Há muito tempo ou não há tempo assim, afinal o espaço sempre parece longínquo quantificado em datas mas curto em vivências. Andava eu não ideia de ser publicitária mas sem saber ao certo a vocação. Acho que ainda hoje não sei, é que a dúvida sempre me suscita, certezas é algo que não permanece em mim. Pode ser defeito eu digo mais que é feitio mas as opiniões são dispares por isso aceito qualquer adjectivo. Enfim na faculdade propuseram a leitura de um livro intitulado: “Cartas a um Jovem Jornalista”, inconscientemente vi-me tentada a ler. Acho que o bichinho já estava criado mas a minha mente tinha ainda outro intuito que era a aclamada criatividade da Publicidade. Levei umas horas a ler, sublinhei voltei a ler vezes sem conta afinal eu tinha a hipótese de ir para Jornalismo. Televisão não me suscitava qualquer tipo de interesse considerava-a um debitar de conteúdos sem interesse. Rádio, fazia-me associar a grandes vozes, a minha passa despercebida num grupo de dez pessoas quanto mais em milhares, só o sotaque do sul me distingue e isso fora do meu habitat. Mas jornais, esses sempre me tisnaram os dedos, a escrita sempre me perseguiu em blocos de notas, em folhas rasgadas enfim várias vezes em mente. E eis que o livro me mostrava agora o tempo do jornalismo, e percebi que os diários tem o ciclo de vida de um dia. O autor dizia que jornais velhos servem para limpar as pingas da tinta no soalho, para enrolar copos nas mudanças, para atiar o fogo… já ninguém quer ler notícias de ontem! Hoje tive essa prova, sai da redacção para ir fazer uma reportagem, cheguei ao local e mesmo diante os meus olhos uma parede branca coberta de jornais desmembrados em folhas soltas misturados por os vários títulos nacionais serviam de decoração do evento…Olhei mais a fundo e começo a ver bocados de notícias escritas por mim, essas mesmas linhas que me tiraram o sono, que troquei mil vezes as palavra em procura de um melhor significado pregadas aos pedaços num mural, sem nexo, sem sentido, a servirem de papel de parede…Só um sorriso me brotou na face, confirmei o livro que me tinha feito pensar no jornalismo, pensei no que fazia e deu-me gosto fazê-lo, afinal não é o tempo que conta mas a intensidade do momento…e depois quando percorro os arquivos dos jornais e leio notícias de épocas muito anteriores percebo que me fazem rever o passado melhor do que qualquer história! E acreditem que há por aí autênticas relíquias em arquivos, afinal ainda há lugares que perpetuam as notícias de hoje que para alguns já são velhas amanhã…mas é isso que faz a essência…Que hajam muitas mais notícias velhas todos os dias, para que possa dar muitas mais novas todas os outros dias que faltam percorrer…