a sede da pele mas não do coração. Porque essa é uma sede que não cessa através de gotas. Inunda-se a vontade mas não se criam cheias ou inundações no músculo. E enxuga-se de todas as formas o sentir, e o mar da praia é menos vasto que a sensação…de chorar a rir ou de chorar apenas por não se conseguir sorrir.
E nesses momentos sim, se sentem os arrepios na espinha… e aqui dobra e curva, por balançar ao mesmo ritmo da queda dessas gotas de sal, e por sinal das batidas mais aceleradas e sentidas do ser. E eles enxergam a alegria e a tristeza... e sentem tanto e por vezes tão mais que o corpo no seu todo. E deles brotam sorrisos e gargalhadas, despedidas e mágoas, e partem-se vidros e amachucam-se as risadas…por tanto e por tão pouco. Mas, certamente tão profundo e choram porque assim se expressam, assim falam e cantam.

terça-feira, março 22, 2005

E assim se salpicam os dias...

Salpicam-se as noites...
de estrelas e de céus menos azuis...
Salpicam-se as horas de tempo...
Os minutos de segundos...
Salpicam-se os sorrisos e os olhares...
distantes e próximos...
E viram as páginas do avesso...
E o livro continua a decorrer...
Muda-se a página...
Salpica-se a leitura de interpretações...
E volta a rotina dos salpicos...
Salpicos de paladar... de partidas e chegadas...
Mas o dia continua, com o simples salpico da existência...

terça-feira, março 15, 2005

Sonhos...

Giram as gotas e o orvalho cai em tons de refresco. Fusco o toque erudido do chão sempre quente. Brisas de silêncio e murmúrios de pensamentos mágicos... ilusionistas da vontade de sair para o abismo, mais que finito para os racionais mas tão vasto para quem não precisa de dormir para sonhar. E aqui se procuram as asas...e elas levam para paragens mais claras que o céu. Nuvens transportadoras de matéria colorida e imaginária, mas real e sentida. Mergulhos em água cristalina e o sal apenas se funde nos olhos, mas capricha na visão repleta. E caiem estrelas e o mundo roda, e ficam as doses de sorrisos cúmplices de faces rasgadas. E não são necessários corantes para atribuir cor, paletas de tinta correm na mais pura tela e ganham voz e sentir...No único quadro real...a capacidade de sonhar.

quarta-feira, março 09, 2005

Calendários...

Esta comédia genial de nos pendurarmos no tempo e ficar agarrado a ele.
Um encontro de dias e noites e uma hora repleta de minutos, esquecida dos segundos e longe dos mostradores de ponteiros. Absurdos os calendários que riscam o presente e projectam a ansiedade pelo futuro. Datas idênticas ano após ano, repetem-se nos mesmos meses, nos mesmos dias, para não apagar da memória dos que se esquecem por natureza.E assim, se exorcitam os fantasmas, se celebram as tradições e comemora-se sem saber o significado.
E eis que o dia seguinte, apenas chega discreto... e a recordação essa, só volta no ano seguinte.
E são necessários então dias especiais para recordar?

domingo, março 06, 2005

Palavras...

Palavras que tocam sinos de aviso e batidas aceleradas, densas e contidas dentro de uma garrafa vazia e transparente que amolga o bater e faz estremecer o âmago.
Palavra de soma de letras, que no entanto, somam mais que a própria conta. E ficam as junções de sílabas conjugadas não num tom vocal mas escrito…E correm a maratona do sentir num só segundo vago. A entoação fica solta e valem mais que o cronómetro do coração. Minúsculas e maiúsculas as memórias, do que dizem e não se esquece. Abecedários infinitos a pensar e o convite por escrito ficou feito. E fica a leitura de quem as enxerga sem as poder mudar…

domingo, fevereiro 27, 2005

A chover...

A cada gota de chuva calcula-se a percentagem de atingir o corpo, de molhar os pensamentos e de ensopar os sentidos. Gotas frias e grandes caiem junto da janela, mesmo aqui tão perto desta protecção de vidro, que apenas apazigua o som agudo e áspero das partículas que deslizam pelas portadas. Um dia escuro, mas apenas de aparência, nuvens pesadas dessa água que acalma o sentir e refresca os movimentos pesados, comparados com a sua leveza…
Dessa transparência não densa, surgem as formas mais redondas, repletas e vagas…depressa se fundem pelo soalho, que sempre avisa o ponto de chegada ou de partida para quem o pisa.
Quebram o silêncio e sonorizam como pequenas batutas que acompanham o tempo. E de si chegam sinais de frio e de arrepios, invadem o céu e pintam o dia num só tom cinzento.

sábado, fevereiro 19, 2005

de(votos)....

Surgem as campanhas...
As prometidas mudanças...
as mesmas promessas de vidas felizes...
e dias coloridos...
O primeiro dia do resto das nossas vidas...
e contam-se as cruzes...deste povo....
que ainda assim teima em fingir que acredita...
Pilham-se as palavras...
e os rastilhos estão prestes a queimar...
Um acto de consciência...que afinal, não se é capaz de levar a sério.
Ficam as esperanças e vontades...
Mas, vamos ainda assim a votos...embora menos devotos...
mas não se esqueçam, que afinal o prometido é devido....

quinta-feira, fevereiro 10, 2005

Aquário de gente...

Um aquário de gente, que rodopia e volta a girar. O mesmo aquário onde as vontades se percipitam e onde cada um se desloca para um fim, mas por barreira o vidro é sempre o limite dos que tentam alcançar a saída. Este espaço aquático de percipitações, de troca de olhares, de cruzamentos distantes, de vidas agitadas e pouco repletas, de dias vagos e de rotina vincada nos corpos. Bolhas que deviam ser de respiração, elemento vital à sobrevivência são desabafos em tom de descompressão. Estes peixes a que me refiro e que deviam de flutuar, são porém peixes com membros e as barbatanas sao apenas apendices fictícios...podem ser girinos porque se enquadram perfeitamente dentro de um aquário, nunca no mar, porque esse é demasiado libertador e vasto para o ser que por natureza se habitua a ser limitado...Hoje imaginei o Homem dentro de um aquário(sociedade) e não o consigo daí retirar, talvez porque a sua perfeita condição se espelhe nestes vidros, nas paredes deste aquario...

sábado, janeiro 29, 2005

Dias ao contrário...

Hoje a noite é dia,e o dia é noite. Dois pólos, duas linhas que se corrompem.
As asas de voar ficaram presas a este andar, que ainda assim se desloca, mas não voa.
Estes mesmos passos a caminhar e este mesmo dia a correr, as horas ao contrário e o sorriso do avesso. E de novo esta impressão digital da existência...rios de ideias e ao longe acendem-se memórias que devolvem o tempo,porque hoje o mundo esta do tamanho desta laranja.Como o cais que tudo abriga e que tudo esquece. Gastos de consciência e de movimentos paralelos, de cabeça para baixo e sem vontade de voltar à posição normal...não tivesse este dia ao contrário, e não fosse o dia o avesso da noite.

terça-feira, janeiro 25, 2005

Estado febril...

Neste estado quente...
Onde o corpo arde, e os olhos queimam
Temperaturas incostantes...
Por vezes frio...
Outras calor...
Oscilações de disposição e de movimentos...
É assim que estou...
A queimar,
Com frio e calor...Neste Estado febril...

quarta-feira, janeiro 19, 2005

É só mais um Espaço...

Este espaço físico, que fica entre as duas muralhas de ser e de ver. Este mesmo espaço de movimentos complexos que resume e altera a essência deste lugar.
Neste lugar onde tudo emana, onde tudo revira e tudo volta a vir, onde se espreitam e escondem as risadas (do ser e de quem as vê). Aqui neste espaço multidimensional do agir e do sentir, que dirige em todas as direcções, que sorri e por vezes chora...que avança e por vezes volta a recuar. Este mesmo sítio multiplicado por anos e somado por vontades, este refugio de palavras e de conversas. Muda-se a posição, muda-se a disposição e o espaço permanece, muda-se as vivências e ele acompanha a viragem do tempo... na sua perfeita condição intemporal.

quarta-feira, janeiro 12, 2005

Simplesmente,simples...

Simples é olhar e apenas ver...
É sorrir e expressar...
É respirar por viver...
É ouvir este som e o seu eco....
É sonhar acordado...
Porque viver é simplesmente,simples...
O difícil, é aceitar que o é...

domingo, janeiro 09, 2005

E eu já te disse o quanto é bom viver aqui?

Abro a minha janela que sabe o que é o cantar dos pássaros…
E o bater das folhas das árvores…
Consigo ouvir o vento…
E o olhar desliza sem me perder no betão…
Aqui ainda existe céu…
Porque neste sítio…
Tudo é perfeito de mais para te o dizer…
E como tenho medo de não o dizer...
Corro o risco de não o descrever…
E Afinal…
As coisas especiais não se dizem, sentem-se…



sexta-feira, janeiro 07, 2005

Fim de Tarde...

Passam pessoas, passam aviões e eu aqui estou parada no semáforo à espera de ver o peão verde acender e me ordenar a passagem para o outro lado. A rua estreita e de calçada cinzenta é o espaço futuro que me espera, para mais uns passos curtos derivado à subida que se aproxima. No caminho uma esplanada repleta de gente, não do bairro, mas de forasteiros em busca de um fim de tarde agradável e lugares capazes de apaziguar os seus corpos flácidos, dependentes do barulho. No entanto apenas o seu físico se instala, o seu espírito continua agarrado ao escritório, ao telefone, ao fax, ao telemóvel... à secretária e ao cinzeiro. Embora não possuam fato ainda os enxergo assim, consigo ver as gravatas, os colarinhos brancos e os sapatos de verniz. Talvez por a posição em que estão sentados, as costas parecem afundar numa cadeira de rodas e não numa cadeira de plástico um pouco suja derivado às folhas que insistem em cair ao fim da tarde.
Decididamente esta gente não pertence aqui...
Mais uma curva e eis que me deparo com o cenário inverso, alguém de avental grita, sonorizando uma voz fininha, capaz de fazer tremer os nossos ouvidos, contudo agradável e característica do local e do momento. Quando o meu corpo se cruzou com o seu, no meio dos seus gritos ainda foi capaz de expressar um boa tarde...Agora sim já me encontrava no bairro, antes parecia ter-me enganado no roteiro.

domingo, janeiro 02, 2005

Visão anual...

Mais um ano...
Um bom ano escolar...
Uma boa primavera...
e um excelente Verão....
Praia,mar...
Ilha de Tavira, Carvoeiro, Barcelona e claro sempre o MALHÃO...
como destino e boas recordações...
E tudo isto com vocês (amigos) e muito sol...
E as folhas voltaram a cair...
De volta à universidade...e ao encontro de todos os outros amigos...
ao encontro dos velhos e dos novos...
De volta a Lisboa...mas sem nunca esquecer o Alentejo...
Voltou o frio...
e nada melhor do que encerrar...nesse sítio especial...Sagres...
E Aqui termina o ano...Hoje ja é o segundo dia de 2005!!


Disse apenas as coisas Boas...para não acordar as más..:)









sexta-feira, dezembro 24, 2004

Viagens Diárias

Entre linhas rectas e outras verticais, lá desci as escadas do metro. Como sempre parecia de noite nem um raio de luz solar, apenas uns apliques a que resolveram chamar de candeeiros iluminavam o túnel, povoado de gente que se cruza mas não se olha.
Eram 8:10 da manhã já estava atrasada, por as minhas contas deveria de chegar 20 minutos mais cedo. É hora de ponta nas carruagens, curioso ainda mal começou o dia e já é hora de engarrafamento. Aqui não se buzina como no mundo agitado que passa sobre as nossas cabeças, aqui faz-se um olhar uma expressão de incómodo, um simples suspiro que avisa a invasão do nosso espaço. Contudo, nem uma só palavra é proferida os lábios quase sempre estão cerrados, a não ser que um conhecido nos acompanhe e entre um ou dois fonemas lá saía um som. Por fim, o aviso de fecho de portas é apenas uma questão de segundos, para os apressados parece uma eternidade, para os que ainda correm para não perder a carruagem de ninguém é uma batida de coração mais acelerada logo pela manhã.
É assim, que se iniciam as viagens todos os dias e aqui vamos nós sugados pela linha, levados para uma escuridão não menos solitária do que a que se passa aqui rodeada de gente. Hoje consegui apanhar um lugar sentada, ao meu lado vai um senhor já de idade. Leva consigo um caderno de capa preta, ainda têm os olhos inchados do sono e da falta de vento na cara. Parece andar numa escola para adultos, no caderno uma etiqueta coloda avisa os presentes que é o aluno 015, também já deve de estar atrasado...Penso isto porque imagino que tenha o mesmo horário do que eu, e faz-me sentir mais responsável ao enxergar as marcas que já possui no rosto.
As vozes só se escutam em tom de serenata cada uma no seu círculo íntimo, contudo quem não tem círculo por falta de companhia e de conhecidos, ouve um pouco aqui e da conversa do outro e lá esboça um sorriso, a parecer um tonto porque ninguém ri sozinho.
São assim as viagens que percorro já há algum tempo, so que em cada viagem com um desconhecido diferente, cada paragem com novas gentes quase sempre os mesmos destinos mas diversificados de rostos, de conversas e de silêncios.

terça-feira, dezembro 21, 2004

Dias longos...

As luzes voltaram a brilhar, voltou este espírito e estes dias tradicionais. E tu voltas a enxergar as luzes mas não as sentes. Tudo insiste em levar-te para longe numa direcção só tua...Ficou o tempo mas a alegria foi-se. Esta época deixou-te só, ao contrário do que todos os outros possam pensar ou estar.
Os silêncios voltaram a gritar, os dias voltaram a ficar longos...dias que em tua vontade preferias que não existissem. E as luzes lá fora continuam a piscar...a rua continua com essas características próprias do momento que a ti apenas te fazem perder o sentido ou a vontade de ficar.
Mas os dias passam e as luzes vão voltar a se apagar, basta apenas esperar. Até lá... encontra outras luzes que te façam a ti brilhar!!!

quarta-feira, dezembro 15, 2004

Rita,auto-cad, projecto e a arquitecta para sempre

A Rita Vai ter mais uma entrega de Projecto...o ar voltou a estar pesado aqui em casa...


Sentada daqui de onde estou sem nada para fazer e quase nada para pensar,encontro alguém que está precisamente ao contrário de mim.
Entre os cliques do rato e imagem que desliza para baixo e para cima,vejo plantas das quais nada percebo e sobre as quais já encontro tanta preocupação. Não diria que o clima esteja optimo, pois os sons que por vezes são desabafos são ao mesmo tempo aflitivos, como que estas simples linhas saltassem do computador e a sufocassem.
Oiço mais outro clique e agora a impressora não responde.
O ar volta a faltar!
As mãos sobre a cabeça voltam a elevar-se, jamais vi um olhar tão desesperado do que o que agora consigo enxergar daqui do meu sitío calmo e tranquilo, livre do sufoco que se passa mesmo aqui ao lado
Falo da Rita...quem diria que a Rita perde a cabeça logo ela que apenas chora de raiva, logo ela que o sorriso é mais forte do que a própria voz e agora chora de desespero, de angústia e de todos esses adjectivos que caracterizariam na perfeição o momento.
Mais um clique de rato, mais uma folha amaxucada novamente este ar pesado. A imagem desliza para baixo e para cima agora aumenta e depois diminui. Daqui de onde estou, ainda me vejo reflectida no vidro da janela, mas não estou sozinha ao meu lado esta a Rita e o computador, e lá atrás estão todas as maquetes que já repousam em descanço, causadoras de dias sufocantes assim como estes!




Escrito numa entrega de projecto, num dia igual para mim mas bem diferente para a Rita!!


BOA SORTE......:)