segunda-feira, abril 24, 2006

Sabes a que sabe a vida?


Em pequenos passos de abrir olhos, e despertar para bocas famintas de ar.
Em retalhos de deslizes de mãos que querem tocar o sol (sim ele arde), mas o voo do limite é sempre o mais desejado e ele nunca arrefece, como quem se perde sem saber viver. Eu sei que ele queima as faces, mas é num sopro que se alivia. Esse ar frio do vento que roda em círculos como se fosse um vinil e que marca em batutas, passos gigantes de homens, grandes e pequenos de tamanho S e XL...
Desabrochar cada minuto como se em folhas de clorofila escorre-se sabedoria e se escrevesse da esquerda para a direita ou da direita para a esquerda, tanto faz. Verde a perder de vista, azul a afundar-me em poças de água, que fazem mais por mim do que qualquer sapato de verniz. Ter a língua a saber a cerejas, morangos, ameixas desse vermelho maça. Enrolo o cabelo em novelos, sem pressa do tempo, tiro a corda ao relógio e soletro pedaços de coisas genuínas, de risadas, de conversas com nexo e sem sentido, de abraços apertados, de vozes cúmplices, de simplicidade, de pessoas que são bandeiras na minha existência, de tempo que não corre. A Vida despe-se e é nudista, é sabe a sal misturado como açúcar. Sem coalho nem filtro, sabe no seu estado liquido, com impurezas e sabe a calor daquele que transpira da pele. A vida sabe ao que sabe...e cada um lá sabe ao que lhe sabe.

quarta-feira, abril 19, 2006

Oiço Violinos no Telhado...

Sabes o que estou a ouvir?
E eu – não! O que é?
A banda sonora de um filme que vi ao teu lado. Violinos no telhado.
Estrelinhas que tocam em notas de sol, telhas partidas e musgo entre as sílabas das melodias.
Nas mesas brancas, com as pernas azuis sentamo-nos como sempre em cima do tampo. Olhámos pela película numa parede. E entre essas paredes brancas ali ficávamos horas, mais por obrigação do que por outra coisa, mas nesse dia tivemos de vontade. E se pudesse recuava a todos eles e juro-te que deixavam de ser uma obrigação, e queria apenas o simples facto de te ter por perto. Hoje ainda oiço violinos no telhado cada vez que me recordo de ti...amigo:)

terça-feira, abril 18, 2006

Procura-se Comprador...

Diz-me lá quanto custa essa moeda? Quantos dedos a fazem rolar sem a ela pertencerem. Diz-me lá qual é o teu preço, desse valor material sem beleza de frustração de ódios.
Diz-me se te vendes por tão pouco, por um bocado de lata e olhos radiantes de ambição. Eu dou-te bocados de maçãs puras, gotas de águas de sal, asas de pássaros, bocados de terra e odores em cordel, mas creio que será pouco para ti, os teus pés querem antes papel com caras de homens e símbolos da união europeia vincados, querem antes vertigens de apegos monetários sem gozo. Vive antes nessa vida faz-de-conta, e já não há bolas de sabão que te lavem, tens as mãos sujas e a pele a cheirar a esse bafo do níquel sujo e moribundo que provoca a discórdia.
Diz-me quanto custas, que eu não te compro.

segunda-feira, abril 17, 2006

?

Como se tiram nuvens que toldam da mente e do músculo?

sábado, abril 15, 2006

Só por o mundo ser redondo...

Porque a Páscoa afinal têm crentes ou des(crentes)…e utilidade.
Porque estes fins-de-semana prolongados dizem acabar com a economia do País (mas muito pior também já não pode ficar), mas aumentam a auto-estima.
Por me saber muito bem esta utilidade de Páscoa, de mini férias (a única que lhe reconheço)
Porque o mundo gira e é redondo vou dar uma volta…(só mesmo por isso).

quinta-feira, abril 13, 2006

Justiça?

Ando a tisnar os dedos, ando com os olhos pregados em letras pequeninas e pretas. Ando à procura das gordas, neste hábito diário. Ultimamente os assuntos não tem variado muito...eleições em Itália, revolta francesa, Angola país que de momento parecem ter feito renascer das cinzas, (a mim a questão cultural daquele povo e as condições do mesmo interessa-me mais, sou sincera)...mas o tempo tem sido de mudança e isso agrada-me e muito. Não sou uma revolucionária não tenho capacidade nem disposição de liderança, gosto mais de me liderar a mim mesma. Ainda assim tenho opinião e ela vale apenas o que vale.
Mas nestes dias li algo que me transcendeu, algo que me fez recuar nos neurónios, colocar os óculos para ver se estava mesmo a ler o correcto: "(...) o Supremo Tribunal de Justiça (...) alegou que fechar crianças em quartos é um castigo normal de “um bom pai de família”, defendendo que estaladas e palmadas, se não forem dadas, até podem configurar “negligência educacional”.
E depois o pior estas crianças tinham deficiências mentais e estavam num lar em Setúbal. Recuei novamente na leitura incrédula, mas depois pensei melhor e analisei o estado da justiça em Portugal...então soltam-se corruptos, elegem-se de novo presidentes que fogem para o Brasil e pensei se tivéssemos noutro País isto era muito grave, mas em Portugal isto até passa despercebido, ou não!
É caso para dizer que o Supremo Tribunal de Justiça anda muito mal informado acerca das práticas da educação, se isto é aceitável todo o resto se pode esperar, já agora seria oportuno que se consultassem os especialistas nesta matéria à cerca da teoria científica sobre o tema, talvez eles consigam esclarecer melhor, talvez eles sejam mais entendidos digo eu, mas isto é só a minha opinião e ela vale o que vale como já tinha dito.

sexta-feira, abril 07, 2006

3

No outro dia numa conversa a três, dizem que é número perfeito, no momento arrisco mesmo a dizer que o foi. Não seriam necessárias mais vozes em debate uma vez que o assunto também parece andar esgotado. Mas ainda assim, continuamos a prosa, falatório, troca de ideias, troca de palavras numa de tantas voltas dadas por ruas e ruelas onde o movimento parece distrair no mesmo local de sempre.
E então porque a tarde ainda parecia grande, embora tivesse no fim, porque o apetite de ir para casa também não era nenhum, à falta de programa fomos dar uma volta.
Então as silabas saíram basicamente em torno da “falta de sorte” e não nos estávamos a referir ao azar de não ganhar o Euromilhões, isso parece ser factor consumado. Foi mais em torno da vida se esgotar, e ter uma pista de obstáculos a fazer o tempo correr sem proveito. As coisas pareciam ter um peso amanhã, maior ainda do que naquele dia...Parecem ser essas coisas que esmifram os dias e então não há melhor sinónimo e desculpa do que: “Eu não tenho sorte nenhuma”, então 3 mentes chateadas encaram isto de uma forma veloz. E todas as palavras que saem revestem-se de um pessimismo terrível, capaz de provocar suicídios no mais feliz dos mortais. Sim porque se alguém estava com o espirito embaixo a conversa era mais uma ferroada que causava não só comichão como arrepios. E depois as interpretações eram diferentes, já se sabe cada cabeça sua sentença, variam na intensidade de que cada momento mau nos provoca, a uns mais do que outros. Mas eu acho hoje, que ainda somos capazes de encontrar os requisitos mínimos para essa “falta de sorte”, ainda pudemos colocar as pedras no charco sem nos molharmos, naquele dia não dava a mente em dias assim não pensa! Acho que temos vontades e forças anímicas para ficar com a cereja em cima do bolo! Não me contento com as migalhas no prato, quero mais, e acredito que é possível, e mesmo quando isso implicar quebras no coração não desisto, mesmo que a vida nos pregue partidas foleiras sem piada, onde só ela se ri. E eu que sou agnóstica, afinal acredito em alguma coisa, acredito na possibilidade de sorrir... na minha e na vossa.

quarta-feira, abril 05, 2006

Sintomas...

Acabei por descobrir alguns sinais da palavra saudade, sempre tentei perceber se o que sentia era saudade ou uma bandeira de fazes-me falta...Sempre tentei distinguir, diferenciar estas duas linhas embora que ténues. A imobilidade de estar em vários sítios ao mesmo tempo, a vontade de querer e não poder levou-me a meditar sobre a frase que não me saiu da cabeça, ecoando a razão para tais picadas no músculo do sentir: “o melhor da vida é o que não há-de vir”. Não me identifico com o espírito português do tenebroso sentimento das saudades. Mas este frio que me passa pelo cérebro só pode significar que ando com sintomas de lembranças regadas por desejos. Cada vez que este invasor me ataca, sempre me parece que coisa boa não há-de vir! São sempre significado de medo, receio, uma perda num buraco vazio e oco. Não fosse isto verdade e não andaria a ver o Tiago pela televisão...foi esta a minha principal causa. A dar por mim a pensar: Deixa lá ver como anda o Tiago? Deixa lá assistir a novela. Cheguei a conclusão que o meu problema é grave!
E depois penso no Tiago e começam a vir uma série de nomes atrás dos quais sinto saudade, falta como lhe queiram chamar...E o telefone esse aparelho de mil utilidades não anda a resultar para mim, os sintomas não se desvanecem através dele.
Mas acabei de encontrar o medicamento para o meu tratamento: Chama-se Lisboa! Tomo durante uma semana, fim de semana e curo-me.

quarta-feira, março 29, 2006

Ervas daninhas...

As ervas daninhas andam espalhadas na estação típica que as faz reflorescer, crescem entre as pedras brancas e cinzentas da calçada. Cubos delineados de verde, sapatos escorregam como que em cascas de bananas. Mas não são só as pernas que caem, e não é só o soalho que as acolhe. Andam por aí entranhadas em corpos compactos que deixam procriar musgo nas juntas do ser. Entre os ossos crescem como sinal de abandono, e espadem-se por o espaço vazio onde apenas músculos mantém a manutenção de alguém que possui cabeça, troco e membros, mas que não habita este espaço estrutural. E a massa encefálica acolhe as sementes e com a humidade dos dias frios da mente produzem-se e alastram-se. Corpos adiposos, corpos esguios, tudo com boas condições climatéricas capazes de fazer a germinação. Cedem, descuidam-se elas crescem e não há pesticida que as mate.
Imagem: retirada da internet

segunda-feira, março 27, 2006

uma hora a menos, uma hora a mais...

A mudança da hora sempre mete os ponteiros do corpo ao contrário. Sempre me transporta em segundos lentos, em adaptações estranhas que o organismo não se habitua facilmente. Dá-me a sensação de dormir cedo de mais e acordar quando ainda é inadmissível abrir os olhos. Depois andar uma hora para trás de inverno e uma para a frente de verão, só pode causar uma sensação de regresso ao passado e regresso ao futuro. Os movimentos hoje andam tardios, as ideias andam penduradas no tempo e o relógio ainda esta na hora antiga. Falta-me paciência para acertar um novo hábito ao qual o corpo ainda não responde. Os cafés andam a remediar esta disfunção cerebral, andam a fazer a ponte de ligação. E o estômago esse sempre lhe parece demasiado cedo para encher. E agora aqui vou eu almoçar mas apenas porque o horário diz que sim.

quarta-feira, março 22, 2006

Pensamento do dia...

...Ando a pensar, sem pensar muito no que penso...

Acho que foi este o pensamento do meu dia de hoje!

terça-feira, março 21, 2006

OPA'S

Há algo que me anda a fazer uma tremenda confusão, algo que faz fervilhar regos de veias sem direcção que dão estalos no cérebro. E então lá tento encontrar uma justificação, para tantas diferenças de bolsos, de carteiras ou como lhe queiram chamar. Resumidamente a acentuada discrepância entre o rico e o pobre. Há uns anos que oiço dizer que os portugueses tem de apertar o cinto, e eu ando com ele no último furo. Ando a fazer ginástica, a esticar, a dar várias utilidades de maneira proveitosa, a inventar fundos a guardar os trocos de 5 cêntimos, de 1 cêntimo enfim...a fazer o que a população anda a fazer em geral. Mas depois ligo a televisão, ligo o rádio e a mente e nos ouvidos ecoam OPA'S...acho que muitos ainda não perceberam o significado disto...então não são mais que ofertas públicas de aquisição. E depois pergunto então mas nós não andamos pobres? não andamos em aperto ou são apenas alguns?...Ainda temos condições de fazer OPA'S, derrepente tudo quer adquirir tudo...Portugal o país que não corresponde ao nível da união europeia...mas em grande escala de vamos comprar-nos uns aos outros...! E eu a pensar...afinal qual é a nossa situação? Assim até parece que somos grandes (ricos, desenvolvidos)...e depois seguem as notícias...o desemprego despara, o endividamento das famílias aumenta, as dívidas ao fisco sobem, o consumir bens hoje mais parece uma relíquia , pagamos portagem...e depois penso, não afinal está tudo na mesma...ainda acordei em Portugal...

P.S - e eu adoro este País não suporto é o que fazem com ele...

Cartoon de Luís Afonso....brilhante como sempre e ilustra bem a situação...

quinta-feira, março 09, 2006

Passatempo, actividade da mente...imaginário!

Há por ai muitas vidas que me interessam...muitas mesmo. Todos os dias desço e subo essa calçada, daquelas que os saltos altos detestam e que quando ando com sapatos sem altura me desfaço em agilidade. Enfim essa mesma calçada conduz-me sempre ao mesmo local, mas nem queiram saber a diversidade que ela contém. É povoada por seres que o meu imaginário tenta decifrar, sempre tive este passatempo de tentar adivinhar, supor, alegar hipóteses, presumir, conjecturar e todos esses adjectivos possíveis que definem a minha actividade cerebral de tentar perceber o que fazem e como são cada um destes seres da calçada. A mulher de verde, nome que lhe atribui bem poderia ter o nome de Teresa. Monetariamente parece não apresentar qualquer problema visto o carro que ostenta, parece ser segura de si e uma mãe de família daquelas que deixa os filhos no colégio antes de vir para o trabalho. Daquelas que não se preocupa com o almoço porque o marido não almoça em casa, os filhos comem no refeitório da escola e ela come uma sopa para manter a linha, no mesmo restaurante de há anos. O homem do casaco de pele, passado de moda há anos, com uns óculos que não o favorecem é o típico chefe de família que passa férias em Quarteira, imagino que seja aferidor de balanças ou algo do género. A mulher cusca nome apropriado para quem tem pinta de vizinha que sabe todas as novidades do bairro. Que se desfaz em simpatias e em seguida roga pragas. Daquelas simpatias hipócritas como lhe costumo chamar. E o Joaquim (nome artístico da minha mente), homem porreiro para beber uns copos, para petiscar, para rir...o típico acolhedor que faz os turista apreciar a simplicidade e levar recordações de boa gente! Tem cara de oferecer vinho tinto, chouriços e iguarias da região. Mas nesta rua estreita há algo que me transcede nesta rotina matinal. O homem da carrinha cinzenta, nunca o vi em actividade, nunca o vi para além da cintura encontra-se sempre no mesmo sítio dentro do automóvel de mercadorias , e entre o vidro vejo o bigode e pouco mais... parece aguardar eternidades. De manhã já lá está, a hora do almoço lá está....então pensei deve esperar por alguém que trabalha por aqui...mas depressa se me desfez essa hipótese. É que ele passa ali horas em excesso...em demasia para esperar...podia ir beber café, sair do mesmo local de sempre, ir dar uma volta e depois regressar mas não...só me faz pensar será que o homem da carrinha é espião?

quarta-feira, março 08, 2006

Inutilidade...

Desculpem-me os metódicos, os organizados, os que tem post-its amarelos pela secretária, pela mente e pela vida. Desculpem-me mas não consigo seguir uma rotina, não consigo planear o meu dia, não encontro espaço para a arrumação das minhas horas. Decidi então deixar de tentar dar utilidade a uma agenda...sempre me pareceu adulto querer ter um caderninho que me alertasse para tudo o que é essencial, eu juro que o comprei vezes sem conta...que nos primeiros dias me esforcei para escrever o que não me esquecia de ter de fazer, mas insistia para ter a sensação de ter uma vida repleta de actividade...mas decididamente agendas não são para mim...! Tinha a sensação de estar a escrever para mostrar aos outros: - olha repara hoje não tenho tempo, amanhã ainda pior e depois nem queiras saber...compromissos e mais compromissos...e afinal no bloco de argolas até parece muita coisa e afinal depois quantificado é apenas a vida normal...trabalho, exposições, cinema, família, desporto, sair com os amigos e essas coisas úteis dos dias...Cheguei a conclusão que agendas apenas servem para tentar vislumbrar a mente dos que precisam de se lembrar que têm uma vida...e depois alguns de vocês podem estar a pensar: - Isso talvez sejas tu que tens poucas coisas para fazer, então é fácil lembrares...pois eu digo tenho muitas mas são tão intrínsecas que é impossível me esquecer de viver e do que me faz viver...mas pronto para quem gosta de agendas eu tenho é boa memória ok!

segunda-feira, março 06, 2006

Fragmentos...

Há muito tempo ou não há tempo assim, afinal o espaço sempre parece longínquo quantificado em datas mas curto em vivências. Andava eu não ideia de ser publicitária mas sem saber ao certo a vocação. Acho que ainda hoje não sei, é que a dúvida sempre me suscita, certezas é algo que não permanece em mim. Pode ser defeito eu digo mais que é feitio mas as opiniões são dispares por isso aceito qualquer adjectivo. Enfim na faculdade propuseram a leitura de um livro intitulado: “Cartas a um Jovem Jornalista”, inconscientemente vi-me tentada a ler. Acho que o bichinho já estava criado mas a minha mente tinha ainda outro intuito que era a aclamada criatividade da Publicidade. Levei umas horas a ler, sublinhei voltei a ler vezes sem conta afinal eu tinha a hipótese de ir para Jornalismo. Televisão não me suscitava qualquer tipo de interesse considerava-a um debitar de conteúdos sem interesse. Rádio, fazia-me associar a grandes vozes, a minha passa despercebida num grupo de dez pessoas quanto mais em milhares, só o sotaque do sul me distingue e isso fora do meu habitat. Mas jornais, esses sempre me tisnaram os dedos, a escrita sempre me perseguiu em blocos de notas, em folhas rasgadas enfim várias vezes em mente. E eis que o livro me mostrava agora o tempo do jornalismo, e percebi que os diários tem o ciclo de vida de um dia. O autor dizia que jornais velhos servem para limpar as pingas da tinta no soalho, para enrolar copos nas mudanças, para atiar o fogo… já ninguém quer ler notícias de ontem! Hoje tive essa prova, sai da redacção para ir fazer uma reportagem, cheguei ao local e mesmo diante os meus olhos uma parede branca coberta de jornais desmembrados em folhas soltas misturados por os vários títulos nacionais serviam de decoração do evento…Olhei mais a fundo e começo a ver bocados de notícias escritas por mim, essas mesmas linhas que me tiraram o sono, que troquei mil vezes as palavra em procura de um melhor significado pregadas aos pedaços num mural, sem nexo, sem sentido, a servirem de papel de parede…Só um sorriso me brotou na face, confirmei o livro que me tinha feito pensar no jornalismo, pensei no que fazia e deu-me gosto fazê-lo, afinal não é o tempo que conta mas a intensidade do momento…e depois quando percorro os arquivos dos jornais e leio notícias de épocas muito anteriores percebo que me fazem rever o passado melhor do que qualquer história! E acreditem que há por aí autênticas relíquias em arquivos, afinal ainda há lugares que perpetuam as notícias de hoje que para alguns já são velhas amanhã…mas é isso que faz a essência…Que hajam muitas mais notícias velhas todos os dias, para que possa dar muitas mais novas todas os outros dias que faltam percorrer…

domingo, fevereiro 19, 2006

Walk away...

As despedidas sempre trazem vincadas essas palavras torduosas que se incita ao adeus...
A esse adeus de ausência, não sei se de perda...Sinto pedaços a cair, a rolar por entre o vazio que espreita as fendas do corpo. Sinto mistos, meios de nadas, metades de tudo e no fim apenas essa curva do coração que palpita.
E em baixinho, em silêncio repito sílabas, repito, volto a repetir para que eu oiça. E continuo a enxergar de frente desse olhar que não dobra. E esse som outra vez que me lembra, que me recorda não de mim, antes o fosse é que as vezes é preciso ir para longe...


"and its so hard to do, and so easy to say ,but sometimes ....sometimes... you just have to walk away.... walk away... and head for the door you just walk away.... walk away.... walk away...just walk on... walk on... turn and head for the door....walk away"


Foto By E.M...

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

Porque isto é um Blog...falemos de Blog´s...

Andei a vaguear por os blog's, cheguei a conclusão que a comunicação ganhou uma nova dimensão. Quando optei por deixar o papel (falso testemunho porque gosto do seu cheiro, da sua simplicidade e porque normalmente é o que tenho sempre a mão perto de uma caneta), mas adiante os blog´s dão-me hoje as novidades dos meus conhecidos, dos meus amigos e até dos meus desconhecidos. Reparei então que as cartas do correio, dessas que se esperavam anciosamente contendo pedaços de alguêm já não chegam mais. Cartas hoje apenas trazem contas para pagar. A intimidade o secretismo são hoje públicos, para mim q.b mas há por ai quem anuncie a sua vida neste novo espaço físico, nesta nova dimensão, nestes cartuxos diários de novas ideias e atitudes. Mas o rotina entrou-me vincada no corpo, sinto a necessidade de vos ler, de saber de vocês e de quem não conheço mas reconheço engenho. E então quando andava a visitar um blog eis o meu espanto quando reparei que há uma nova dimensão a chegar. Passo a citar: "Cada bloguista participante tem de enunciar cinco manias suas, hábitos muito pessoais que os diferenciem do comum dos mortais. E além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher cinco outros bloguistas para entrarem, igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogues aviso do "recrutamento". Admito que me assustei, espanto, interrogação...e dei por mim a pensar que não era isto que eu pretendia de um blog...derrepente vejo as pessoas a comunicar mais aqui do que na mesa de café com os amigos...na sala de estar, nos corredores do trabalho...enfim locais onde a voz ainda ecoa...Ainda assim percebi a curiosidade que as mentes suscitam...é normal que aqui se revele o que os olhos nunca enxergaram...e quando reparei já eu tinha respondido a um questionário do tipo...mesmo no post anterior a este...É caso para dizer que os blog's contagiam...dou por mim a pensar, há por ai quem não tenha um blog?
P.S- Acabaram os questionários...resolvi tomar esta atitude para que os blog´s não passem a ser todos iguais em que eu descubro o que outros gostam de fazer e (blá blá blá)...isto é apenas um apelo as mentes...um apelo a criatividade...um apelo ao interesse...

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

Resposta as Questões....

Bem cá estou eu a responder ao desafio…colocam-me a pensar nisto e depois não sou capaz de quebrar essa vossa corrente…mas fique ciente que não foi uma obrigação mas sim um enorme prazer que me curvou os olhos


Quatro locais onde vivi:
1 - Bairro dos Eucaliptos…nessa localidade mais que perfeita
2- Nos Olivais…ano explendido até por motivos inacreditáveis
3- Em arroios…bons tempos
4- Nos anjos…não gostavamos muito de variar a zona descemos só um pouco a avenida

Quatro sítios em que já fui empregada:

1- Naqueles trabalhos para adolescentes, do IPJ…entre os vários recordo o Museu de Ervidel
2- Na permufaria da minha mãe…
3- Na loja da bruna não é minha fique claro
4- No Diário do Alentejo….actual…

Quatro filmes que poderia ver vezes sem conta (sessão contínua):

1- O clube dos poetas mortos… um hino à vida…
2-Cinema paraíso…composição perfeita, melodia, personagens, história
3-Forest Gamp…o melhor entre os melhores
4-A vida é Bela…porque não é preciso dizer mais
5-21 Gramas…porque no cinema ainda se fazem bons filmes.

Quatro séries televisivas que permanecem na minha cabeça:

1-Bocas…infância
2-Sexo e a cidade…por ser genial
3-Friends…porque me arranca sempre um sorriso
4-Seinfeld…o melhor dos humores…sem riso fácil..

Quatro sítios que visitei em Férias:

1-Açores…uma das maravilhas deste País a beira mar plantado
2-Barcelona…a cidade perfeita…pela vida, pelo quotidiano, pela arquitectura…por tudo
3-O malhão pelo prazer de sempre…a melhor praia do mundo
4- não consigo escolher outro por serem todos demasiado importantes...

Quatro sites que visito diariamente:

1- Blog’s…rotina
2- jornais…vicio
3- os site do meu trabalho…gosto e necessidade
4 -O google…o melhor ajudante virtual…

Quatro comidas que me fazem água na boca:

1-Puré de batata c esses bifes que so a minha avó sabe fazer…
2-Mariscos…bixinhos do mar
3-Peixe…uma relíquia a face da terra
4-gelados…por recordarem sempre o verão

Quatro lugares onde estaria agora:

1-Barcelona…
2-Peru…
3-Tailândia…
4-e depois percorria o resto do mundo se possível…

Quatro álbuns que "ficaram":

1-Trovante – “uma noite só” da melhor música que já se fez em Portugal
2-Ben Harper…Fight For Your Mind…presente em muitos dias nessas muitas fases da vida
3-Jack Johnson…On And On…pela tranquilidade
4-Coldplay…vários…
5-E muitos mais…

Não passo a nínguem em especial...fica para quem quiser responder...isto foi um excepção...

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

A propósito dos Fundamentalismos...

Não receei nunca a invasão dos fundamentalistas acreditei sempre nas palavras da democracia. A distância a que essas nações se encontravam de mim faziam o meu canto seguro. O estalar da mentalidade de lá sempre me fez confusão, mas sempre me mereceu respeito. Cada um com as suas crenças, ainda assim o exagero desses Fundamentalismos fazem enrugar-me a mente, como que a criar rugas nos poros. Guerras Santas em nome de Deus, desse mesmo Deus dos crentes, feliz de quem acredita em alguma coisa, eu não me converto mas respeito. Não sei é em que parte da Bíblia, do Corão se incita a violência. Não acredito que esse vosso Deus se encontre por isso contente. E quando hoje vejo armas apontadas a cartoonistas, bandeiras dinamarquesas a serem espezinhadas dou por mim a pensar que afinal esses fundamentalistas não estão assim tão distantes. Não acredito que não houvesse a intenção de provocar esse povo fundamentalista, aliás a discórdia reside sempre na maioria das mentes. É que é fácil atiçar o rastilho da pólvora. Há sociedades que estão preparadas para receber essas críticas, há outras que ainda perduram agarradas aos tempos...E ao recordar o tempo, apesar da polémica não houve guerra por se colocar um preservativo no nariz do Papá, mas é que Muhammed ainda preenche outro estatuto no mundo árabe. Ainda assim, há uma coisa que não abdico incondicionalmente - O direito à liberdade de expressão, desculpem-me os fundamentalistas mas os valores da democracia ecoa-me mais alto. Não prescindo jamais da liberdade, inclusive da de imprensa. Embora pense que há coisas neste nosso mundo, onde a fogueira esta sempre pronta a atiçar, que é necessário esperar pelo tempo. É o caso desses cartoons, não adianta contrariar um crente que esta convicto de si, ele nunca enxergara além da sua Íris.

Fotografia fonte: www.primeirodejaneiro.pt

sábado, fevereiro 04, 2006

Neve coincidente...

Não sei se os acontecimentos sem cruzam no tempo, se ficam pendurados por um cordel, ou pelo cordão umbilical. Acho que são mesmo as afinidades dos dias que repetem as boas coincidências. 1983 não foi assim há tanto tempo. Apenas o suficiente para definir a existência e não gosto de quantificar em números, acho que lhe retiram a essência, por me parecer sempre o dobro do que é, do que se sente. Dava eu os primeiros suspiros pausados, descansados e certamente inconscientes de certezas e de lembranças. No entanto, há quem recorde por mim e me tenha contado ao longo destes anos que a neve tinha caído quando nasci….nesses anos contabilizados mais pelos outros do que por mim…Frio, inverno, chuva nunca me atraíram, mas neve essa já me alegrava mais que não fosse pela diferença que quebra o clima do Alentejo. Aprendi assim, a gostar desse acontecimento ficou-me como referencia temporal e existencial. E não sou de acreditar no destino, mas já nas coincidências essas parecem fazer parte do meu destino. E desta vez não me contavam a mim que tinha nevado era eu que contava aos outros, que tinha caído neve na planície. E junto ao jornal que tinham guardado religiosamente durante estes anos, guardei eu agora a minha primeira notícia no jornal precisamente sobre a neve. Fico então a espera de que neve num outro ano….num outro tempo…porque parece que os grandes acontecimentos da minha vida se revestem de branco embora eu me identifique mais com o amarelo que aquece a alma e o espírito em dias solarengos.