Se eu te falasse em ar acho que entendias. Sabes do vento e sabes de mim. Por vezes, sei que me entendes em nadas, em nadas feitos de vento.
conversas e escritas do dia e da noite, de mim e de vocês...
Se eu te falasse em ar acho que entendias. Sabes do vento e sabes de mim. Por vezes, sei que me entendes em nadas, em nadas feitos de vento.


Não me incomodam as tuas preces de chuva. Nem tão pouco sei bem se sabes rezar. És como as flores abertas ao sol. Tanto me faz. Deixa o vento dar-te borboletas de cheiro. Não engulas, à passagem das ervas daninhas, os espinhos do campo. Tece um casulo de sabores. Enrola-os em linho. Protege os pássaros tenros dos ninhos. Fica de mãos abertas a contar pirilampos de cor. Deixa-te ficar. Fica no lugar da palha, do trigo sábio, das estevas e das papoilas. Tanto me faz, tanto me faz. Deita-te à água e verás que é em ti que nasce a minha, a tua força. Cresce como semente na próxima primavera. Tanto me faz, tanto me faz. Não há forma fácil de fazer-te, ser-te. Não há forma fácil de mostrar-te a quem não te sente. Cresce, mantém-te. Quero-te assim minha terra: quente, lutadora, imponente, sabedora, feliz de gente.
Imagem: Barbara Kruger


Imagem: ComposiçãoFotogTheGreatPanhomlinis
