Rua acima, rua abaixo. Esquerda, direita, um folgo de ar, uma batida. Duas pernas a andar e simplesmente um sorriso no lábios. Largo, rasgado, grande, enorme…Nessas ruelas estreitas, por entre paredes, por entre muralhas, aviões, carros, peões verdes e vermelhos. Confusão sim muita, mas eu gosto desse rumor nos ouvidos, não me fere a cartilagem. Nessa calçada cheia, repleta, nessa voz que me chama, que me aquece e me devolve sempre que necessário. Janelas e portadas altas, tudo alto, tudo no cimo. Pendurada em lençóis brancos por entre o corpo, descendo escadarias que arrefecem os pés. Desamarrota o céu, encaixa-o no rio e segue a rebolar por as colinas, em pé-coxinho e chinelos de dedo com terra nos calcanhares. E sobre os carris, sobre as caras de ninguém tu tens rosto, e eu conheço-o também.
quarta-feira, maio 31, 2006
domingo, maio 28, 2006
Porque afinal tu (tempo) não alteras nada....
Tempo para, não andes, fica mudo, imóvel, canta ou simplesmente que tu te danes.
Foi isto que me apeteceu dizer-lhe a esse senhor que faz as horas andar, que faz as coisas gastarem-se, que faz as coisas terminarem. Maldito tempo, despejar toda a minha raiva nesse impositor, nesse ditador. E depois pensei por mais voltas que dês não me encerras e não me irritas. Gira em ponteiros que é só mesmo o que sabes fazer. Eu cá giro em torno de coisas, em pedaços de material puro, em sorrisos e olhares brilhantes. E o tempo pode ter sido curto, dias, anos não chegariam…mas chegaram-me os vossos abraços, chegou a cumplicidade, as gargalhadas que fazem amarrotar a barriga, essas coisas intermináveis que nunca mudam…e já fazia muito tempo que não nos víamos, o que so prova que ele (tempo) não altera mesmo nada, porque há momentos, que são vidas.
Foi isto que me apeteceu dizer-lhe a esse senhor que faz as horas andar, que faz as coisas gastarem-se, que faz as coisas terminarem. Maldito tempo, despejar toda a minha raiva nesse impositor, nesse ditador. E depois pensei por mais voltas que dês não me encerras e não me irritas. Gira em ponteiros que é só mesmo o que sabes fazer. Eu cá giro em torno de coisas, em pedaços de material puro, em sorrisos e olhares brilhantes. E o tempo pode ter sido curto, dias, anos não chegariam…mas chegaram-me os vossos abraços, chegou a cumplicidade, as gargalhadas que fazem amarrotar a barriga, essas coisas intermináveis que nunca mudam…e já fazia muito tempo que não nos víamos, o que so prova que ele (tempo) não altera mesmo nada, porque há momentos, que são vidas.
segunda-feira, maio 22, 2006
Coisas simples...
Andei a vaguear por aí perto de nada e perto de tudo. Andei em círculos e em rectas, andei somente nesse espaço. Peguei nas mãos e metias nos bolsos como quem não tem nada que fazer, peguei nas pernas e fiz com que andassem. Um, dois, três...não carneiros, são caroços que enchem a boca. São nêsperas amarelas, nessa minha cor de infância que era pirosa, até então e que agora esta na moda. Os lábios molhados e em redor da boca somente desliza esse sumo que cola e que me reporta para aí dez anos atrás, doze os que queiram façam é de mim criança (e como era bom, imaginem muito tempo se quiserem eu não me importo). Enfim tudo isto para dizer que ainda não aprendi a comer sem me sujar, tarefa quase impossível na minha diária. Adiante há dias em que não acontece nada de especial, mas digo-vos este sabor na boca, esta falta de formalidade tem sabor... o gosto dos dias, pequenos prazeres que fazem dias cheios (e gosto mais disto do que ouvir mentes vazias).
quinta-feira, maio 18, 2006
Apenas uma questão ergonómica...
Sempre se quer mudar alguma coisa, que mais não seja a mesa de sítio, o quadro de parede e os sapatos de lugar. Sempre se quer, porém apenas coisas simples, coisas banais que não incluam grande esforço mental e que não alterem muito a rotina de seres comodistas, que receiam a mudança. Querem mudar-se assim, essas coisas fáceis que não criem conflitos , que não acabem por ser um problema, quando o problema consiste mesmo no deixa andar...Mas por cá tudo bem e tudo ao contrário. Criticas muitas, alternativas poucas, movimentos escassos, soluções nulas, vontade inexistente. Agir é melhor então nem pensar nisso. Então no país das maravilhas vamos mudando os móveis, vamos trocando de carro e lamentando. Porque aqui as coisas até são prováveis que caiam do céu. Porque mudar queremos, falta é a vontade, o tempo e essas coisas que nos retiram horas de café, de sono e afins. Mas tudo bem, talvez seja melhor pensar se a cama não ficaria melhor ao contrário, não é por nada em especial, apenas por uma questão ergonómica, porque assim até parecemos inovadores.
segunda-feira, maio 15, 2006
quinta-feira, maio 11, 2006
Pensamento
A sensatez nem sempre é sensata para quem a pratica, cheguei a essa conclusão hoje. Sim, pode ser o mais correcto, mas nem sempre o correcto é o que realmente se quer fazer. Sensatez, insensata portanto.
Descrição I
Uma arcada, uma janela com vidros fuscos, duas ventoinhas respiratórias, tudo artificial portanto, mas eis que se abre a janela de portadas pequenas, um rectângulo e somente verde...barulho dos pássaros e um ponto rosa... é uma flor. Digo-vos que até as ventoinhas já nem parecem tão feias assim.
quarta-feira, maio 10, 2006
Coisas relativas...
Ele há coisas relativas, coisas que pesadas na balança dos dias dão apenas uma e por vezes nenhuma.
Ontem ao subir a rua, essa de calçada larga ia a pensar o quanto custa a satisfação plena. O quão difícil é o contentamento humano, digo-vos mesmo que por vezes preferia ser bicho (sei que já o sou). Então cá ia eu e o dia normal como sempre, nada de grave, nada de preocupação, nada de perda, somente o dia, ainda assim parecia faltar alguma coisa. Irritada com esta falha, que não me fazia desfrutar e a pensar quanta gente estaria a passar por mim, com motivos reais para estar enfadado e a odiar o poder estúpido da minha mente. E eu tudo bem e tudo mal. Continuei mais um pouco e acho que a cabeça já estava longe, acho que mais perto de coisa nenhuma. Já nem a pensar estava, e eis que oiço uma voz, daquelas transparentes e genuínas. Menina, dá-me um cigarro? E eu imóvel pela melodia que saia dos seus lábios – Não fumo! E ele - Melhor assim! Era alegria que saia dos seus olhos, era vida, eram notas de sol e era mendigo.
Ele há coisas muito relativas.
Ontem ao subir a rua, essa de calçada larga ia a pensar o quanto custa a satisfação plena. O quão difícil é o contentamento humano, digo-vos mesmo que por vezes preferia ser bicho (sei que já o sou). Então cá ia eu e o dia normal como sempre, nada de grave, nada de preocupação, nada de perda, somente o dia, ainda assim parecia faltar alguma coisa. Irritada com esta falha, que não me fazia desfrutar e a pensar quanta gente estaria a passar por mim, com motivos reais para estar enfadado e a odiar o poder estúpido da minha mente. E eu tudo bem e tudo mal. Continuei mais um pouco e acho que a cabeça já estava longe, acho que mais perto de coisa nenhuma. Já nem a pensar estava, e eis que oiço uma voz, daquelas transparentes e genuínas. Menina, dá-me um cigarro? E eu imóvel pela melodia que saia dos seus lábios – Não fumo! E ele - Melhor assim! Era alegria que saia dos seus olhos, era vida, eram notas de sol e era mendigo.
Ele há coisas muito relativas.
sexta-feira, maio 05, 2006
A melhor notícia do mundo...
Cheguei um pouco atrasada, mas soubesse eu e teria corrido só para ter sabido mais cedo. Há anos que ando a esperar eu e mais uns milhares, há uns anos que nos tinham tentado retirar a alma ou a fonte de desenvolvimento, mas em vão, ninguém apaga o intrínseco o crescer, viver e por aí. No entanto, só quem sente apego pode perceber o que tento dizer, só quem sabe o que é o cheiro do minério misturado como o do campo, percebe o significado destes sorrisos rasgados.
Não sou do tempo áureo desse porto de modernismo e avanço do País, mas sou do tempo de laboração, e é q.b. para saber como era e com é.
Todos os dias atravessava esse bairro pela mão, com um chapéu na cabeça, dava passos grandes, demasiado até para o meu tamanho, para poder acompanhar e chegar a horas de entregar a cesta de verga, com o pano aos quadros que embrulhava a marmita para não arrefecer. Atravessava a gruta que dava acesso ao outro lado, lá dentro uma escuridão e depois um monte de homens com as caras tisnadas e luzes na cabeça.
Era num folgo que corríamos para ver o elevador descer para o centro da terra e ali ficávamos parados agarrados aos ferros, a ver o quão fundo ia. Eram os vagões o nosso melhor esconderijo e motivo de piqueniques, pedras de minério que brilhavam ao sol pesavam nas mochilas ao regressar para casa. A terra das rochas o melhor cimento para esculturas, desenhos e brincar aos adultos. A água forte o nosso maior receio, diziam que quem caísse para lá já mais voltaria a vir, contornávamos essas lagoas de água castanha, vermelha mandando pedaços de coisas para ver o que acontecia...Só mais tarde percebi que só com o tempo corroía.
É por todos estes motivos e mais alguns, por amor sim no sentido mais puro, que hoje os sorrisos me escorrem, que os olhos brilham e se enchem de pedaços de sal. A desconfiança é algo a que nos habituamos, mas hoje parece ser mesmo a sério e a notícia ecoa de boca em boca, e cada vez que alguém me encontra tão feliz e alegre no seu entusiasmado como eu, me diz: Já Sabes, a mina vai reabrir! E são pedaços de coisas genuínas, enrolados no desejo de voltar a ver a azafama e raiz cultural de um povo a renascer, que me faz hoje ancorar as melhores coisas que se possam imaginar no músculo. Hoje não vos sei explicar só mesmo sentir...
Não sou do tempo áureo desse porto de modernismo e avanço do País, mas sou do tempo de laboração, e é q.b. para saber como era e com é.
Todos os dias atravessava esse bairro pela mão, com um chapéu na cabeça, dava passos grandes, demasiado até para o meu tamanho, para poder acompanhar e chegar a horas de entregar a cesta de verga, com o pano aos quadros que embrulhava a marmita para não arrefecer. Atravessava a gruta que dava acesso ao outro lado, lá dentro uma escuridão e depois um monte de homens com as caras tisnadas e luzes na cabeça.
Era num folgo que corríamos para ver o elevador descer para o centro da terra e ali ficávamos parados agarrados aos ferros, a ver o quão fundo ia. Eram os vagões o nosso melhor esconderijo e motivo de piqueniques, pedras de minério que brilhavam ao sol pesavam nas mochilas ao regressar para casa. A terra das rochas o melhor cimento para esculturas, desenhos e brincar aos adultos. A água forte o nosso maior receio, diziam que quem caísse para lá já mais voltaria a vir, contornávamos essas lagoas de água castanha, vermelha mandando pedaços de coisas para ver o que acontecia...Só mais tarde percebi que só com o tempo corroía.
É por todos estes motivos e mais alguns, por amor sim no sentido mais puro, que hoje os sorrisos me escorrem, que os olhos brilham e se enchem de pedaços de sal. A desconfiança é algo a que nos habituamos, mas hoje parece ser mesmo a sério e a notícia ecoa de boca em boca, e cada vez que alguém me encontra tão feliz e alegre no seu entusiasmado como eu, me diz: Já Sabes, a mina vai reabrir! E são pedaços de coisas genuínas, enrolados no desejo de voltar a ver a azafama e raiz cultural de um povo a renascer, que me faz hoje ancorar as melhores coisas que se possam imaginar no músculo. Hoje não vos sei explicar só mesmo sentir...
quarta-feira, maio 03, 2006
1+1+1+1+1......=.....
Somos mais do que a conta, as vezes penso até que somos mais que o possível. Grãos de sal, de areia, de açúcar e de tudo o que escapule por entre os dedos. Coisas incontáveis, com resultados infinitos...onde o número não cabe no visor electrónico da máquina de calcular (essa que pensa por nós, essa que nos desapega de qualquer raciocínio). Não consigo quantificar, por isso parece-me muito, uma mão cheia de coisas de um novelo enrolado em mil voltas, e de bolas de sabão pelo ar, qualquer coisa que supere os números. Somos os que somos e ainda bem que são tantos ou tão poucos (depende da visão, opinião e imaginação) e que se junte quem vier por bem...
segunda-feira, abril 24, 2006
Sabes a que sabe a vida?

Em pequenos passos de abrir olhos, e despertar para bocas famintas de ar.
Em retalhos de deslizes de mãos que querem tocar o sol (sim ele arde), mas o voo do limite é sempre o mais desejado e ele nunca arrefece, como quem se perde sem saber viver. Eu sei que ele queima as faces, mas é num sopro que se alivia. Esse ar frio do vento que roda em círculos como se fosse um vinil e que marca em batutas, passos gigantes de homens, grandes e pequenos de tamanho S e XL...
Desabrochar cada minuto como se em folhas de clorofila escorre-se sabedoria e se escrevesse da esquerda para a direita ou da direita para a esquerda, tanto faz. Verde a perder de vista, azul a afundar-me em poças de água, que fazem mais por mim do que qualquer sapato de verniz. Ter a língua a saber a cerejas, morangos, ameixas desse vermelho maça. Enrolo o cabelo em novelos, sem pressa do tempo, tiro a corda ao relógio e soletro pedaços de coisas genuínas, de risadas, de conversas com nexo e sem sentido, de abraços apertados, de vozes cúmplices, de simplicidade, de pessoas que são bandeiras na minha existência, de tempo que não corre. A Vida despe-se e é nudista, é sabe a sal misturado como açúcar. Sem coalho nem filtro, sabe no seu estado liquido, com impurezas e sabe a calor daquele que transpira da pele. A vida sabe ao que sabe...e cada um lá sabe ao que lhe sabe.
Em retalhos de deslizes de mãos que querem tocar o sol (sim ele arde), mas o voo do limite é sempre o mais desejado e ele nunca arrefece, como quem se perde sem saber viver. Eu sei que ele queima as faces, mas é num sopro que se alivia. Esse ar frio do vento que roda em círculos como se fosse um vinil e que marca em batutas, passos gigantes de homens, grandes e pequenos de tamanho S e XL...
Desabrochar cada minuto como se em folhas de clorofila escorre-se sabedoria e se escrevesse da esquerda para a direita ou da direita para a esquerda, tanto faz. Verde a perder de vista, azul a afundar-me em poças de água, que fazem mais por mim do que qualquer sapato de verniz. Ter a língua a saber a cerejas, morangos, ameixas desse vermelho maça. Enrolo o cabelo em novelos, sem pressa do tempo, tiro a corda ao relógio e soletro pedaços de coisas genuínas, de risadas, de conversas com nexo e sem sentido, de abraços apertados, de vozes cúmplices, de simplicidade, de pessoas que são bandeiras na minha existência, de tempo que não corre. A Vida despe-se e é nudista, é sabe a sal misturado como açúcar. Sem coalho nem filtro, sabe no seu estado liquido, com impurezas e sabe a calor daquele que transpira da pele. A vida sabe ao que sabe...e cada um lá sabe ao que lhe sabe.
quarta-feira, abril 19, 2006
Oiço Violinos no Telhado...
Sabes o que estou a ouvir?
E eu – não! O que é?
A banda sonora de um filme que vi ao teu lado. Violinos no telhado.
Estrelinhas que tocam em notas de sol, telhas partidas e musgo entre as sílabas das melodias.
Nas mesas brancas, com as pernas azuis sentamo-nos como sempre em cima do tampo. Olhámos pela película numa parede. E entre essas paredes brancas ali ficávamos horas, mais por obrigação do que por outra coisa, mas nesse dia tivemos de vontade. E se pudesse recuava a todos eles e juro-te que deixavam de ser uma obrigação, e queria apenas o simples facto de te ter por perto. Hoje ainda oiço violinos no telhado cada vez que me recordo de ti...amigo:)
E eu – não! O que é?
A banda sonora de um filme que vi ao teu lado. Violinos no telhado.
Estrelinhas que tocam em notas de sol, telhas partidas e musgo entre as sílabas das melodias.
Nas mesas brancas, com as pernas azuis sentamo-nos como sempre em cima do tampo. Olhámos pela película numa parede. E entre essas paredes brancas ali ficávamos horas, mais por obrigação do que por outra coisa, mas nesse dia tivemos de vontade. E se pudesse recuava a todos eles e juro-te que deixavam de ser uma obrigação, e queria apenas o simples facto de te ter por perto. Hoje ainda oiço violinos no telhado cada vez que me recordo de ti...amigo:)
terça-feira, abril 18, 2006
Procura-se Comprador...
Diz-me lá quanto custa essa moeda? Quantos dedos a fazem rolar sem a ela pertencerem. Diz-me lá qual é o teu preço, desse valor material sem beleza de frustração de ódios.
Diz-me se te vendes por tão pouco, por um bocado de lata e olhos radiantes de ambição. Eu dou-te bocados de maçãs puras, gotas de águas de sal, asas de pássaros, bocados de terra e odores em cordel, mas creio que será pouco para ti, os teus pés querem antes papel com caras de homens e símbolos da união europeia vincados, querem antes vertigens de apegos monetários sem gozo. Vive antes nessa vida faz-de-conta, e já não há bolas de sabão que te lavem, tens as mãos sujas e a pele a cheirar a esse bafo do níquel sujo e moribundo que provoca a discórdia.
Diz-me quanto custas, que eu não te compro.
Diz-me se te vendes por tão pouco, por um bocado de lata e olhos radiantes de ambição. Eu dou-te bocados de maçãs puras, gotas de águas de sal, asas de pássaros, bocados de terra e odores em cordel, mas creio que será pouco para ti, os teus pés querem antes papel com caras de homens e símbolos da união europeia vincados, querem antes vertigens de apegos monetários sem gozo. Vive antes nessa vida faz-de-conta, e já não há bolas de sabão que te lavem, tens as mãos sujas e a pele a cheirar a esse bafo do níquel sujo e moribundo que provoca a discórdia.
Diz-me quanto custas, que eu não te compro.
segunda-feira, abril 17, 2006
sábado, abril 15, 2006
Só por o mundo ser redondo...
Porque a Páscoa afinal têm crentes ou des(crentes)…e utilidade.
Porque estes fins-de-semana prolongados dizem acabar com a economia do País (mas muito pior também já não pode ficar), mas aumentam a auto-estima.
Por me saber muito bem esta utilidade de Páscoa, de mini férias (a única que lhe reconheço)
Porque o mundo gira e é redondo vou dar uma volta…(só mesmo por isso).
Porque estes fins-de-semana prolongados dizem acabar com a economia do País (mas muito pior também já não pode ficar), mas aumentam a auto-estima.
Por me saber muito bem esta utilidade de Páscoa, de mini férias (a única que lhe reconheço)
Porque o mundo gira e é redondo vou dar uma volta…(só mesmo por isso).
quinta-feira, abril 13, 2006
Justiça?
Ando a tisnar os dedos, ando com os olhos pregados em letras pequeninas e pretas. Ando à procura das gordas, neste hábito diário. Ultimamente os assuntos não tem variado muito...eleições em Itália, revolta francesa, Angola país que de momento parecem ter feito renascer das cinzas, (a mim a questão cultural daquele povo e as condições do mesmo interessa-me mais, sou sincera)...mas o tempo tem sido de mudança e isso agrada-me e muito. Não sou uma revolucionária não tenho capacidade nem disposição de liderança, gosto mais de me liderar a mim mesma. Ainda assim tenho opinião e ela vale apenas o que vale.
Mas nestes dias li algo que me transcendeu, algo que me fez recuar nos neurónios, colocar os óculos para ver se estava mesmo a ler o correcto: "(...) o Supremo Tribunal de Justiça (...) alegou que fechar crianças em quartos é um castigo normal de “um bom pai de família”, defendendo que estaladas e palmadas, se não forem dadas, até podem configurar “negligência educacional”.
E depois o pior estas crianças tinham deficiências mentais e estavam num lar em Setúbal. Recuei novamente na leitura incrédula, mas depois pensei melhor e analisei o estado da justiça em Portugal...então soltam-se corruptos, elegem-se de novo presidentes que fogem para o Brasil e pensei se tivéssemos noutro País isto era muito grave, mas em Portugal isto até passa despercebido, ou não!
É caso para dizer que o Supremo Tribunal de Justiça anda muito mal informado acerca das práticas da educação, se isto é aceitável todo o resto se pode esperar, já agora seria oportuno que se consultassem os especialistas nesta matéria à cerca da teoria científica sobre o tema, talvez eles consigam esclarecer melhor, talvez eles sejam mais entendidos digo eu, mas isto é só a minha opinião e ela vale o que vale como já tinha dito.
Mas nestes dias li algo que me transcendeu, algo que me fez recuar nos neurónios, colocar os óculos para ver se estava mesmo a ler o correcto: "(...) o Supremo Tribunal de Justiça (...) alegou que fechar crianças em quartos é um castigo normal de “um bom pai de família”, defendendo que estaladas e palmadas, se não forem dadas, até podem configurar “negligência educacional”.
E depois o pior estas crianças tinham deficiências mentais e estavam num lar em Setúbal. Recuei novamente na leitura incrédula, mas depois pensei melhor e analisei o estado da justiça em Portugal...então soltam-se corruptos, elegem-se de novo presidentes que fogem para o Brasil e pensei se tivéssemos noutro País isto era muito grave, mas em Portugal isto até passa despercebido, ou não!
É caso para dizer que o Supremo Tribunal de Justiça anda muito mal informado acerca das práticas da educação, se isto é aceitável todo o resto se pode esperar, já agora seria oportuno que se consultassem os especialistas nesta matéria à cerca da teoria científica sobre o tema, talvez eles consigam esclarecer melhor, talvez eles sejam mais entendidos digo eu, mas isto é só a minha opinião e ela vale o que vale como já tinha dito.
sexta-feira, abril 07, 2006
3
No outro dia numa conversa a três, dizem que é número perfeito, no momento arrisco mesmo a dizer que o foi. Não seriam necessárias mais vozes em debate uma vez que o assunto também parece andar esgotado. Mas ainda assim, continuamos a prosa, falatório, troca de ideias, troca de palavras numa de tantas voltas dadas por ruas e ruelas onde o movimento parece distrair no mesmo local de sempre.
E então porque a tarde ainda parecia grande, embora tivesse no fim, porque o apetite de ir para casa também não era nenhum, à falta de programa fomos dar uma volta.
Então as silabas saíram basicamente em torno da “falta de sorte” e não nos estávamos a referir ao azar de não ganhar o Euromilhões, isso parece ser factor consumado. Foi mais em torno da vida se esgotar, e ter uma pista de obstáculos a fazer o tempo correr sem proveito. As coisas pareciam ter um peso amanhã, maior ainda do que naquele dia...Parecem ser essas coisas que esmifram os dias e então não há melhor sinónimo e desculpa do que: “Eu não tenho sorte nenhuma”, então 3 mentes chateadas encaram isto de uma forma veloz. E todas as palavras que saem revestem-se de um pessimismo terrível, capaz de provocar suicídios no mais feliz dos mortais. Sim porque se alguém estava com o espirito embaixo a conversa era mais uma ferroada que causava não só comichão como arrepios. E depois as interpretações eram diferentes, já se sabe cada cabeça sua sentença, variam na intensidade de que cada momento mau nos provoca, a uns mais do que outros. Mas eu acho hoje, que ainda somos capazes de encontrar os requisitos mínimos para essa “falta de sorte”, ainda pudemos colocar as pedras no charco sem nos molharmos, naquele dia não dava a mente em dias assim não pensa! Acho que temos vontades e forças anímicas para ficar com a cereja em cima do bolo! Não me contento com as migalhas no prato, quero mais, e acredito que é possível, e mesmo quando isso implicar quebras no coração não desisto, mesmo que a vida nos pregue partidas foleiras sem piada, onde só ela se ri. E eu que sou agnóstica, afinal acredito em alguma coisa, acredito na possibilidade de sorrir... na minha e na vossa.
E então porque a tarde ainda parecia grande, embora tivesse no fim, porque o apetite de ir para casa também não era nenhum, à falta de programa fomos dar uma volta.
Então as silabas saíram basicamente em torno da “falta de sorte” e não nos estávamos a referir ao azar de não ganhar o Euromilhões, isso parece ser factor consumado. Foi mais em torno da vida se esgotar, e ter uma pista de obstáculos a fazer o tempo correr sem proveito. As coisas pareciam ter um peso amanhã, maior ainda do que naquele dia...Parecem ser essas coisas que esmifram os dias e então não há melhor sinónimo e desculpa do que: “Eu não tenho sorte nenhuma”, então 3 mentes chateadas encaram isto de uma forma veloz. E todas as palavras que saem revestem-se de um pessimismo terrível, capaz de provocar suicídios no mais feliz dos mortais. Sim porque se alguém estava com o espirito embaixo a conversa era mais uma ferroada que causava não só comichão como arrepios. E depois as interpretações eram diferentes, já se sabe cada cabeça sua sentença, variam na intensidade de que cada momento mau nos provoca, a uns mais do que outros. Mas eu acho hoje, que ainda somos capazes de encontrar os requisitos mínimos para essa “falta de sorte”, ainda pudemos colocar as pedras no charco sem nos molharmos, naquele dia não dava a mente em dias assim não pensa! Acho que temos vontades e forças anímicas para ficar com a cereja em cima do bolo! Não me contento com as migalhas no prato, quero mais, e acredito que é possível, e mesmo quando isso implicar quebras no coração não desisto, mesmo que a vida nos pregue partidas foleiras sem piada, onde só ela se ri. E eu que sou agnóstica, afinal acredito em alguma coisa, acredito na possibilidade de sorrir... na minha e na vossa.
quarta-feira, abril 05, 2006
Sintomas...
Acabei por descobrir alguns sinais da palavra saudade, sempre tentei perceber se o que sentia era saudade ou uma bandeira de fazes-me falta...Sempre tentei distinguir, diferenciar estas duas linhas embora que ténues. A imobilidade de estar em vários sítios ao mesmo tempo, a vontade de querer e não poder levou-me a meditar sobre a frase que não me saiu da cabeça, ecoando a razão para tais picadas no músculo do sentir: “o melhor da vida é o que não há-de vir”. Não me identifico com o espírito português do tenebroso sentimento das saudades. Mas este frio que me passa pelo cérebro só pode significar que ando com sintomas de lembranças regadas por desejos. Cada vez que este invasor me ataca, sempre me parece que coisa boa não há-de vir! São sempre significado de medo, receio, uma perda num buraco vazio e oco. Não fosse isto verdade e não andaria a ver o Tiago pela televisão...foi esta a minha principal causa. A dar por mim a pensar: Deixa lá ver como anda o Tiago? Deixa lá assistir a novela. Cheguei a conclusão que o meu problema é grave!
E depois penso no Tiago e começam a vir uma série de nomes atrás dos quais sinto saudade, falta como lhe queiram chamar...E o telefone esse aparelho de mil utilidades não anda a resultar para mim, os sintomas não se desvanecem através dele.
Mas acabei de encontrar o medicamento para o meu tratamento: Chama-se Lisboa! Tomo durante uma semana, fim de semana e curo-me.
E depois penso no Tiago e começam a vir uma série de nomes atrás dos quais sinto saudade, falta como lhe queiram chamar...E o telefone esse aparelho de mil utilidades não anda a resultar para mim, os sintomas não se desvanecem através dele.
Mas acabei de encontrar o medicamento para o meu tratamento: Chama-se Lisboa! Tomo durante uma semana, fim de semana e curo-me.
quarta-feira, março 29, 2006
Ervas daninhas...
As ervas daninhas andam espalhadas na estação típica que as faz reflorescer, crescem entre as pedras brancas e cinzentas da calçada. Cubos delineados de verde, sapatos escorregam como que em cascas de bananas. Mas não são só as pernas que caem, e não é só o soalho que as acolhe. Andam por aí entranhadas em corpos compactos que deixam procriar musgo nas juntas do ser. Entre os ossos crescem como sinal de abandono, e espadem-se por o espaço vazio onde apenas músculos mantém a manutenção de alguém que possui cabeça, troco e membros, mas que não habita este espaço estrutural. E a massa encefálica acolhe as sementes e com a humidade dos dias frios da mente produzem-se e alastram-se. Corpos adiposos, corpos esguios, tudo com boas condições climatéricas capazes de fazer a germinação. Cedem, descuidam-se elas crescem e não há pesticida que as mate.
Imagem: retirada da internet
segunda-feira, março 27, 2006
uma hora a menos, uma hora a mais...
A mudança da hora sempre mete os ponteiros do corpo ao contrário. Sempre me transporta em segundos lentos, em adaptações estranhas que o organismo não se habitua facilmente. Dá-me a sensação de dormir cedo de mais e acordar quando ainda é inadmissível abrir os olhos. Depois andar uma hora para trás de inverno e uma para a frente de verão, só pode causar uma sensação de regresso ao passado e regresso ao futuro. Os movimentos hoje andam tardios, as ideias andam penduradas no tempo e o relógio ainda esta na hora antiga. Falta-me paciência para acertar um novo hábito ao qual o corpo ainda não responde. Os cafés andam a remediar esta disfunção cerebral, andam a fazer a ponte de ligação. E o estômago esse sempre lhe parece demasiado cedo para encher. E agora aqui vou eu almoçar mas apenas porque o horário diz que sim.
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