Rua acima, rua abaixo. Esquerda, direita, um folgo de ar, uma batida. Duas pernas a andar e simplesmente um sorriso no lábios. Largo, rasgado, grande, enorme…Nessas ruelas estreitas, por entre paredes, por entre muralhas, aviões, carros, peões verdes e vermelhos. Confusão sim muita, mas eu gosto desse rumor nos ouvidos, não me fere a cartilagem. Nessa calçada cheia, repleta, nessa voz que me chama, que me aquece e me devolve sempre que necessário. Janelas e portadas altas, tudo alto, tudo no cimo. Pendurada em lençóis brancos por entre o corpo, descendo escadarias que arrefecem os pés. Desamarrota o céu, encaixa-o no rio e segue a rebolar por as colinas, em pé-coxinho e chinelos de dedo com terra nos calcanhares. E sobre os carris, sobre as caras de ninguém tu tens rosto, e eu conheço-o também.
quarta-feira, maio 31, 2006
domingo, maio 28, 2006
Porque afinal tu (tempo) não alteras nada....
Tempo para, não andes, fica mudo, imóvel, canta ou simplesmente que tu te danes.
Foi isto que me apeteceu dizer-lhe a esse senhor que faz as horas andar, que faz as coisas gastarem-se, que faz as coisas terminarem. Maldito tempo, despejar toda a minha raiva nesse impositor, nesse ditador. E depois pensei por mais voltas que dês não me encerras e não me irritas. Gira em ponteiros que é só mesmo o que sabes fazer. Eu cá giro em torno de coisas, em pedaços de material puro, em sorrisos e olhares brilhantes. E o tempo pode ter sido curto, dias, anos não chegariam…mas chegaram-me os vossos abraços, chegou a cumplicidade, as gargalhadas que fazem amarrotar a barriga, essas coisas intermináveis que nunca mudam…e já fazia muito tempo que não nos víamos, o que so prova que ele (tempo) não altera mesmo nada, porque há momentos, que são vidas.
Foi isto que me apeteceu dizer-lhe a esse senhor que faz as horas andar, que faz as coisas gastarem-se, que faz as coisas terminarem. Maldito tempo, despejar toda a minha raiva nesse impositor, nesse ditador. E depois pensei por mais voltas que dês não me encerras e não me irritas. Gira em ponteiros que é só mesmo o que sabes fazer. Eu cá giro em torno de coisas, em pedaços de material puro, em sorrisos e olhares brilhantes. E o tempo pode ter sido curto, dias, anos não chegariam…mas chegaram-me os vossos abraços, chegou a cumplicidade, as gargalhadas que fazem amarrotar a barriga, essas coisas intermináveis que nunca mudam…e já fazia muito tempo que não nos víamos, o que so prova que ele (tempo) não altera mesmo nada, porque há momentos, que são vidas.
segunda-feira, maio 22, 2006
Coisas simples...
Andei a vaguear por aí perto de nada e perto de tudo. Andei em círculos e em rectas, andei somente nesse espaço. Peguei nas mãos e metias nos bolsos como quem não tem nada que fazer, peguei nas pernas e fiz com que andassem. Um, dois, três...não carneiros, são caroços que enchem a boca. São nêsperas amarelas, nessa minha cor de infância que era pirosa, até então e que agora esta na moda. Os lábios molhados e em redor da boca somente desliza esse sumo que cola e que me reporta para aí dez anos atrás, doze os que queiram façam é de mim criança (e como era bom, imaginem muito tempo se quiserem eu não me importo). Enfim tudo isto para dizer que ainda não aprendi a comer sem me sujar, tarefa quase impossível na minha diária. Adiante há dias em que não acontece nada de especial, mas digo-vos este sabor na boca, esta falta de formalidade tem sabor... o gosto dos dias, pequenos prazeres que fazem dias cheios (e gosto mais disto do que ouvir mentes vazias).
quinta-feira, maio 18, 2006
Apenas uma questão ergonómica...
Sempre se quer mudar alguma coisa, que mais não seja a mesa de sítio, o quadro de parede e os sapatos de lugar. Sempre se quer, porém apenas coisas simples, coisas banais que não incluam grande esforço mental e que não alterem muito a rotina de seres comodistas, que receiam a mudança. Querem mudar-se assim, essas coisas fáceis que não criem conflitos , que não acabem por ser um problema, quando o problema consiste mesmo no deixa andar...Mas por cá tudo bem e tudo ao contrário. Criticas muitas, alternativas poucas, movimentos escassos, soluções nulas, vontade inexistente. Agir é melhor então nem pensar nisso. Então no país das maravilhas vamos mudando os móveis, vamos trocando de carro e lamentando. Porque aqui as coisas até são prováveis que caiam do céu. Porque mudar queremos, falta é a vontade, o tempo e essas coisas que nos retiram horas de café, de sono e afins. Mas tudo bem, talvez seja melhor pensar se a cama não ficaria melhor ao contrário, não é por nada em especial, apenas por uma questão ergonómica, porque assim até parecemos inovadores.

segunda-feira, maio 15, 2006
quinta-feira, maio 11, 2006
Pensamento
A sensatez nem sempre é sensata para quem a pratica, cheguei a essa conclusão hoje. Sim, pode ser o mais correcto, mas nem sempre o correcto é o que realmente se quer fazer. Sensatez, insensata portanto.
Descrição I
Uma arcada, uma janela com vidros fuscos, duas ventoinhas respiratórias, tudo artificial portanto, mas eis que se abre a janela de portadas pequenas, um rectângulo e somente verde...barulho dos pássaros e um ponto rosa... é uma flor. Digo-vos que até as ventoinhas já nem parecem tão feias assim.
quarta-feira, maio 10, 2006
Coisas relativas...
Ele há coisas relativas, coisas que pesadas na balança dos dias dão apenas uma e por vezes nenhuma.
Ontem ao subir a rua, essa de calçada larga ia a pensar o quanto custa a satisfação plena. O quão difícil é o contentamento humano, digo-vos mesmo que por vezes preferia ser bicho (sei que já o sou). Então cá ia eu e o dia normal como sempre, nada de grave, nada de preocupação, nada de perda, somente o dia, ainda assim parecia faltar alguma coisa. Irritada com esta falha, que não me fazia desfrutar e a pensar quanta gente estaria a passar por mim, com motivos reais para estar enfadado e a odiar o poder estúpido da minha mente. E eu tudo bem e tudo mal. Continuei mais um pouco e acho que a cabeça já estava longe, acho que mais perto de coisa nenhuma. Já nem a pensar estava, e eis que oiço uma voz, daquelas transparentes e genuínas. Menina, dá-me um cigarro? E eu imóvel pela melodia que saia dos seus lábios – Não fumo! E ele - Melhor assim! Era alegria que saia dos seus olhos, era vida, eram notas de sol e era mendigo.
Ele há coisas muito relativas.
Ontem ao subir a rua, essa de calçada larga ia a pensar o quanto custa a satisfação plena. O quão difícil é o contentamento humano, digo-vos mesmo que por vezes preferia ser bicho (sei que já o sou). Então cá ia eu e o dia normal como sempre, nada de grave, nada de preocupação, nada de perda, somente o dia, ainda assim parecia faltar alguma coisa. Irritada com esta falha, que não me fazia desfrutar e a pensar quanta gente estaria a passar por mim, com motivos reais para estar enfadado e a odiar o poder estúpido da minha mente. E eu tudo bem e tudo mal. Continuei mais um pouco e acho que a cabeça já estava longe, acho que mais perto de coisa nenhuma. Já nem a pensar estava, e eis que oiço uma voz, daquelas transparentes e genuínas. Menina, dá-me um cigarro? E eu imóvel pela melodia que saia dos seus lábios – Não fumo! E ele - Melhor assim! Era alegria que saia dos seus olhos, era vida, eram notas de sol e era mendigo.
Ele há coisas muito relativas.
sexta-feira, maio 05, 2006
A melhor notícia do mundo...
Cheguei um pouco atrasada, mas soubesse eu e teria corrido só para ter sabido mais cedo. Há anos que ando a esperar eu e mais uns milhares, há uns anos que nos tinham tentado retirar a alma ou a fonte de desenvolvimento, mas em vão, ninguém apaga o intrínseco o crescer, viver e por aí. No entanto, só quem sente apego pode perceber o que tento dizer, só quem sabe o que é o cheiro do minério misturado como o do campo, percebe o significado destes sorrisos rasgados.
Não sou do tempo áureo desse porto de modernismo e avanço do País, mas sou do tempo de laboração, e é q.b. para saber como era e com é.
Todos os dias atravessava esse bairro pela mão, com um chapéu na cabeça, dava passos grandes, demasiado até para o meu tamanho, para poder acompanhar e chegar a horas de entregar a cesta de verga, com o pano aos quadros que embrulhava a marmita para não arrefecer. Atravessava a gruta que dava acesso ao outro lado, lá dentro uma escuridão e depois um monte de homens com as caras tisnadas e luzes na cabeça.
Era num folgo que corríamos para ver o elevador descer para o centro da terra e ali ficávamos parados agarrados aos ferros, a ver o quão fundo ia. Eram os vagões o nosso melhor esconderijo e motivo de piqueniques, pedras de minério que brilhavam ao sol pesavam nas mochilas ao regressar para casa. A terra das rochas o melhor cimento para esculturas, desenhos e brincar aos adultos. A água forte o nosso maior receio, diziam que quem caísse para lá já mais voltaria a vir, contornávamos essas lagoas de água castanha, vermelha mandando pedaços de coisas para ver o que acontecia...Só mais tarde percebi que só com o tempo corroía.
É por todos estes motivos e mais alguns, por amor sim no sentido mais puro, que hoje os sorrisos me escorrem, que os olhos brilham e se enchem de pedaços de sal. A desconfiança é algo a que nos habituamos, mas hoje parece ser mesmo a sério e a notícia ecoa de boca em boca, e cada vez que alguém me encontra tão feliz e alegre no seu entusiasmado como eu, me diz: Já Sabes, a mina vai reabrir! E são pedaços de coisas genuínas, enrolados no desejo de voltar a ver a azafama e raiz cultural de um povo a renascer, que me faz hoje ancorar as melhores coisas que se possam imaginar no músculo. Hoje não vos sei explicar só mesmo sentir...
Não sou do tempo áureo desse porto de modernismo e avanço do País, mas sou do tempo de laboração, e é q.b. para saber como era e com é.
Todos os dias atravessava esse bairro pela mão, com um chapéu na cabeça, dava passos grandes, demasiado até para o meu tamanho, para poder acompanhar e chegar a horas de entregar a cesta de verga, com o pano aos quadros que embrulhava a marmita para não arrefecer. Atravessava a gruta que dava acesso ao outro lado, lá dentro uma escuridão e depois um monte de homens com as caras tisnadas e luzes na cabeça.
Era num folgo que corríamos para ver o elevador descer para o centro da terra e ali ficávamos parados agarrados aos ferros, a ver o quão fundo ia. Eram os vagões o nosso melhor esconderijo e motivo de piqueniques, pedras de minério que brilhavam ao sol pesavam nas mochilas ao regressar para casa. A terra das rochas o melhor cimento para esculturas, desenhos e brincar aos adultos. A água forte o nosso maior receio, diziam que quem caísse para lá já mais voltaria a vir, contornávamos essas lagoas de água castanha, vermelha mandando pedaços de coisas para ver o que acontecia...Só mais tarde percebi que só com o tempo corroía.
É por todos estes motivos e mais alguns, por amor sim no sentido mais puro, que hoje os sorrisos me escorrem, que os olhos brilham e se enchem de pedaços de sal. A desconfiança é algo a que nos habituamos, mas hoje parece ser mesmo a sério e a notícia ecoa de boca em boca, e cada vez que alguém me encontra tão feliz e alegre no seu entusiasmado como eu, me diz: Já Sabes, a mina vai reabrir! E são pedaços de coisas genuínas, enrolados no desejo de voltar a ver a azafama e raiz cultural de um povo a renascer, que me faz hoje ancorar as melhores coisas que se possam imaginar no músculo. Hoje não vos sei explicar só mesmo sentir...
quarta-feira, maio 03, 2006
1+1+1+1+1......=.....
Somos mais do que a conta, as vezes penso até que somos mais que o possível. Grãos de sal, de areia, de açúcar e de tudo o que escapule por entre os dedos. Coisas incontáveis, com resultados infinitos...onde o número não cabe no visor electrónico da máquina de calcular (essa que pensa por nós, essa que nos desapega de qualquer raciocínio). Não consigo quantificar, por isso parece-me muito, uma mão cheia de coisas de um novelo enrolado em mil voltas, e de bolas de sabão pelo ar, qualquer coisa que supere os números. Somos os que somos e ainda bem que são tantos ou tão poucos (depende da visão, opinião e imaginação) e que se junte quem vier por bem...
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