Sol quente, tão quente que os poros mal respiram. O mesmo caminho de sempre, aquele que me leva de regresso a casa. Não tenho por hábito dar boleias a desconhecidos, no entanto ali estava ele debaixo de temperaturas elevadas. Não era propriamente um desconhecido, conhecia-o de vista, o suficiente para saber que não me faria mal. Mas encostei, fez uma cara desesperadamente de alívio, aguçou ao olhar e acho que ficou feliz por me ver. Logo aí, nesse instante não me arrependi de ter parado. Sentou-se e perguntou-me se podia abrir o vidro, calor a mais. Poucas palavras, um constrangimento de quem não tem muito assunto, mais da minha parte do que da dele. A sua história de vida eu sabia, embora que vagamente. E imaginava também o que ele estava a fazer naquele lugar. Mas, mesmo assim, para quebrar o silêncio lá fiz a primeira pergunta – Então agora estas por cá? Não sei se era bem isto que queria dizer, mas foi o que saiu – Sim, aqui estou melhor. Sabes, reduzi a metadona para 17, no princípio do tratamento estava em 70. Senti-o confiante no seu feito e a mim senti-me sem saber bem porque metia eu embaraços. Ele encarava melhor a situação do que eu e ainda bem, sabia lidar com ela. Mais uns longos minutos de silêncio e eu a absorver tudo o que ele me estava a proporcionar, essas coisas que fazem crescer. Do nada um pássaro planou sob o vidro do carro, uma sensação de liberdade perfeita, reparei que os seus olhos viajaram com ele, tentei imaginar o que lhe estaria a passar em mente, mas achei que foi somente o que passou na minha, leveza sem limites. Perguntou-me o que eu fazia, e pela primeira vez apresentamo-nos formalmente. Acho que ele ganhou confiança, a suficiente para me perguntar se eu gostava de RAP. Levaria mais uns minutos e o som do carro era RAP francês. Naquele momento as barreiras estavam quebradas, a partilha de uma música aproxima qualquer um. O resto da viagem foi feito sob este ritmo. Reparei que ele estava tão empenhado em absorver os sons que decidi não interromper. Chegamos ao destino final. Saiu e pegou-me na mão com o agradecimento mais sentido que me proferiram até hoje, dei-lhe a cassete de RAP e ele perguntou-me: - Não queres ficar com ela para ouvires melhor, depois dás-me. Mas achei que ela lhe faria melhor a ele do que a mim. Hoje, voltei a encontra-lo e levava os phones nos ouvidos, por certo que era RAP o que ia a ouvir, de longe acenou-me e fez-me adeus e agradeci-me infinitamente por ter parado nesse dia.
domingo, julho 02, 2006
terça-feira, junho 20, 2006
Sentir em estado puro...
Os que me conhecem sabem bem a paixão que tenho pelo sul, nomeadamente, pelo Alentejo. Aos que não me conhecem também rapidamente faço perceber esta minha perdição. Não sou apologista de qualquer tipo de fronteira, mas sou uma defensora das culturas regionais. Sim, nós somos diferentes, e é dessa diversidade que nasce o rico neste país pobre. Sempre me apercebi apenas das coisas ricas desta região dourada, com cheiro característico, que só quem a bebe sem ter sede dá conta. Sempre passei a mão pela terra e nada vi para além dela, sempre mergulhei na Costa Vicentina e apenas lhe reconheci o dom das melhores praias, sempre olhei para o céu numa noite quente de verão, com a sensação de ser mais estrelado aqui do que em qualquer outro lugar do mundo. E agora encontro aqui na minha terra de sonho real, senhores de poder, com cargos poderosos como eles. De gravata, de fatos, na terra dos camponeses, de BMW´S nas estradas rurais, em busca de um bem-querer desta terra desmedido que mais não serve para servir os seus interesses. E de peito aberto juram fazer por ela a estrada do desenvolvimento, mas em arrelias pisam-se uns aos outros. E jogos de interesses não combinam com ideais, não fazem paralelo com solos férteis, não ecoam nas vozes dos grupos corais e não sentem o vento na seara. Senhores de poder será que podiam sentir esta região em estado puro? 

segunda-feira, junho 19, 2006
Carteira Profissional para rimar com oficial...
Há aqueles dias em que os dias são somente dias. Nada além do tempo que surge em demasia. E porém é nestes dias que a mente se encarrega de encher dessas coisas que momentos normais não lhe dão crédito. Adio sempre para pensar o que realmente me assusta para amanhã, ou quem sabe para depois, porém hoje não deu para adiar. Recebi a minha carteira profissional, é mais uma coisa que parece um cartão Multibanco, no entanto esse bocadinho de plástico reveste-se de poderes inacreditáveis. Olhei para ela e tive a sensação de já não haver volta a dar, tinha uma profissão. Olhei para ela e vi um misto de felicidade e desespero. Sempre me ocupei em fazer o que queria, mas sempre me ficaram em mente as coisas que poderia estar a deixar pelo nada com a minha opção.
Então, agora tenho pegado neste bocadinho de plástico com o meu nome gravado vezes sem conta e ainda não fui capaz de o retirar da mesa-de-cabeceira. Volta e meia subo as escadas e lá está ele a olhar para mim. Decidi então sentar-me a seu lado e ter conversa séria. Perguntei-lhe vezes sem conta se era mesmo para mim que queria vir, se tinha consciência que eu podia falhar ou simplesmente me desiludir. Voltei a verificar se o nome era mesmo o meu, mas a minha fotografia não engana, sou eu estampada a cores. Expliquei assim que corria o risco de ter sido editada em vão. Deixei bem presente e claro, todos os meus receios, na esperança de ela (carteira profissional) me dar respostas. E encontrei-as, mas mudas. Ela não se manifestou, mas resolvi percorrer este percurso como qualquer outro da vida, também não há muito a fazer.
No entanto, fizemos um pacto – convidei-me a ver o que ela de melhor têm para me dar, em troca, prometi fazer o que melhor sei. Afinal ela ainda não é definitiva. A ver vamos se nos entendemos.
Então, agora tenho pegado neste bocadinho de plástico com o meu nome gravado vezes sem conta e ainda não fui capaz de o retirar da mesa-de-cabeceira. Volta e meia subo as escadas e lá está ele a olhar para mim. Decidi então sentar-me a seu lado e ter conversa séria. Perguntei-lhe vezes sem conta se era mesmo para mim que queria vir, se tinha consciência que eu podia falhar ou simplesmente me desiludir. Voltei a verificar se o nome era mesmo o meu, mas a minha fotografia não engana, sou eu estampada a cores. Expliquei assim que corria o risco de ter sido editada em vão. Deixei bem presente e claro, todos os meus receios, na esperança de ela (carteira profissional) me dar respostas. E encontrei-as, mas mudas. Ela não se manifestou, mas resolvi percorrer este percurso como qualquer outro da vida, também não há muito a fazer.
No entanto, fizemos um pacto – convidei-me a ver o que ela de melhor têm para me dar, em troca, prometi fazer o que melhor sei. Afinal ela ainda não é definitiva. A ver vamos se nos entendemos.
quinta-feira, junho 15, 2006
Orgulho desmedido...
Durante toda uma vida ouvi falar dele, imagino sempre que tem as mãos grandes de ternura, as faces rosadas e um sorriso rasgado no rosto, como quem não se preocupa com as coisas mínimas da vida.
Na minha cabeça faço cumes de ideias e cada vez que vejo aquela curva não me deixo de arrepiar, numa vontade desmedida que ela jamais tivesse existido. E é estranho sentir saudades de alguém que nem conhecemos. E então ainda foi no outro dia, num fim de tarde perfeito, com aquele calor típico do verão, onde o sol ganha a sua plenitude e estatuto máximo no céu, que se viraram para mim num tom longínquo do tempo que não volta. – Sabes Bruna, o teu avô teria agora a minha idade? Depressa me captou a atenção esse meu amigo, com o triplo da minha idade, que me fez perceber o quanto custou a liberdade com histórias sem conta e uma vontade de viver inquieta.
Senti um nó no estômago, desejando que pudesse mesmo ser verdade e depressa me correram, como quem corre em auto-estradas palavras, essas que me dizem quando menos estou a espera e em que ele é sempre o assunto. – Grande amigo, dos melhores homens que conheci, coração do tamanho do mundo, para ele estava sempre tudo bem. São estas as frases que vou ouvindo de boca em boca e cada vez que as oiço surge uma leveza que me faz flutuar para longe, e é das poucas vezes que sinto orgulho em mim, por me associarem a ti avô.
Na minha cabeça faço cumes de ideias e cada vez que vejo aquela curva não me deixo de arrepiar, numa vontade desmedida que ela jamais tivesse existido. E é estranho sentir saudades de alguém que nem conhecemos. E então ainda foi no outro dia, num fim de tarde perfeito, com aquele calor típico do verão, onde o sol ganha a sua plenitude e estatuto máximo no céu, que se viraram para mim num tom longínquo do tempo que não volta. – Sabes Bruna, o teu avô teria agora a minha idade? Depressa me captou a atenção esse meu amigo, com o triplo da minha idade, que me fez perceber o quanto custou a liberdade com histórias sem conta e uma vontade de viver inquieta.
Senti um nó no estômago, desejando que pudesse mesmo ser verdade e depressa me correram, como quem corre em auto-estradas palavras, essas que me dizem quando menos estou a espera e em que ele é sempre o assunto. – Grande amigo, dos melhores homens que conheci, coração do tamanho do mundo, para ele estava sempre tudo bem. São estas as frases que vou ouvindo de boca em boca e cada vez que as oiço surge uma leveza que me faz flutuar para longe, e é das poucas vezes que sinto orgulho em mim, por me associarem a ti avô.
sexta-feira, junho 09, 2006
Pais de Família...
Parece-me a mim que de um momento para o outro, todos são pais e mães de toda a gente. Se não veja-se aquando da decisão do supremo tribunal de justiça, que considerou que “fechar crianças em quartos é um castigo normal de ‘um bom pai de família’” e agora um padre director da casa do gaiato de Setúbal, que perante os jornalistas não hesitou em dar uma estalada a uma criança de seis anos. Mas este explicou, “Não lhe dei um estalo, bati-lhe com a mão para ele se ir embora”. Como não sendo suficiente o argumento católico, digo eu, fez-se mais claro e evocou as morais familiares: “Isto não foi um mau trato, foi um bom trato. Não me viu antes agarrá-lo ao colo, acariciá-lo e beijá-lo? Sabe quem faz isso? Um bom pai de família”.
Perante tal situação só posso dizer que os bons pais de família andam espalhados por este Portugal dos pequeninos e retrogada. E digo mais, vai chegar o dia em que o cinto de fivela vai voltar a sentar-se à mesa dos portugueses. Vamos regredir à boa e velha educação. E muitas mentes devem agora estar a pensar: Deus nos valha. Mas, ao menino e meninas, deste país não lhe tem válido de muito, mas talvez esta estalada vinda de mãos portadoras de fé tenha outro significado: A de vais fazer-te homem de barba rija, desprovido de sentimentos puros mas duro na queda. E beijarás a mão de quem te abençoa. Vergonhoso, digo eu.
Perante tal situação só posso dizer que os bons pais de família andam espalhados por este Portugal dos pequeninos e retrogada. E digo mais, vai chegar o dia em que o cinto de fivela vai voltar a sentar-se à mesa dos portugueses. Vamos regredir à boa e velha educação. E muitas mentes devem agora estar a pensar: Deus nos valha. Mas, ao menino e meninas, deste país não lhe tem válido de muito, mas talvez esta estalada vinda de mãos portadoras de fé tenha outro significado: A de vais fazer-te homem de barba rija, desprovido de sentimentos puros mas duro na queda. E beijarás a mão de quem te abençoa. Vergonhoso, digo eu.
quarta-feira, junho 07, 2006
Estrada/Berma...encontros do acaso
As estradas quase sempre não levam a lado nenhum, é mais a vontade de ir que corrompe o caminho. Porém há coisas nas estradas que nos despertam a atenção, vertigens que lhes quebra a aparência negra, salpicada por traços brancos – muitas vezes pensei mudar-lhe a tonalidade, mas cheguei à conclusão que preto é o mais apropriado, sujidade a mais para cores com vida – mas, devaneios à parte, sobre um calor quente e abrasador desses em que a estrada parece flutuar, onde eu já vou colada na nesga da mente, bem poderiam surgir choques frontais. No entanto, surge, no meio do nada, nessa hora onde todos recolhem por o sol escurecer em demasia a melanina esse ser vergado, com as pernas bambas de vir de longe. E ali na berma repousa nos seus 70 e picos anos (ou mais), à espera não sei bem de quê. Baixa aos olhos quando passam sofisticados animais de quatro rodas, poeira a mais pelo ar, vento a mais para a sua estrutura óssea. E ali espera em mangas de camisa, na árvore que por sorte acolhe sombra vasta. E qualquer dia paro e pergunto-lhe se quer uma boleia, só não sei bem para onde…
quarta-feira, maio 31, 2006
Lisboa abaixo, Lisboa acima...
Rua acima, rua abaixo. Esquerda, direita, um folgo de ar, uma batida. Duas pernas a andar e simplesmente um sorriso no lábios. Largo, rasgado, grande, enorme…Nessas ruelas estreitas, por entre paredes, por entre muralhas, aviões, carros, peões verdes e vermelhos. Confusão sim muita, mas eu gosto desse rumor nos ouvidos, não me fere a cartilagem. Nessa calçada cheia, repleta, nessa voz que me chama, que me aquece e me devolve sempre que necessário. Janelas e portadas altas, tudo alto, tudo no cimo. Pendurada em lençóis brancos por entre o corpo, descendo escadarias que arrefecem os pés. Desamarrota o céu, encaixa-o no rio e segue a rebolar por as colinas, em pé-coxinho e chinelos de dedo com terra nos calcanhares. E sobre os carris, sobre as caras de ninguém tu tens rosto, e eu conheço-o também.
domingo, maio 28, 2006
Porque afinal tu (tempo) não alteras nada....
Tempo para, não andes, fica mudo, imóvel, canta ou simplesmente que tu te danes.
Foi isto que me apeteceu dizer-lhe a esse senhor que faz as horas andar, que faz as coisas gastarem-se, que faz as coisas terminarem. Maldito tempo, despejar toda a minha raiva nesse impositor, nesse ditador. E depois pensei por mais voltas que dês não me encerras e não me irritas. Gira em ponteiros que é só mesmo o que sabes fazer. Eu cá giro em torno de coisas, em pedaços de material puro, em sorrisos e olhares brilhantes. E o tempo pode ter sido curto, dias, anos não chegariam…mas chegaram-me os vossos abraços, chegou a cumplicidade, as gargalhadas que fazem amarrotar a barriga, essas coisas intermináveis que nunca mudam…e já fazia muito tempo que não nos víamos, o que so prova que ele (tempo) não altera mesmo nada, porque há momentos, que são vidas.
Foi isto que me apeteceu dizer-lhe a esse senhor que faz as horas andar, que faz as coisas gastarem-se, que faz as coisas terminarem. Maldito tempo, despejar toda a minha raiva nesse impositor, nesse ditador. E depois pensei por mais voltas que dês não me encerras e não me irritas. Gira em ponteiros que é só mesmo o que sabes fazer. Eu cá giro em torno de coisas, em pedaços de material puro, em sorrisos e olhares brilhantes. E o tempo pode ter sido curto, dias, anos não chegariam…mas chegaram-me os vossos abraços, chegou a cumplicidade, as gargalhadas que fazem amarrotar a barriga, essas coisas intermináveis que nunca mudam…e já fazia muito tempo que não nos víamos, o que so prova que ele (tempo) não altera mesmo nada, porque há momentos, que são vidas.
segunda-feira, maio 22, 2006
Coisas simples...
Andei a vaguear por aí perto de nada e perto de tudo. Andei em círculos e em rectas, andei somente nesse espaço. Peguei nas mãos e metias nos bolsos como quem não tem nada que fazer, peguei nas pernas e fiz com que andassem. Um, dois, três...não carneiros, são caroços que enchem a boca. São nêsperas amarelas, nessa minha cor de infância que era pirosa, até então e que agora esta na moda. Os lábios molhados e em redor da boca somente desliza esse sumo que cola e que me reporta para aí dez anos atrás, doze os que queiram façam é de mim criança (e como era bom, imaginem muito tempo se quiserem eu não me importo). Enfim tudo isto para dizer que ainda não aprendi a comer sem me sujar, tarefa quase impossível na minha diária. Adiante há dias em que não acontece nada de especial, mas digo-vos este sabor na boca, esta falta de formalidade tem sabor... o gosto dos dias, pequenos prazeres que fazem dias cheios (e gosto mais disto do que ouvir mentes vazias).
quinta-feira, maio 18, 2006
Apenas uma questão ergonómica...
Sempre se quer mudar alguma coisa, que mais não seja a mesa de sítio, o quadro de parede e os sapatos de lugar. Sempre se quer, porém apenas coisas simples, coisas banais que não incluam grande esforço mental e que não alterem muito a rotina de seres comodistas, que receiam a mudança. Querem mudar-se assim, essas coisas fáceis que não criem conflitos , que não acabem por ser um problema, quando o problema consiste mesmo no deixa andar...Mas por cá tudo bem e tudo ao contrário. Criticas muitas, alternativas poucas, movimentos escassos, soluções nulas, vontade inexistente. Agir é melhor então nem pensar nisso. Então no país das maravilhas vamos mudando os móveis, vamos trocando de carro e lamentando. Porque aqui as coisas até são prováveis que caiam do céu. Porque mudar queremos, falta é a vontade, o tempo e essas coisas que nos retiram horas de café, de sono e afins. Mas tudo bem, talvez seja melhor pensar se a cama não ficaria melhor ao contrário, não é por nada em especial, apenas por uma questão ergonómica, porque assim até parecemos inovadores.
segunda-feira, maio 15, 2006
quinta-feira, maio 11, 2006
Pensamento
A sensatez nem sempre é sensata para quem a pratica, cheguei a essa conclusão hoje. Sim, pode ser o mais correcto, mas nem sempre o correcto é o que realmente se quer fazer. Sensatez, insensata portanto.
Descrição I
Uma arcada, uma janela com vidros fuscos, duas ventoinhas respiratórias, tudo artificial portanto, mas eis que se abre a janela de portadas pequenas, um rectângulo e somente verde...barulho dos pássaros e um ponto rosa... é uma flor. Digo-vos que até as ventoinhas já nem parecem tão feias assim.
quarta-feira, maio 10, 2006
Coisas relativas...
Ele há coisas relativas, coisas que pesadas na balança dos dias dão apenas uma e por vezes nenhuma.
Ontem ao subir a rua, essa de calçada larga ia a pensar o quanto custa a satisfação plena. O quão difícil é o contentamento humano, digo-vos mesmo que por vezes preferia ser bicho (sei que já o sou). Então cá ia eu e o dia normal como sempre, nada de grave, nada de preocupação, nada de perda, somente o dia, ainda assim parecia faltar alguma coisa. Irritada com esta falha, que não me fazia desfrutar e a pensar quanta gente estaria a passar por mim, com motivos reais para estar enfadado e a odiar o poder estúpido da minha mente. E eu tudo bem e tudo mal. Continuei mais um pouco e acho que a cabeça já estava longe, acho que mais perto de coisa nenhuma. Já nem a pensar estava, e eis que oiço uma voz, daquelas transparentes e genuínas. Menina, dá-me um cigarro? E eu imóvel pela melodia que saia dos seus lábios – Não fumo! E ele - Melhor assim! Era alegria que saia dos seus olhos, era vida, eram notas de sol e era mendigo.
Ele há coisas muito relativas.
Ontem ao subir a rua, essa de calçada larga ia a pensar o quanto custa a satisfação plena. O quão difícil é o contentamento humano, digo-vos mesmo que por vezes preferia ser bicho (sei que já o sou). Então cá ia eu e o dia normal como sempre, nada de grave, nada de preocupação, nada de perda, somente o dia, ainda assim parecia faltar alguma coisa. Irritada com esta falha, que não me fazia desfrutar e a pensar quanta gente estaria a passar por mim, com motivos reais para estar enfadado e a odiar o poder estúpido da minha mente. E eu tudo bem e tudo mal. Continuei mais um pouco e acho que a cabeça já estava longe, acho que mais perto de coisa nenhuma. Já nem a pensar estava, e eis que oiço uma voz, daquelas transparentes e genuínas. Menina, dá-me um cigarro? E eu imóvel pela melodia que saia dos seus lábios – Não fumo! E ele - Melhor assim! Era alegria que saia dos seus olhos, era vida, eram notas de sol e era mendigo.
Ele há coisas muito relativas.
sexta-feira, maio 05, 2006
A melhor notícia do mundo...
Cheguei um pouco atrasada, mas soubesse eu e teria corrido só para ter sabido mais cedo. Há anos que ando a esperar eu e mais uns milhares, há uns anos que nos tinham tentado retirar a alma ou a fonte de desenvolvimento, mas em vão, ninguém apaga o intrínseco o crescer, viver e por aí. No entanto, só quem sente apego pode perceber o que tento dizer, só quem sabe o que é o cheiro do minério misturado como o do campo, percebe o significado destes sorrisos rasgados.
Não sou do tempo áureo desse porto de modernismo e avanço do País, mas sou do tempo de laboração, e é q.b. para saber como era e com é.
Todos os dias atravessava esse bairro pela mão, com um chapéu na cabeça, dava passos grandes, demasiado até para o meu tamanho, para poder acompanhar e chegar a horas de entregar a cesta de verga, com o pano aos quadros que embrulhava a marmita para não arrefecer. Atravessava a gruta que dava acesso ao outro lado, lá dentro uma escuridão e depois um monte de homens com as caras tisnadas e luzes na cabeça.
Era num folgo que corríamos para ver o elevador descer para o centro da terra e ali ficávamos parados agarrados aos ferros, a ver o quão fundo ia. Eram os vagões o nosso melhor esconderijo e motivo de piqueniques, pedras de minério que brilhavam ao sol pesavam nas mochilas ao regressar para casa. A terra das rochas o melhor cimento para esculturas, desenhos e brincar aos adultos. A água forte o nosso maior receio, diziam que quem caísse para lá já mais voltaria a vir, contornávamos essas lagoas de água castanha, vermelha mandando pedaços de coisas para ver o que acontecia...Só mais tarde percebi que só com o tempo corroía.
É por todos estes motivos e mais alguns, por amor sim no sentido mais puro, que hoje os sorrisos me escorrem, que os olhos brilham e se enchem de pedaços de sal. A desconfiança é algo a que nos habituamos, mas hoje parece ser mesmo a sério e a notícia ecoa de boca em boca, e cada vez que alguém me encontra tão feliz e alegre no seu entusiasmado como eu, me diz: Já Sabes, a mina vai reabrir! E são pedaços de coisas genuínas, enrolados no desejo de voltar a ver a azafama e raiz cultural de um povo a renascer, que me faz hoje ancorar as melhores coisas que se possam imaginar no músculo. Hoje não vos sei explicar só mesmo sentir...
Não sou do tempo áureo desse porto de modernismo e avanço do País, mas sou do tempo de laboração, e é q.b. para saber como era e com é.
Todos os dias atravessava esse bairro pela mão, com um chapéu na cabeça, dava passos grandes, demasiado até para o meu tamanho, para poder acompanhar e chegar a horas de entregar a cesta de verga, com o pano aos quadros que embrulhava a marmita para não arrefecer. Atravessava a gruta que dava acesso ao outro lado, lá dentro uma escuridão e depois um monte de homens com as caras tisnadas e luzes na cabeça.
Era num folgo que corríamos para ver o elevador descer para o centro da terra e ali ficávamos parados agarrados aos ferros, a ver o quão fundo ia. Eram os vagões o nosso melhor esconderijo e motivo de piqueniques, pedras de minério que brilhavam ao sol pesavam nas mochilas ao regressar para casa. A terra das rochas o melhor cimento para esculturas, desenhos e brincar aos adultos. A água forte o nosso maior receio, diziam que quem caísse para lá já mais voltaria a vir, contornávamos essas lagoas de água castanha, vermelha mandando pedaços de coisas para ver o que acontecia...Só mais tarde percebi que só com o tempo corroía.
É por todos estes motivos e mais alguns, por amor sim no sentido mais puro, que hoje os sorrisos me escorrem, que os olhos brilham e se enchem de pedaços de sal. A desconfiança é algo a que nos habituamos, mas hoje parece ser mesmo a sério e a notícia ecoa de boca em boca, e cada vez que alguém me encontra tão feliz e alegre no seu entusiasmado como eu, me diz: Já Sabes, a mina vai reabrir! E são pedaços de coisas genuínas, enrolados no desejo de voltar a ver a azafama e raiz cultural de um povo a renascer, que me faz hoje ancorar as melhores coisas que se possam imaginar no músculo. Hoje não vos sei explicar só mesmo sentir...
quarta-feira, maio 03, 2006
1+1+1+1+1......=.....
Somos mais do que a conta, as vezes penso até que somos mais que o possível. Grãos de sal, de areia, de açúcar e de tudo o que escapule por entre os dedos. Coisas incontáveis, com resultados infinitos...onde o número não cabe no visor electrónico da máquina de calcular (essa que pensa por nós, essa que nos desapega de qualquer raciocínio). Não consigo quantificar, por isso parece-me muito, uma mão cheia de coisas de um novelo enrolado em mil voltas, e de bolas de sabão pelo ar, qualquer coisa que supere os números. Somos os que somos e ainda bem que são tantos ou tão poucos (depende da visão, opinião e imaginação) e que se junte quem vier por bem...
segunda-feira, abril 24, 2006
Sabes a que sabe a vida?

Em pequenos passos de abrir olhos, e despertar para bocas famintas de ar.
Em retalhos de deslizes de mãos que querem tocar o sol (sim ele arde), mas o voo do limite é sempre o mais desejado e ele nunca arrefece, como quem se perde sem saber viver. Eu sei que ele queima as faces, mas é num sopro que se alivia. Esse ar frio do vento que roda em círculos como se fosse um vinil e que marca em batutas, passos gigantes de homens, grandes e pequenos de tamanho S e XL...
Desabrochar cada minuto como se em folhas de clorofila escorre-se sabedoria e se escrevesse da esquerda para a direita ou da direita para a esquerda, tanto faz. Verde a perder de vista, azul a afundar-me em poças de água, que fazem mais por mim do que qualquer sapato de verniz. Ter a língua a saber a cerejas, morangos, ameixas desse vermelho maça. Enrolo o cabelo em novelos, sem pressa do tempo, tiro a corda ao relógio e soletro pedaços de coisas genuínas, de risadas, de conversas com nexo e sem sentido, de abraços apertados, de vozes cúmplices, de simplicidade, de pessoas que são bandeiras na minha existência, de tempo que não corre. A Vida despe-se e é nudista, é sabe a sal misturado como açúcar. Sem coalho nem filtro, sabe no seu estado liquido, com impurezas e sabe a calor daquele que transpira da pele. A vida sabe ao que sabe...e cada um lá sabe ao que lhe sabe.
Em retalhos de deslizes de mãos que querem tocar o sol (sim ele arde), mas o voo do limite é sempre o mais desejado e ele nunca arrefece, como quem se perde sem saber viver. Eu sei que ele queima as faces, mas é num sopro que se alivia. Esse ar frio do vento que roda em círculos como se fosse um vinil e que marca em batutas, passos gigantes de homens, grandes e pequenos de tamanho S e XL...
Desabrochar cada minuto como se em folhas de clorofila escorre-se sabedoria e se escrevesse da esquerda para a direita ou da direita para a esquerda, tanto faz. Verde a perder de vista, azul a afundar-me em poças de água, que fazem mais por mim do que qualquer sapato de verniz. Ter a língua a saber a cerejas, morangos, ameixas desse vermelho maça. Enrolo o cabelo em novelos, sem pressa do tempo, tiro a corda ao relógio e soletro pedaços de coisas genuínas, de risadas, de conversas com nexo e sem sentido, de abraços apertados, de vozes cúmplices, de simplicidade, de pessoas que são bandeiras na minha existência, de tempo que não corre. A Vida despe-se e é nudista, é sabe a sal misturado como açúcar. Sem coalho nem filtro, sabe no seu estado liquido, com impurezas e sabe a calor daquele que transpira da pele. A vida sabe ao que sabe...e cada um lá sabe ao que lhe sabe.
quarta-feira, abril 19, 2006
Oiço Violinos no Telhado...
Sabes o que estou a ouvir?
E eu – não! O que é?
A banda sonora de um filme que vi ao teu lado. Violinos no telhado.
Estrelinhas que tocam em notas de sol, telhas partidas e musgo entre as sílabas das melodias.
Nas mesas brancas, com as pernas azuis sentamo-nos como sempre em cima do tampo. Olhámos pela película numa parede. E entre essas paredes brancas ali ficávamos horas, mais por obrigação do que por outra coisa, mas nesse dia tivemos de vontade. E se pudesse recuava a todos eles e juro-te que deixavam de ser uma obrigação, e queria apenas o simples facto de te ter por perto. Hoje ainda oiço violinos no telhado cada vez que me recordo de ti...amigo:)
E eu – não! O que é?
A banda sonora de um filme que vi ao teu lado. Violinos no telhado.
Estrelinhas que tocam em notas de sol, telhas partidas e musgo entre as sílabas das melodias.
Nas mesas brancas, com as pernas azuis sentamo-nos como sempre em cima do tampo. Olhámos pela película numa parede. E entre essas paredes brancas ali ficávamos horas, mais por obrigação do que por outra coisa, mas nesse dia tivemos de vontade. E se pudesse recuava a todos eles e juro-te que deixavam de ser uma obrigação, e queria apenas o simples facto de te ter por perto. Hoje ainda oiço violinos no telhado cada vez que me recordo de ti...amigo:)
terça-feira, abril 18, 2006
Procura-se Comprador...
Diz-me lá quanto custa essa moeda? Quantos dedos a fazem rolar sem a ela pertencerem. Diz-me lá qual é o teu preço, desse valor material sem beleza de frustração de ódios.
Diz-me se te vendes por tão pouco, por um bocado de lata e olhos radiantes de ambição. Eu dou-te bocados de maçãs puras, gotas de águas de sal, asas de pássaros, bocados de terra e odores em cordel, mas creio que será pouco para ti, os teus pés querem antes papel com caras de homens e símbolos da união europeia vincados, querem antes vertigens de apegos monetários sem gozo. Vive antes nessa vida faz-de-conta, e já não há bolas de sabão que te lavem, tens as mãos sujas e a pele a cheirar a esse bafo do níquel sujo e moribundo que provoca a discórdia.
Diz-me quanto custas, que eu não te compro.
Diz-me se te vendes por tão pouco, por um bocado de lata e olhos radiantes de ambição. Eu dou-te bocados de maçãs puras, gotas de águas de sal, asas de pássaros, bocados de terra e odores em cordel, mas creio que será pouco para ti, os teus pés querem antes papel com caras de homens e símbolos da união europeia vincados, querem antes vertigens de apegos monetários sem gozo. Vive antes nessa vida faz-de-conta, e já não há bolas de sabão que te lavem, tens as mãos sujas e a pele a cheirar a esse bafo do níquel sujo e moribundo que provoca a discórdia.
Diz-me quanto custas, que eu não te compro.
segunda-feira, abril 17, 2006
sábado, abril 15, 2006
Só por o mundo ser redondo...
Porque a Páscoa afinal têm crentes ou des(crentes)…e utilidade.
Porque estes fins-de-semana prolongados dizem acabar com a economia do País (mas muito pior também já não pode ficar), mas aumentam a auto-estima.
Por me saber muito bem esta utilidade de Páscoa, de mini férias (a única que lhe reconheço)
Porque o mundo gira e é redondo vou dar uma volta…(só mesmo por isso).
Porque estes fins-de-semana prolongados dizem acabar com a economia do País (mas muito pior também já não pode ficar), mas aumentam a auto-estima.
Por me saber muito bem esta utilidade de Páscoa, de mini férias (a única que lhe reconheço)
Porque o mundo gira e é redondo vou dar uma volta…(só mesmo por isso).
quinta-feira, abril 13, 2006
Justiça?
Ando a tisnar os dedos, ando com os olhos pregados em letras pequeninas e pretas. Ando à procura das gordas, neste hábito diário. Ultimamente os assuntos não tem variado muito...eleições em Itália, revolta francesa, Angola país que de momento parecem ter feito renascer das cinzas, (a mim a questão cultural daquele povo e as condições do mesmo interessa-me mais, sou sincera)...mas o tempo tem sido de mudança e isso agrada-me e muito. Não sou uma revolucionária não tenho capacidade nem disposição de liderança, gosto mais de me liderar a mim mesma. Ainda assim tenho opinião e ela vale apenas o que vale.
Mas nestes dias li algo que me transcendeu, algo que me fez recuar nos neurónios, colocar os óculos para ver se estava mesmo a ler o correcto: "(...) o Supremo Tribunal de Justiça (...) alegou que fechar crianças em quartos é um castigo normal de “um bom pai de família”, defendendo que estaladas e palmadas, se não forem dadas, até podem configurar “negligência educacional”.
E depois o pior estas crianças tinham deficiências mentais e estavam num lar em Setúbal. Recuei novamente na leitura incrédula, mas depois pensei melhor e analisei o estado da justiça em Portugal...então soltam-se corruptos, elegem-se de novo presidentes que fogem para o Brasil e pensei se tivéssemos noutro País isto era muito grave, mas em Portugal isto até passa despercebido, ou não!
É caso para dizer que o Supremo Tribunal de Justiça anda muito mal informado acerca das práticas da educação, se isto é aceitável todo o resto se pode esperar, já agora seria oportuno que se consultassem os especialistas nesta matéria à cerca da teoria científica sobre o tema, talvez eles consigam esclarecer melhor, talvez eles sejam mais entendidos digo eu, mas isto é só a minha opinião e ela vale o que vale como já tinha dito.
Mas nestes dias li algo que me transcendeu, algo que me fez recuar nos neurónios, colocar os óculos para ver se estava mesmo a ler o correcto: "(...) o Supremo Tribunal de Justiça (...) alegou que fechar crianças em quartos é um castigo normal de “um bom pai de família”, defendendo que estaladas e palmadas, se não forem dadas, até podem configurar “negligência educacional”.
E depois o pior estas crianças tinham deficiências mentais e estavam num lar em Setúbal. Recuei novamente na leitura incrédula, mas depois pensei melhor e analisei o estado da justiça em Portugal...então soltam-se corruptos, elegem-se de novo presidentes que fogem para o Brasil e pensei se tivéssemos noutro País isto era muito grave, mas em Portugal isto até passa despercebido, ou não!
É caso para dizer que o Supremo Tribunal de Justiça anda muito mal informado acerca das práticas da educação, se isto é aceitável todo o resto se pode esperar, já agora seria oportuno que se consultassem os especialistas nesta matéria à cerca da teoria científica sobre o tema, talvez eles consigam esclarecer melhor, talvez eles sejam mais entendidos digo eu, mas isto é só a minha opinião e ela vale o que vale como já tinha dito.
sexta-feira, abril 07, 2006
3
No outro dia numa conversa a três, dizem que é número perfeito, no momento arrisco mesmo a dizer que o foi. Não seriam necessárias mais vozes em debate uma vez que o assunto também parece andar esgotado. Mas ainda assim, continuamos a prosa, falatório, troca de ideias, troca de palavras numa de tantas voltas dadas por ruas e ruelas onde o movimento parece distrair no mesmo local de sempre.
E então porque a tarde ainda parecia grande, embora tivesse no fim, porque o apetite de ir para casa também não era nenhum, à falta de programa fomos dar uma volta.
Então as silabas saíram basicamente em torno da “falta de sorte” e não nos estávamos a referir ao azar de não ganhar o Euromilhões, isso parece ser factor consumado. Foi mais em torno da vida se esgotar, e ter uma pista de obstáculos a fazer o tempo correr sem proveito. As coisas pareciam ter um peso amanhã, maior ainda do que naquele dia...Parecem ser essas coisas que esmifram os dias e então não há melhor sinónimo e desculpa do que: “Eu não tenho sorte nenhuma”, então 3 mentes chateadas encaram isto de uma forma veloz. E todas as palavras que saem revestem-se de um pessimismo terrível, capaz de provocar suicídios no mais feliz dos mortais. Sim porque se alguém estava com o espirito embaixo a conversa era mais uma ferroada que causava não só comichão como arrepios. E depois as interpretações eram diferentes, já se sabe cada cabeça sua sentença, variam na intensidade de que cada momento mau nos provoca, a uns mais do que outros. Mas eu acho hoje, que ainda somos capazes de encontrar os requisitos mínimos para essa “falta de sorte”, ainda pudemos colocar as pedras no charco sem nos molharmos, naquele dia não dava a mente em dias assim não pensa! Acho que temos vontades e forças anímicas para ficar com a cereja em cima do bolo! Não me contento com as migalhas no prato, quero mais, e acredito que é possível, e mesmo quando isso implicar quebras no coração não desisto, mesmo que a vida nos pregue partidas foleiras sem piada, onde só ela se ri. E eu que sou agnóstica, afinal acredito em alguma coisa, acredito na possibilidade de sorrir... na minha e na vossa.
E então porque a tarde ainda parecia grande, embora tivesse no fim, porque o apetite de ir para casa também não era nenhum, à falta de programa fomos dar uma volta.
Então as silabas saíram basicamente em torno da “falta de sorte” e não nos estávamos a referir ao azar de não ganhar o Euromilhões, isso parece ser factor consumado. Foi mais em torno da vida se esgotar, e ter uma pista de obstáculos a fazer o tempo correr sem proveito. As coisas pareciam ter um peso amanhã, maior ainda do que naquele dia...Parecem ser essas coisas que esmifram os dias e então não há melhor sinónimo e desculpa do que: “Eu não tenho sorte nenhuma”, então 3 mentes chateadas encaram isto de uma forma veloz. E todas as palavras que saem revestem-se de um pessimismo terrível, capaz de provocar suicídios no mais feliz dos mortais. Sim porque se alguém estava com o espirito embaixo a conversa era mais uma ferroada que causava não só comichão como arrepios. E depois as interpretações eram diferentes, já se sabe cada cabeça sua sentença, variam na intensidade de que cada momento mau nos provoca, a uns mais do que outros. Mas eu acho hoje, que ainda somos capazes de encontrar os requisitos mínimos para essa “falta de sorte”, ainda pudemos colocar as pedras no charco sem nos molharmos, naquele dia não dava a mente em dias assim não pensa! Acho que temos vontades e forças anímicas para ficar com a cereja em cima do bolo! Não me contento com as migalhas no prato, quero mais, e acredito que é possível, e mesmo quando isso implicar quebras no coração não desisto, mesmo que a vida nos pregue partidas foleiras sem piada, onde só ela se ri. E eu que sou agnóstica, afinal acredito em alguma coisa, acredito na possibilidade de sorrir... na minha e na vossa.
quarta-feira, abril 05, 2006
Sintomas...
Acabei por descobrir alguns sinais da palavra saudade, sempre tentei perceber se o que sentia era saudade ou uma bandeira de fazes-me falta...Sempre tentei distinguir, diferenciar estas duas linhas embora que ténues. A imobilidade de estar em vários sítios ao mesmo tempo, a vontade de querer e não poder levou-me a meditar sobre a frase que não me saiu da cabeça, ecoando a razão para tais picadas no músculo do sentir: “o melhor da vida é o que não há-de vir”. Não me identifico com o espírito português do tenebroso sentimento das saudades. Mas este frio que me passa pelo cérebro só pode significar que ando com sintomas de lembranças regadas por desejos. Cada vez que este invasor me ataca, sempre me parece que coisa boa não há-de vir! São sempre significado de medo, receio, uma perda num buraco vazio e oco. Não fosse isto verdade e não andaria a ver o Tiago pela televisão...foi esta a minha principal causa. A dar por mim a pensar: Deixa lá ver como anda o Tiago? Deixa lá assistir a novela. Cheguei a conclusão que o meu problema é grave!
E depois penso no Tiago e começam a vir uma série de nomes atrás dos quais sinto saudade, falta como lhe queiram chamar...E o telefone esse aparelho de mil utilidades não anda a resultar para mim, os sintomas não se desvanecem através dele.
Mas acabei de encontrar o medicamento para o meu tratamento: Chama-se Lisboa! Tomo durante uma semana, fim de semana e curo-me.
E depois penso no Tiago e começam a vir uma série de nomes atrás dos quais sinto saudade, falta como lhe queiram chamar...E o telefone esse aparelho de mil utilidades não anda a resultar para mim, os sintomas não se desvanecem através dele.
Mas acabei de encontrar o medicamento para o meu tratamento: Chama-se Lisboa! Tomo durante uma semana, fim de semana e curo-me.
quarta-feira, março 29, 2006
Ervas daninhas...
As ervas daninhas andam espalhadas na estação típica que as faz reflorescer, crescem entre as pedras brancas e cinzentas da calçada. Cubos delineados de verde, sapatos escorregam como que em cascas de bananas. Mas não são só as pernas que caem, e não é só o soalho que as acolhe. Andam por aí entranhadas em corpos compactos que deixam procriar musgo nas juntas do ser. Entre os ossos crescem como sinal de abandono, e espadem-se por o espaço vazio onde apenas músculos mantém a manutenção de alguém que possui cabeça, troco e membros, mas que não habita este espaço estrutural. E a massa encefálica acolhe as sementes e com a humidade dos dias frios da mente produzem-se e alastram-se. Corpos adiposos, corpos esguios, tudo com boas condições climatéricas capazes de fazer a germinação. Cedem, descuidam-se elas crescem e não há pesticida que as mate.
Imagem: retirada da internet
segunda-feira, março 27, 2006
uma hora a menos, uma hora a mais...
A mudança da hora sempre mete os ponteiros do corpo ao contrário. Sempre me transporta em segundos lentos, em adaptações estranhas que o organismo não se habitua facilmente. Dá-me a sensação de dormir cedo de mais e acordar quando ainda é inadmissível abrir os olhos. Depois andar uma hora para trás de inverno e uma para a frente de verão, só pode causar uma sensação de regresso ao passado e regresso ao futuro. Os movimentos hoje andam tardios, as ideias andam penduradas no tempo e o relógio ainda esta na hora antiga. Falta-me paciência para acertar um novo hábito ao qual o corpo ainda não responde. Os cafés andam a remediar esta disfunção cerebral, andam a fazer a ponte de ligação. E o estômago esse sempre lhe parece demasiado cedo para encher. E agora aqui vou eu almoçar mas apenas porque o horário diz que sim.
quarta-feira, março 22, 2006
Pensamento do dia...
...Ando a pensar, sem pensar muito no que penso...
Acho que foi este o pensamento do meu dia de hoje!
Acho que foi este o pensamento do meu dia de hoje!
terça-feira, março 21, 2006
OPA'S
Há algo que me anda a fazer uma tremenda confusão, algo que faz fervilhar regos de veias sem direcção que dão estalos no cérebro. E então lá tento encontrar uma justificação, para tantas diferenças de bolsos, de carteiras ou como lhe queiram chamar. Resumidamente a acentuada discrepância entre o rico e o pobre. Há uns anos que oiço dizer que os portugueses tem de apertar o cinto, e eu ando com ele no último furo. Ando a fazer ginástica, a esticar, a dar várias utilidades de maneira proveitosa, a inventar fundos a guardar os trocos de 5 cêntimos, de 1 cêntimo enfim...a fazer o que a população anda a fazer em geral. Mas depois ligo a televisão, ligo o rádio e a mente e nos ouvidos ecoam OPA'S...acho que muitos ainda não perceberam o significado disto...então não são mais que ofertas públicas de aquisição. E depois pergunto então mas nós não andamos pobres? não andamos em aperto ou são apenas alguns?...Ainda temos condições de fazer OPA'S, derrepente tudo quer adquirir tudo...Portugal o país que não corresponde ao nível da união europeia...mas em grande escala de vamos comprar-nos uns aos outros...! E eu a pensar...afinal qual é a nossa situação? Assim até parece que somos grandes (ricos, desenvolvidos)...e depois seguem as notícias...o desemprego despara, o endividamento das famílias aumenta, as dívidas ao fisco sobem, o consumir bens hoje mais parece uma relíquia , pagamos portagem...e depois penso, não afinal está tudo na mesma...ainda acordei em Portugal...
P.S - e eu adoro este País não suporto é o que fazem com ele...
Cartoon de Luís Afonso....brilhante como sempre e ilustra bem a situação...
P.S - e eu adoro este País não suporto é o que fazem com ele...
Cartoon de Luís Afonso....brilhante como sempre e ilustra bem a situação...
quinta-feira, março 09, 2006
Passatempo, actividade da mente...imaginário!
Há por ai muitas vidas que me interessam...muitas mesmo. Todos os dias desço e subo essa calçada, daquelas que os saltos altos detestam e que quando ando com sapatos sem altura me desfaço em agilidade. Enfim essa mesma calçada conduz-me sempre ao mesmo local, mas nem queiram saber a diversidade que ela contém. É povoada por seres que o meu imaginário tenta decifrar, sempre tive este passatempo de tentar adivinhar, supor, alegar hipóteses, presumir, conjecturar e todos esses adjectivos possíveis que definem a minha actividade cerebral de tentar perceber o que fazem e como são cada um destes seres da calçada. A mulher de verde, nome que lhe atribui bem poderia ter o nome de Teresa. Monetariamente parece não apresentar qualquer problema visto o carro que ostenta, parece ser segura de si e uma mãe de família daquelas que deixa os filhos no colégio antes de vir para o trabalho. Daquelas que não se preocupa com o almoço porque o marido não almoça em casa, os filhos comem no refeitório da escola e ela come uma sopa para manter a linha, no mesmo restaurante de há anos. O homem do casaco de pele, passado de moda há anos, com uns óculos que não o favorecem é o típico chefe de família que passa férias em Quarteira, imagino que seja aferidor de balanças ou algo do género. A mulher cusca nome apropriado para quem tem pinta de vizinha que sabe todas as novidades do bairro. Que se desfaz em simpatias e em seguida roga pragas. Daquelas simpatias hipócritas como lhe costumo chamar. E o Joaquim (nome artístico da minha mente), homem porreiro para beber uns copos, para petiscar, para rir...o típico acolhedor que faz os turista apreciar a simplicidade e levar recordações de boa gente! Tem cara de oferecer vinho tinto, chouriços e iguarias da região. Mas nesta rua estreita há algo que me transcede nesta rotina matinal. O homem da carrinha cinzenta, nunca o vi em actividade, nunca o vi para além da cintura encontra-se sempre no mesmo sítio dentro do automóvel de mercadorias , e entre o vidro vejo o bigode e pouco mais... parece aguardar eternidades. De manhã já lá está, a hora do almoço lá está....então pensei deve esperar por alguém que trabalha por aqui...mas depressa se me desfez essa hipótese. É que ele passa ali horas em excesso...em demasia para esperar...podia ir beber café, sair do mesmo local de sempre, ir dar uma volta e depois regressar mas não...só me faz pensar será que o homem da carrinha é espião?
quarta-feira, março 08, 2006
Inutilidade...
Desculpem-me os metódicos, os organizados, os que tem post-its amarelos pela secretária, pela mente e pela vida. Desculpem-me mas não consigo seguir uma rotina, não consigo planear o meu dia, não encontro espaço para a arrumação das minhas horas. Decidi então deixar de tentar dar utilidade a uma agenda...sempre me pareceu adulto querer ter um caderninho que me alertasse para tudo o que é essencial, eu juro que o comprei vezes sem conta...que nos primeiros dias me esforcei para escrever o que não me esquecia de ter de fazer, mas insistia para ter a sensação de ter uma vida repleta de actividade...mas decididamente agendas não são para mim...! Tinha a sensação de estar a escrever para mostrar aos outros: - olha repara hoje não tenho tempo, amanhã ainda pior e depois nem queiras saber...compromissos e mais compromissos...e afinal no bloco de argolas até parece muita coisa e afinal depois quantificado é apenas a vida normal...trabalho, exposições, cinema, família, desporto, sair com os amigos e essas coisas úteis dos dias...Cheguei a conclusão que agendas apenas servem para tentar vislumbrar a mente dos que precisam de se lembrar que têm uma vida...e depois alguns de vocês podem estar a pensar: - Isso talvez sejas tu que tens poucas coisas para fazer, então é fácil lembrares...pois eu digo tenho muitas mas são tão intrínsecas que é impossível me esquecer de viver e do que me faz viver...mas pronto para quem gosta de agendas eu tenho é boa memória ok!
segunda-feira, março 06, 2006
Fragmentos...
Há muito tempo ou não há tempo assim, afinal o espaço sempre parece longínquo quantificado em datas mas curto em vivências. Andava eu não ideia de ser publicitária mas sem saber ao certo a vocação. Acho que ainda hoje não sei, é que a dúvida sempre me suscita, certezas é algo que não permanece em mim. Pode ser defeito eu digo mais que é feitio mas as opiniões são dispares por isso aceito qualquer adjectivo. Enfim na faculdade propuseram a leitura de um livro intitulado: “Cartas a um Jovem Jornalista”, inconscientemente vi-me tentada a ler. Acho que o bichinho já estava criado mas a minha mente tinha ainda outro intuito que era a aclamada criatividade da Publicidade. Levei umas horas a ler, sublinhei voltei a ler vezes sem conta afinal eu tinha a hipótese de ir para Jornalismo. Televisão não me suscitava qualquer tipo de interesse considerava-a um debitar de conteúdos sem interesse. Rádio, fazia-me associar a grandes vozes, a minha passa despercebida num grupo de dez pessoas quanto mais em milhares, só o sotaque do sul me distingue e isso fora do meu habitat. Mas jornais, esses sempre me tisnaram os dedos, a escrita sempre me perseguiu em blocos de notas, em folhas rasgadas enfim várias vezes em mente. E eis que o livro me mostrava agora o tempo do jornalismo, e percebi que os diários tem o ciclo de vida de um dia. O autor dizia que jornais velhos servem para limpar as pingas da tinta no soalho, para enrolar copos nas mudanças, para atiar o fogo… já ninguém quer ler notícias de ontem! Hoje tive essa prova, sai da redacção para ir fazer uma reportagem, cheguei ao local e mesmo diante os meus olhos uma parede branca coberta de jornais desmembrados em folhas soltas misturados por os vários títulos nacionais serviam de decoração do evento…Olhei mais a fundo e começo a ver bocados de notícias escritas por mim, essas mesmas linhas que me tiraram o sono, que troquei mil vezes as palavra em procura de um melhor significado pregadas aos pedaços num mural, sem nexo, sem sentido, a servirem de papel de parede…Só um sorriso me brotou na face, confirmei o livro que me tinha feito pensar no jornalismo, pensei no que fazia e deu-me gosto fazê-lo, afinal não é o tempo que conta mas a intensidade do momento…e depois quando percorro os arquivos dos jornais e leio notícias de épocas muito anteriores percebo que me fazem rever o passado melhor do que qualquer história! E acreditem que há por aí autênticas relíquias em arquivos, afinal ainda há lugares que perpetuam as notícias de hoje que para alguns já são velhas amanhã…mas é isso que faz a essência…Que hajam muitas mais notícias velhas todos os dias, para que possa dar muitas mais novas todas os outros dias que faltam percorrer…
domingo, fevereiro 19, 2006
Walk away...
As despedidas sempre trazem vincadas essas palavras torduosas que se incita ao adeus...
Foto By E.M...
A esse adeus de ausência, não sei se de perda...Sinto pedaços a cair, a rolar por entre o vazio que espreita as fendas do corpo. Sinto mistos, meios de nadas, metades de tudo e no fim apenas essa curva do coração que palpita.
E em baixinho, em silêncio repito sílabas, repito, volto a repetir para que eu oiça. E continuo a enxergar de frente desse olhar que não dobra. E esse som outra vez que me lembra, que me recorda não de mim, antes o fosse é que as vezes é preciso ir para longe...
"and its so hard to do, and so easy to say ,but sometimes ....sometimes... you just have to walk away.... walk away... and head for the door you just walk away.... walk away.... walk away...just walk on... walk on... turn and head for the door....walk away"
Foto By E.M...
quinta-feira, fevereiro 16, 2006
Porque isto é um Blog...falemos de Blog´s...
Andei a vaguear por os blog's, cheguei a conclusão que a comunicação ganhou uma nova dimensão. Quando optei por deixar o papel (falso testemunho porque gosto do seu cheiro, da sua simplicidade e porque normalmente é o que tenho sempre a mão perto de uma caneta), mas adiante os blog´s dão-me hoje as novidades dos meus conhecidos, dos meus amigos e até dos meus desconhecidos. Reparei então que as cartas do correio, dessas que se esperavam anciosamente contendo pedaços de alguêm já não chegam mais. Cartas hoje apenas trazem contas para pagar. A intimidade o secretismo são hoje públicos, para mim q.b mas há por ai quem anuncie a sua vida neste novo espaço físico, nesta nova dimensão, nestes cartuxos diários de novas ideias e atitudes. Mas o rotina entrou-me vincada no corpo, sinto a necessidade de vos ler, de saber de vocês e de quem não conheço mas reconheço engenho. E então quando andava a visitar um blog eis o meu espanto quando reparei que há uma nova dimensão a chegar. Passo a citar: "Cada bloguista participante tem de enunciar cinco manias suas, hábitos muito pessoais que os diferenciem do comum dos mortais. E além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher cinco outros bloguistas para entrarem, igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogues aviso do "recrutamento". Admito que me assustei, espanto, interrogação...e dei por mim a pensar que não era isto que eu pretendia de um blog...derrepente vejo as pessoas a comunicar mais aqui do que na mesa de café com os amigos...na sala de estar, nos corredores do trabalho...enfim locais onde a voz ainda ecoa...Ainda assim percebi a curiosidade que as mentes suscitam...é normal que aqui se revele o que os olhos nunca enxergaram...e quando reparei já eu tinha respondido a um questionário do tipo...mesmo no post anterior a este...É caso para dizer que os blog's contagiam...dou por mim a pensar, há por ai quem não tenha um blog?
P.S- Acabaram os questionários...resolvi tomar esta atitude para que os blog´s não passem a ser todos iguais em que eu descubro o que outros gostam de fazer e (blá blá blá)...isto é apenas um apelo as mentes...um apelo a criatividade...um apelo ao interesse...
quarta-feira, fevereiro 15, 2006
Resposta as Questões....
Bem cá estou eu a responder ao desafio…colocam-me a pensar nisto e depois não sou capaz de quebrar essa vossa corrente…mas fique ciente que não foi uma obrigação mas sim um enorme prazer que me curvou os olhos
Quatro locais onde vivi:
1 - Bairro dos Eucaliptos…nessa localidade mais que perfeita
2- Nos Olivais…ano explendido até por motivos inacreditáveis
3- Em arroios…bons tempos
4- Nos anjos…não gostavamos muito de variar a zona descemos só um pouco a avenida
Quatro sítios em que já fui empregada:
1- Naqueles trabalhos para adolescentes, do IPJ…entre os vários recordo o Museu de Ervidel
2- Na permufaria da minha mãe…
3- Na loja da bruna não é minha fique claro
4- No Diário do Alentejo….actual…
Quatro filmes que poderia ver vezes sem conta (sessão contínua):
1- O clube dos poetas mortos… um hino à vida…
2-Cinema paraíso…composição perfeita, melodia, personagens, história
3-Forest Gamp…o melhor entre os melhores
4-A vida é Bela…porque não é preciso dizer mais
5-21 Gramas…porque no cinema ainda se fazem bons filmes.
Quatro séries televisivas que permanecem na minha cabeça:
1-Bocas…infância
2-Sexo e a cidade…por ser genial
3-Friends…porque me arranca sempre um sorriso
4-Seinfeld…o melhor dos humores…sem riso fácil..
Quatro sítios que visitei em Férias:
1-Açores…uma das maravilhas deste País a beira mar plantado
2-Barcelona…a cidade perfeita…pela vida, pelo quotidiano, pela arquitectura…por tudo
3-O malhão pelo prazer de sempre…a melhor praia do mundo
4- não consigo escolher outro por serem todos demasiado importantes...
Quatro sites que visito diariamente:
1- Blog’s…rotina
2- jornais…vicio
3- os site do meu trabalho…gosto e necessidade
4 -O google…o melhor ajudante virtual…
Quatro comidas que me fazem água na boca:
1-Puré de batata c esses bifes que so a minha avó sabe fazer…
2-Mariscos…bixinhos do mar
3-Peixe…uma relíquia a face da terra
4-gelados…por recordarem sempre o verão
Quatro lugares onde estaria agora:
1-Barcelona…
2-Peru…
3-Tailândia…
4-e depois percorria o resto do mundo se possível…
Quatro álbuns que "ficaram":
1-Trovante – “uma noite só” da melhor música que já se fez em Portugal
2-Ben Harper…Fight For Your Mind…presente em muitos dias nessas muitas fases da vida
3-Jack Johnson…On And On…pela tranquilidade
4-Coldplay…vários…
5-E muitos mais…
Não passo a nínguem em especial...fica para quem quiser responder...isto foi um excepção...
Quatro locais onde vivi:
1 - Bairro dos Eucaliptos…nessa localidade mais que perfeita
2- Nos Olivais…ano explendido até por motivos inacreditáveis
3- Em arroios…bons tempos
4- Nos anjos…não gostavamos muito de variar a zona descemos só um pouco a avenida
Quatro sítios em que já fui empregada:
1- Naqueles trabalhos para adolescentes, do IPJ…entre os vários recordo o Museu de Ervidel
2- Na permufaria da minha mãe…
3- Na loja da bruna não é minha fique claro
4- No Diário do Alentejo….actual…
Quatro filmes que poderia ver vezes sem conta (sessão contínua):
1- O clube dos poetas mortos… um hino à vida…
2-Cinema paraíso…composição perfeita, melodia, personagens, história
3-Forest Gamp…o melhor entre os melhores
4-A vida é Bela…porque não é preciso dizer mais
5-21 Gramas…porque no cinema ainda se fazem bons filmes.
Quatro séries televisivas que permanecem na minha cabeça:
1-Bocas…infância
2-Sexo e a cidade…por ser genial
3-Friends…porque me arranca sempre um sorriso
4-Seinfeld…o melhor dos humores…sem riso fácil..
Quatro sítios que visitei em Férias:
1-Açores…uma das maravilhas deste País a beira mar plantado
2-Barcelona…a cidade perfeita…pela vida, pelo quotidiano, pela arquitectura…por tudo
3-O malhão pelo prazer de sempre…a melhor praia do mundo
4- não consigo escolher outro por serem todos demasiado importantes...
Quatro sites que visito diariamente:
1- Blog’s…rotina
2- jornais…vicio
3- os site do meu trabalho…gosto e necessidade
4 -O google…o melhor ajudante virtual…
Quatro comidas que me fazem água na boca:
1-Puré de batata c esses bifes que so a minha avó sabe fazer…
2-Mariscos…bixinhos do mar
3-Peixe…uma relíquia a face da terra
4-gelados…por recordarem sempre o verão
Quatro lugares onde estaria agora:
1-Barcelona…
2-Peru…
3-Tailândia…
4-e depois percorria o resto do mundo se possível…
Quatro álbuns que "ficaram":
1-Trovante – “uma noite só” da melhor música que já se fez em Portugal
2-Ben Harper…Fight For Your Mind…presente em muitos dias nessas muitas fases da vida
3-Jack Johnson…On And On…pela tranquilidade
4-Coldplay…vários…
5-E muitos mais…
Não passo a nínguem em especial...fica para quem quiser responder...isto foi um excepção...
sexta-feira, fevereiro 10, 2006
A propósito dos Fundamentalismos...
Não receei nunca a invasão dos fundamentalistas acreditei sempre nas palavras da democracia. A distância a que essas nações se encontravam de mim faziam o meu canto seguro. O estalar da mentalidade de lá sempre me fez confusão, mas sempre me mereceu respeito. Cada um com as suas crenças, ainda assim o exagero desses Fundamentalismos fazem enrugar-me a mente, como que a criar rugas nos poros. Guerras Santas em nome de Deus, desse mesmo Deus dos crentes, feliz de quem acredita em alguma coisa, eu não me converto mas respeito. Não sei é em que parte da Bíblia, do Corão se incita a violência. Não acredito que esse vosso Deus se encontre por isso contente. E quando hoje vejo armas apontadas a cartoonistas, bandeiras dinamarquesas a serem espezinhadas dou por mim a pensar que afinal esses fundamentalistas não estão assim tão distantes. Não acredito que não houvesse a intenção de provocar esse povo fundamentalista, aliás a discórdia reside sempre na maioria das mentes. É que é fácil atiçar o rastilho da pólvora. Há sociedades que estão preparadas para receber essas críticas, há outras que ainda perduram agarradas aos tempos...E ao recordar o tempo, apesar da polémica não houve guerra por se colocar um preservativo no nariz do Papá, mas é que Muhammed ainda preenche outro estatuto no mundo árabe. Ainda assim, há uma coisa que não abdico incondicionalmente - O direito à liberdade de expressão, desculpem-me os fundamentalistas mas os valores da democracia ecoa-me mais alto. Não prescindo jamais da liberdade, inclusive da de imprensa. Embora pense que há coisas neste nosso mundo, onde a fogueira esta sempre pronta a atiçar, que é necessário esperar pelo tempo. É o caso desses cartoons, não adianta contrariar um crente que esta convicto de si, ele nunca enxergara além da sua Íris.
Fotografia fonte: www.primeirodejaneiro.pt
sábado, fevereiro 04, 2006
Neve coincidente...
Não sei se os acontecimentos sem cruzam no tempo, se ficam pendurados por um cordel, ou pelo cordão umbilical. Acho que são mesmo as afinidades dos dias que repetem as boas coincidências. 1983 não foi assim há tanto tempo. Apenas o suficiente para definir a existência e não gosto de quantificar em números, acho que lhe retiram a essência, por me parecer sempre o dobro do que é, do que se sente. Dava eu os primeiros suspiros pausados, descansados e certamente inconscientes de certezas e de lembranças. No entanto, há quem recorde por mim e me tenha contado ao longo destes anos que a neve tinha caído quando nasci….nesses anos contabilizados mais pelos outros do que por mim…Frio, inverno, chuva nunca me atraíram, mas neve essa já me alegrava mais que não fosse pela diferença que quebra o clima do Alentejo. Aprendi assim, a gostar desse acontecimento ficou-me como referencia temporal e existencial. E não sou de acreditar no destino, mas já nas coincidências essas parecem fazer parte do meu destino. E desta vez não me contavam a mim que tinha nevado era eu que contava aos outros, que tinha caído neve na planície. E junto ao jornal que tinham guardado religiosamente durante estes anos, guardei eu agora a minha primeira notícia no jornal precisamente sobre a neve. Fico então a espera de que neve num outro ano….num outro tempo…porque parece que os grandes acontecimentos da minha vida se revestem de branco embora eu me identifique mais com o amarelo que aquece a alma e o espírito em dias solarengos.
domingo, janeiro 15, 2006
Monólogo...
Nos olhos pálidos pela falta de brilho, caem os dias, caem as noites. Escorregam as esperanças e alastram-se pelo corpo num cansaço trémulo, nesse mesmo cansaço já há muito anunciado mas adiado. A brisa arrefece a face, já não se reconhece, já não conhece outros propósitos além dos mesmos de sempre. Os mesmos fardos injustos e pesados. O relógio marca o atraso de viver a conta gotas. Somente o coração não abandona essa cor quente que inflama os poros. Ai comporta todos os sorrisos trémulos, adia todos os silêncios, aqui sente tremer cada toque, cada lembrança e cada nova chegada sua, dele…chegadas a dois e por vezes a sós.
Desdobra-se no tempo em mil pedaços, para perceber o que já não entende. Abandona-se a si na esperança de assim abandonar o que sente. E depois entre as palavras que se perdem, entre as interrogações que ficam permanece o mesmo feitiço de sempre. Desgarram-se os sentidos nessa batalha feroz, mas frágil. E onde fica esse lugar a salvo? Onde se preenche os vazios? Como a areia que escapule por entre os dedos, assim lhe foge o que anseia. Desfaz-se em qualquer coisa se possível, para que este rumo mude de direcção. Para que esta ferida que não sara, cicatrize. E ao menos se pudesse deixar de ouvir esse tic- tac do coração, essa batida frenética do gostar que entoa e faz eco no corpo todo. Ainda assim…seria mais fácil deixar de querer. E nos dias gastos sobram as sombras geladas como gumes perdidos, por falta desse sentir que abarca o espírito.
Desdobra-se no tempo em mil pedaços, para perceber o que já não entende. Abandona-se a si na esperança de assim abandonar o que sente. E depois entre as palavras que se perdem, entre as interrogações que ficam permanece o mesmo feitiço de sempre. Desgarram-se os sentidos nessa batalha feroz, mas frágil. E onde fica esse lugar a salvo? Onde se preenche os vazios? Como a areia que escapule por entre os dedos, assim lhe foge o que anseia. Desfaz-se em qualquer coisa se possível, para que este rumo mude de direcção. Para que esta ferida que não sara, cicatrize. E ao menos se pudesse deixar de ouvir esse tic- tac do coração, essa batida frenética do gostar que entoa e faz eco no corpo todo. Ainda assim…seria mais fácil deixar de querer. E nos dias gastos sobram as sombras geladas como gumes perdidos, por falta desse sentir que abarca o espírito.
quarta-feira, janeiro 04, 2006
Visão anual II...
Lisboa com centro do meu mundo, rodeada pelas fronteiras da terra que sempre me circunscreve o Alentejo.
Sabia que este ia ser o ano das grandes batalhas, não receie as conquistas mas temi sempre as despedidas.
Andei na anciã de alcançar as metas e na saudade que elas implicavam. Pedi ao tempo para voltar, para parar, para ficar ao menos (ele o tempo), por mais tempo…
Mas ele não parou…Então agora já noutro ano…olho para trás…
E revejo cada momento com saudade e parece que não, mas é bom ter saudade é sinónimo de felicidade…
Terminei o curso e ainda agora me parece que a minha mãe me estava a entregar na sala da escola primária, para o meu primeiro dia de aulas.
Foi óptima a companhia de todos vocês…simplesmente foram quatro anos fantásticos.
Um óptimo verão pela companhia de sempre nos locais de sempre onde nós já nos confundimos com o espaço, porque afinal até já acho que somos unos. (Malhão…Ilha de Tavira, Carvoeiro e todas essas paragens as quais um bom filho sempre a casa retorna).
Depositei todas as peças sobre o tabuleiro e esperei pelos xeques-mates. Tardaram mas ensinaram-me a ser paciente. Sai de Lisboa, em minha mente parecia algo impossível. Terminara mais um ciclo…deixei de viver com os fantásticos, com a família, éramos uma espécie de livro os cinco. Mas é uma etapa amigos (vocês que sabem quem são) e cada um está a seguir o seu rumo e alias estamos sempre por perto, porque nós nunca nos separamos, porque andamos sempre a par e passo porque afinal são esses os verdadeiros amigos. De volta ao Alentejo, a aguardar mais uma vez pelo tempo. Novos hábitos, novas rotinas, novas caras…e termina o ano num misto de alegria e saudade.
Sabia que este ia ser o ano das grandes batalhas, não receie as conquistas mas temi sempre as despedidas.
Andei na anciã de alcançar as metas e na saudade que elas implicavam. Pedi ao tempo para voltar, para parar, para ficar ao menos (ele o tempo), por mais tempo…
Mas ele não parou…Então agora já noutro ano…olho para trás…
E revejo cada momento com saudade e parece que não, mas é bom ter saudade é sinónimo de felicidade…
Terminei o curso e ainda agora me parece que a minha mãe me estava a entregar na sala da escola primária, para o meu primeiro dia de aulas.
Foi óptima a companhia de todos vocês…simplesmente foram quatro anos fantásticos.
Um óptimo verão pela companhia de sempre nos locais de sempre onde nós já nos confundimos com o espaço, porque afinal até já acho que somos unos. (Malhão…Ilha de Tavira, Carvoeiro e todas essas paragens as quais um bom filho sempre a casa retorna).
Depositei todas as peças sobre o tabuleiro e esperei pelos xeques-mates. Tardaram mas ensinaram-me a ser paciente. Sai de Lisboa, em minha mente parecia algo impossível. Terminara mais um ciclo…deixei de viver com os fantásticos, com a família, éramos uma espécie de livro os cinco. Mas é uma etapa amigos (vocês que sabem quem são) e cada um está a seguir o seu rumo e alias estamos sempre por perto, porque nós nunca nos separamos, porque andamos sempre a par e passo porque afinal são esses os verdadeiros amigos. De volta ao Alentejo, a aguardar mais uma vez pelo tempo. Novos hábitos, novas rotinas, novas caras…e termina o ano num misto de alegria e saudade.
terça-feira, dezembro 20, 2005
Folgo de ar...
Nas manhãs de Inverno sempre se julga que a frieza do tempo é mais fria que a despedida. No entanto, o tempo mau vai com a chegada da primavera, mas a dor de sentir alguém a ir-se fica entranhada pelos poros da pele. E enquanto as temperaturas desciam, eu ouvia apenas essa voz de mágoa num misto de medo. E eu ali a sentir que o ar não faltava só a quem estava preso a essa cama, mas a quem se movimentava e lamentava a minha frente. Não me é ninguém chegado apenas um conhecido de rua de há anos. Mas nunca eu me sentira tão próxima de alguém tão distante dos meus dias, da minha rotina e dos meus hábitos. Mesmo que ninguém lhe pergunta-se pela vizinha Maria, mulher calma e pacata amolgada por alguns cardos da vida, mas feliz nos mistos sabia que a situação se agravava, era o meu caso. Com os dias era inevitável apenas uma máquina lhe sustinha a respiração. E quem sustinha agora a respiração a este homem (ao vizinho Manuel) que sente a escapulir pelos dedos a companheira de uma vida…a dor de quem sente a partida sem dizer adeus, de quem se sente ao abandono da sua sorte madrasta. De quem já não tem muito a perder e afinal perde tudo num simples folgo de ar. Entre um suspiro e outro eu ouvia – E agora que vai ser de mim? Nunca a solidão me esteve tão vincada no corpo. Nunca o desespero de alguém me ecoou tão alto nos ouvidos . E eu imóvel sem sorrisos alheios com a vontade de esticar a mão, mas sem a proximidade suficiente para abraçar. E inconscientemente pedias-me a mim, e a quem tivesse ali que pedissem por ti e pela Maria. E ainda que não acredite e não seja apologista da eternidade hoje se pudesse era a tua Maria que a daria. E se me pedes eu rezo ainda que não me converta, para que essa dor não seja tão fria quantos estes dias.
domingo, dezembro 18, 2005
Cavidade superior...
Concentrar todos os propósitos num músculo, aplicar a ele todos os sintomas de frio que abarquem o espírito. Torcer para ver se ele se liquefaz, ver escorrer mais do que nada, mais do que tudo.
Tudo se compacta na parte superior da cavidade de cores pintadas a mão por diversos autores. Alguns óptimos artistas, outros nem chegam a essa categoria…interpretam mal o seu papel e interpretam-nos mal a nós.
O cofre guardado a sete chaves, com um código difícil de decifrar…fosse ele fácil e não torcia nem remexia o corpo todo num avesso.
Concentro-me nele, nesse músculo por ser mais que pensamento…e ainda assim insiste em ficar com as suas duas faces que se transformam num embaraço. Não se dissocia, não se transparece…rege, amachuca, ri, é gelo, é lume…maior do que a chama. Concentro-me e ele é traiçoeiro e por vezes tão certeiro. Não fosse o coração o corpo inteiro.
Tudo se compacta na parte superior da cavidade de cores pintadas a mão por diversos autores. Alguns óptimos artistas, outros nem chegam a essa categoria…interpretam mal o seu papel e interpretam-nos mal a nós.
O cofre guardado a sete chaves, com um código difícil de decifrar…fosse ele fácil e não torcia nem remexia o corpo todo num avesso.
Concentro-me nele, nesse músculo por ser mais que pensamento…e ainda assim insiste em ficar com as suas duas faces que se transformam num embaraço. Não se dissocia, não se transparece…rege, amachuca, ri, é gelo, é lume…maior do que a chama. Concentro-me e ele é traiçoeiro e por vezes tão certeiro. Não fosse o coração o corpo inteiro.
segunda-feira, dezembro 12, 2005
Regresso...
Fora do tempo parecia estar esta manhã. O sol brilha nessa vidraça como passados dez anos atrás. É esta manhã que resolvi guardar, não por mim mas por ti…é estranho mas hoje irradiavas o brilho de outros propósitos de outras vontades, uma nova página embora que momentânea em minha mente. Ainda assim soube bem ouvir essas gargalhadas, soube bem escutar esse tom de voz, soube bem afastares os fantasmas. Não fosse somente três número perfeito e olha que hoje acredito que é mesmo, e todas as linhas que te corrompem seriam unas nestas horas. Confesso que estava quase a desistir, mas deste-me novo folgo, moldaste-me a caixa-de-ar e respiro mais pausadamente. E estou lentamente a colocar-me a abrir essa nova cortina que espreito através dos teus olhos que são os meus por afinidade, e por laços de sangue. E hoje o medo de te ver a ir já não me atravessa porque tu estás a regressar… lentamente a vir.
quinta-feira, novembro 17, 2005
Efémera
Hoje enquanto me sentei no sofá liguei a televisão entre um programa e outro se
m interesse, aparece uma efémera a aproveitar cada momento como se fosse o último...com apenas um dia de vida. Na sua condição de curta existência, a sugar a vida num só suspiro, a não se preocupar com o amanhã, sem passado, sem futuro apenas com o momento. Esqueci tudo o resto...esqueci as preocupações e a falta de amanhã. Esqueci a falta do hábito, a falta de exigência, a falta sempre de alguma coisa e afinal de coisa nenhuma. Dou por mim a pensar que a efémera não é diferente de nós o importante é saber viver...simplesmente viver, porque a vida essa também é efémera!
P.S. Excelente anúncio, excelente a mensagem!
quarta-feira, novembro 16, 2005
Espera no tempo...
Não fosse a data dos dias se alterar e não saberia diferenciar o ontem do hoje, não fosse pormenores e deixaria passar o tempo todo uno. Revisto-me todas as manhãs e aniquilo esse ar do sul que já tinha esquecido de sentir, andei aos soluços mas aqui eu respiro. Dizem que o tempo é de mudança então eu desço essa calçada coberta de musgo da estação, onde o frio gela a ponta do nariz e acredito que a descida me leva a porto seguro. Como é habito não tenho os dias marcados, ainda não posso riscar no calendário a chegada dessa nova etapa, mas aguardo e espero…não me ensinasse este tempo a ser paciente e já me teria perdido. Sei de cor cada esquina que curvo, sei as caras que por mim passam como se da minha se tratasse e sei quem me espera. Já sei decor a rotina dos outros como se a deles fosse mais horizontal que a minha. O autocarro passa todos os dias a mesma hora, cumprimento o Chico, tomo o carioca de limão na mesma mesa vezes sem conta, exercito e corpo e este alivia-me a mente. Deixo que os ponteiros corram e embrulho-me numa nova forma, ando a cochear mas não tarda e já me habituo aos passos desta nova dança. Esta síndrome de repetição alastra-se pelo corpo mas combate a espera. E com mil patas percorro a demora, com mil vontades encontro o ponto de fuga, com mil desejos afasto a falta, em mil centímetros me desfaço se necessário para percorrer metros. E que voltas daria eu se o tempo voasse…que voltas lhe daria se pudesse e já não o contabilizo apenas o espero…
quarta-feira, novembro 02, 2005
Boa tarde...
Esta é apenas a ínfima parte do dia, a ultima escrita da conversa. Por as entrelinhas ficam as explicações sobre as quais me perdi.
Hoje chegou uma sensação virada do avesso, como se me tivesse vestido ao contrário. Enrugou-me numa continuidade sem limites. E não sei se me faltaram os sorrisos ou simplesmente me faltou a vontade.
E assim fui amachucada, sem aparência, cinzenta e sem luz ao fundo do túnel. Ao virar da esquina surgiu um – boa tarde…estranho como poderiam estar a cumprimentar alguém com tão péssima cara enfadada no seu luto. Acho que nem respondi não por vontade mas por surpresa. E fiquei sem definição, sem ideia, sem reacção. Andei com o pensamento preso a essa boa tarde…que afinal não passava de uma péssima tarde. E a sensação essa já tinha passado mas ficara a desilusão…entre muitas que estão para vir. No entanto, que motivos para voltar a vestir-me do lado certo, que motivos para colocar o colarinho para frente e não as duas mangas no braço direito? Sim, porque era assim que me sentia torcida no meu corpo. Esse boa tarde foi uma quebra de assunto, uma tal urgência em mudar. Obrigado pelo cumprimento...afinal há sempre há hipótese de recomeçar em péssimas tardes…porque hoje como diria Alberto Caeiro - " sou do tamanho do que vejo e não do tamanho da minha altura."
Hoje chegou uma sensação virada do avesso, como se me tivesse vestido ao contrário. Enrugou-me numa continuidade sem limites. E não sei se me faltaram os sorrisos ou simplesmente me faltou a vontade.
E assim fui amachucada, sem aparência, cinzenta e sem luz ao fundo do túnel. Ao virar da esquina surgiu um – boa tarde…estranho como poderiam estar a cumprimentar alguém com tão péssima cara enfadada no seu luto. Acho que nem respondi não por vontade mas por surpresa. E fiquei sem definição, sem ideia, sem reacção. Andei com o pensamento preso a essa boa tarde…que afinal não passava de uma péssima tarde. E a sensação essa já tinha passado mas ficara a desilusão…entre muitas que estão para vir. No entanto, que motivos para voltar a vestir-me do lado certo, que motivos para colocar o colarinho para frente e não as duas mangas no braço direito? Sim, porque era assim que me sentia torcida no meu corpo. Esse boa tarde foi uma quebra de assunto, uma tal urgência em mudar. Obrigado pelo cumprimento...afinal há sempre há hipótese de recomeçar em péssimas tardes…porque hoje como diria Alberto Caeiro - " sou do tamanho do que vejo e não do tamanho da minha altura."
domingo, outubro 30, 2005
Atalhos do ser...
Não sei em qual das esquinas do ser se vira para norte ou sul...
Não sei sequer que direcção se segue, que caminho encurta as distâncias...
Na curva da espinha rodei para voltar ao mesmo sítio.
O pensamento sempre me desliza dos pés a cabeça numa descida rápida.
Como se o fim fosse sempre voltar ao principio.
E de todos os atalhos que encontrei nenhum me alterou o percurso.
Em todos me perdi pela vontade de não me querer encontrar...
Não sei sequer que direcção se segue, que caminho encurta as distâncias...
Na curva da espinha rodei para voltar ao mesmo sítio.
O pensamento sempre me desliza dos pés a cabeça numa descida rápida.
Como se o fim fosse sempre voltar ao principio.
E de todos os atalhos que encontrei nenhum me alterou o percurso.
Em todos me perdi pela vontade de não me querer encontrar...
domingo, outubro 23, 2005
Meia-luz...
Estava a meia-luz a lâmpada não ia além da corrente. Volts a menos para o escuro da noite. Não sei se era falta de energia supunha ser antes a vontade de claridade. Todos os movimentos lentos uma sensação nula, um vazio que chega pela falta de distinguir as cores. A esta hora do dia apenas os ponteiros avançam já tudo o resto se encerra. Ainda assim, o esforço de permanecer se pudesse a sentir a respiração, a ouvir o tic-tac do coração a pouca velocidade. E fica o tempo – demasiado tempo até – para contemplar o sentido desta vaga permanência, desta vaga insistência. Não posso sequer descrever porque giram agora as horas, mas sei que giram em torno do espaço que não se desloca mas que avança. E se viesse ao menos uma resposta, ai seria claro e límpido, mas nada apenas uma vontade de não adormecer porque hoje eu sei que ainda tinha algo para dizer.
quinta-feira, outubro 06, 2005
Arestas que cortam...
Esta sensação não vale sequer uma batida acelerada do coração. Há falhas que o tempo compacta num cubo de arestas limadas sem volta de transformaçao e não num círculo onde tudo gira. Não sei porque ainda insisto em o querer esculpir, mas estas arestas já cortam...já ferem. Há que o guardar na prateleira deixar que o pó caia, deixar que a cor se desgaste, que o tempo o abata. Que fique nesse síndrome do esquecimento. Que se divida por vontade própria, não sei sequer que utilidade lhe daria...Hoje cheguei com a vontade de já ter partido, daqui ainda oiço essa voz, mas lentamente arrumo o meu cubo de quatro faces. E ainda que me desmembre em palavras, todas são uma ida sem retorno, todas são uma ultima gota de saliva. E já não fico mais a espera de ver esse cubo em circulo se transformar, já não me deslumbro, já nao o recrio, já não o invento, já não me ofusco...apenas o arrumo.

Imagem retirada da net
quarta-feira, setembro 28, 2005
Época de promessas...
Espanta-se o Zé pela mudança do tempo, avanços e recuos de vidas. Em sua mente já não cabem mais viradas. Os teclados ferem a vista e atrofiam as mãos enrugadas pela terra. Máquinas a mais para a soma dos anos da sua existência. De conhecimento apenas a tabuada, os rios, e caminhos de ferro. O livro de poemas do António da aldeia fazem as delícias de quem escuta rimas que falam do campo... é o que mais sábio Zé já ouviu proferir. E então chega o político que tenta entrar em qualquer fechadura, promentendo mudar a vida de quem já passou por ela e a desafiou dezenas de vezes sem conta. E então fala no PIB, no défice, palavras que o Zé não entende e que para sí nunca foram necessárias para um só dia de uma vida. Promete o novo lar para idosos, o novo futuro hospital...promete arranjar as ruas da freguesia, dar emprego aos jovens. Oferece-lhe o panfleto e o avental para a esposa e indica ao Zé onde colocar a cruz. Ainda grita: - Vamos juntos mudar isto!
E eu pergunto onde fica o juntos pelo caminho. E o que foi feito do Zé?
quarta-feira, setembro 14, 2005
Passagem permanente...
O som faz eco pela sala, a parede branca fere a vista. Diria mesmo que mais um pouco e também eu seria cal. Essa tinta corre entre os anos, persegue este crescimento. Cada vez que ai passo ainda escuto as gargalhadas ainda me revejo de calções e canelas finas.
Já não vejo os adultos como velhos. Eu é que já me sinto com saudades do tempo.
E passo pelos anos em ti, passo de todos os tamanhos, de todas as maneiras, passo não apenas por passar. E deixou-me ficar...fico porque ai é o canto que fica por trás do nada e pela frente de tudo...
quinta-feira, setembro 01, 2005
Tempo nulo...
No dia zero que ninguém vive, no tempo nulo que ningúem percorre viajam os sonhadores. Então entre panos brancos, deita-se a cabeça sobre a almofada quadrada, as vezes tão quadrada como a mente de muitos. E as palparas encerram a jornada o escuro opaco do dia. Correrias assaltam a noite, encontros, desencontros, aproximações e afastamentos. É um misto de felicidade e medo. A essência do amargo e do doce. Tão rápido estamos em Jacarta, como estamos numa esplanada em Lisboa. E que bem sabe esta sensação de viagem, não fosse somente das melhores deste mundo. No entanto, depressa morremos como assistimos à morte. Depressa somos heróis como somos derrotados. E então voltei a pensar acordada e o sonho é apenas uma personificação da vida. Nem a sonhar escapamos da sua inércia madrasta ou de fortuna.
terça-feira, agosto 23, 2005
Sala de Espera...
O calor que entrava por a estrada aquela hora era mais do que quente era abrasador. No entanto, havia que correr uma consulta médica estava marcada para essa mesma tarde. Os ponteiros do relógio pareciam correr mais rápido que as rodas sobre o alcatrão. Clínica São Paulo, depressa nos remetia a mente para o brasil ou para o céu divino. Não encontrei piada ao nome, nada cativante a não ser as duas analogias do cerébro...optei então por ficar pela primeira ideia pelo menos significava novas paragens. Lá dentro as habituais decorações pálidas que indicam doença. As cores não se ficavam além dos amarelos, brancos, cadeiras almofadadas pretas e de madeira. Uma recepcionista agarrada ao caderno com mil nomes disse: Boa tarde! e logo em seguida - O Srº doutor chegou atrasado a consulta vai demorar um pouco.
Mas, não me espantei é hábito, qualquer clínica que se preze faz os pacientes aguardar, mesmo que a dor insista em não esperar. Sentei-me já com a previsão de ir esperar horas, a inquietude desta visão fez-me desesperar. No entanto, lá peguei nas revistas todas elas de Dezembro ou Agosto de anos não correntes já há muito. Actualidade nula portanto. Á minha frente estavam dois casais de idosos. E eis a melhor surpresa da tarde. O meu ouvido insistia em cair sobre as suas conversas. O mais falador resmungava porque estava ali a perder tempo em vez de estar a regar as flores. Enquanto isso a mulher do mesmo dizia:
Mas, não me espantei é hábito, qualquer clínica que se preze faz os pacientes aguardar, mesmo que a dor insista em não esperar. Sentei-me já com a previsão de ir esperar horas, a inquietude desta visão fez-me desesperar. No entanto, lá peguei nas revistas todas elas de Dezembro ou Agosto de anos não correntes já há muito. Actualidade nula portanto. Á minha frente estavam dois casais de idosos. E eis a melhor surpresa da tarde. O meu ouvido insistia em cair sobre as suas conversas. O mais falador resmungava porque estava ali a perder tempo em vez de estar a regar as flores. Enquanto isso a mulher do mesmo dizia:
- Oh homem tu sossega. Depressa esboçei um sorriso. Estava então apresentada o que seria a minha fascinante tarde e sem esquecer nunca que estava numa sala de espera. O mesmo homem dizia ao seu outro companheiro de espera (o outro casal que lá se encontrava e que por sinal nunca antes se tinham cruzado.)
- Olhe amigo eu trabalhei uma vida inteira de sol a sol, e se hoje tenho a vida que tenho foi graças a mim.(A voz altiva não escondia a vaidade do feito.)
- Então o amigo vá lá dizer isso a esta juventude de hoje, que logo vê a resposta que obtém.
Depressa percebi que a minha geração estava em análise, logo eu seria um elemento a considerar para a estatística.
- Nos dez anos a seguir ao 25 de Abril só não ficou com dinheiro quem não se deu ao trabalho.
- Pois pode ser.
- O meu marido ia trabalhar e levava por lá dias sem voltar ( proferia a mulher do aventureiro trabalhador, enquanto isso a outra mulher apenas olhava como que em seus pensamentos passa-se toda uma vida de trabalho sem grandes lucros.)
- Tenho três filhos e todos eles formados.
- Há pois.
- Dos três qual deles têm a vida melhor!
- Fiz a minha missão, agora quando Deus me quiser levar tou pronto para ir.
- Então diga lá, não podemos ficar cá para sempre.
Um belo raciocínio simples, mas que insistimos em afastar ao longo dos tempos. Não queremos perder o nosso estatuto de eternos.
Entre uma conversa e outra, lá se levanta o falador e dirige-se a uma máquina de àgua, tipica das clínicas. A tarefa de retirar um único copo implicou ter de tirar todos os outros. A mulher lá lhe dava instruções, mas esta era uma máquina avançada de mais para o seu tempo. No entanto, nada que a prática não resolva. As notícias soavam na televisão. E lá entou mais uma vez a sua voz pela sala.
- O País está no fim, mas eu é que já cá não estou para o ver. Agora estas gerações novas (remetia para a minha classe mais uma vez), ainda vão sofrer não um bocado pequeno, mas grande muito grande.
Paralisei mais uma vez, e não era uma provocação era apenas a mudança que ele assistiu ao longo do tempo.
- Olhe amigo eu trabalhei uma vida inteira de sol a sol, e se hoje tenho a vida que tenho foi graças a mim.(A voz altiva não escondia a vaidade do feito.)
- Então o amigo vá lá dizer isso a esta juventude de hoje, que logo vê a resposta que obtém.
Depressa percebi que a minha geração estava em análise, logo eu seria um elemento a considerar para a estatística.
- Nos dez anos a seguir ao 25 de Abril só não ficou com dinheiro quem não se deu ao trabalho.
- Pois pode ser.
- O meu marido ia trabalhar e levava por lá dias sem voltar ( proferia a mulher do aventureiro trabalhador, enquanto isso a outra mulher apenas olhava como que em seus pensamentos passa-se toda uma vida de trabalho sem grandes lucros.)
- Tenho três filhos e todos eles formados.
- Há pois.
- Dos três qual deles têm a vida melhor!
- Fiz a minha missão, agora quando Deus me quiser levar tou pronto para ir.
- Então diga lá, não podemos ficar cá para sempre.
Um belo raciocínio simples, mas que insistimos em afastar ao longo dos tempos. Não queremos perder o nosso estatuto de eternos.
Entre uma conversa e outra, lá se levanta o falador e dirige-se a uma máquina de àgua, tipica das clínicas. A tarefa de retirar um único copo implicou ter de tirar todos os outros. A mulher lá lhe dava instruções, mas esta era uma máquina avançada de mais para o seu tempo. No entanto, nada que a prática não resolva. As notícias soavam na televisão. E lá entou mais uma vez a sua voz pela sala.
- O País está no fim, mas eu é que já cá não estou para o ver. Agora estas gerações novas (remetia para a minha classe mais uma vez), ainda vão sofrer não um bocado pequeno, mas grande muito grande.
Paralisei mais uma vez, e não era uma provocação era apenas a mudança que ele assistiu ao longo do tempo.
quarta-feira, agosto 17, 2005
Abismos...
Os limites do abismo entre a ausência e a presença são dobrados pelos espaços nulos. Latejam as vidas de brilho e são fruto de dias vagos multiplicados pelo tempo. Pelo tempo que percorre não só o espaço, mas que atravessa a viagem de quem foge da rotina.
E a tentação de sair é mais quente e permanece a confiança na sorte de quem arrisca sem temer perder. E volta-se a barriga do avesso e sente-se o arrepio na espinha que fura a pele e entra pelo osso que acelera o nervo. O desconhecido prevalece pelos sentidos não acalma mas fortifica. E que se calem as bocas seguras de sí sem ousarem sair do hábito. Mas, que não se fechem os olhos pela falta de confiança mas sim pela falta de audácia.Mas se preferem prevaleçam então imóveis como estatuas verdes gastas pelo tempo, mas não se admirem se lhes faltar o sentir.
quarta-feira, agosto 10, 2005
Portugal está a Arder...

Hoje enquanto via as notícias numa estação de televisão generalista, passou a mesma notícia que passa há dias...Perdão não a mesma notícia, todos os dias o tema é o mesmo...Portugal esta a arder. Então voltei a ver o negro do solo, a fumaça do nosso património, a falta de alma e consciência do nosso país e mais do que isso a ausência de sorrisos daquelas gentes. Perdidas pelo passado e perante um futuro tórrido tão ardido quanto os bens, tão inexistente como a poeira que voa agora pelos ceús! E sim eu sei que o ano é de seca não vivesse eu em pleno Alentejo, mas não me serve de desculpa. E na minha mente não culpo o tempo pela nossa falta de civismo. Então tentei imaginar, e olhei à minha volta na estante encontram-se todos os livros que já li e todas as histórias que criei na minha imaginação, resolvi então atribuir-lhe tremendo significado. As fotografias de uma infância que já não volta mas que tão bem me avivam a memória. E voltei a olhar para a televisão e apenas ouvia os relatos de quem perdeu tudo menos a fala. E passei os olhos por todos os quadros, sentei-me nesse sofá confortavél, liguei a música o bater das arvóres verdes lá fora faziam sombra à janela com as portadas meio abertas. O dia era quente, mas não tão quente como as chamas e o desespero que corroe os sentidos dessas gentes. E então pensei ser uma privilegiada por ter os meus livros, o meu sofá e ainda ter para onde olhar e ver verde. E agora imaginem o que é perder tudo, os livros a estante a casa e a vossa própria história! E esse sentimento depressa se esvai, como se esvaiu em mim ao imaginar...E ficou mais do que a frustação de olhar para essas imagens sem poder fazer nada. E enquanto os nossos olhos dobram apenas a tela da televisão, outros correm pela frente dessas chamas e choram por perderem mais do que a contrução de uma vida. Choram pela falta de credibilidade de quem apenas vê sem viver, e ficam as promessas de vidas felizes. E enquanto isso o país arde mas não é so fogo que o mata somos nós...ou alguns de nós!
sexta-feira, julho 29, 2005
Espero sempre um amanhã...
Não poderia deixar de dizer que espero sempre um amanhã para o Jornal A CAPITAL.
que me importa o que serei...quero é viver.
Amanhã, espero sempre um amanhã
E acredito que será mais um prazer.
E a vida é sempre uma curiosidade,
que me desperta com a idade,
interessa-me o que está para vir.
E a vida em mim é sempre uma certeza
que nasce da minha riqueza do meu prazer em descobrir.
Encontrar, renovar vou fugir ou repetir...!"
António Variações
quinta-feira, julho 28, 2005
Cá vamos indo...
Faltam as chegadas de simbiose e andamos a meio do fundo. Somos os fatos pendurados nos cabides de madeira, e fica a cota insegura sem iluminaçao para rejuvenescer. E já não se envolvem as essências e os odores. Ficam espalhados em seres pesados agarrados, pendurados, suspensos ao canto dos recantos escondidos, levados em braços pelos dias. Não fogem as palavras pelos suspiros e as sombras não se cruzam pelo soalho. Não se notam rasgos de vida, apenas falhas de vivências...lamentos que os anos não perdoam. E encerram-se as vontades e arrefece a aura da existência. Cortam-se as aspirações e a audácia é fugaz, mas prevalece a incerteza, e não ficamos pelos meios queremos o limite do fundo. Queremos desaguar em águas de fácil navegação, conformados pelo destino que criamos. E apelamos a entidades divinas que nínguem viu, no nosso mais puro acto de cobardia. E anulamos, esquecemos que o maior perigo vive dentro de nós. E cá nós acomodamos e assim cá vamos indo...
sábado, julho 23, 2005
Até já então amigos...

Queria apenas agradecer pelos bons momentos que vocês fizeram que eu vivesse.Queria apenas dizer um até já.
Obrigado pelos sorrisos que fizeram brotar no meu rosto!
Ficam as
saudades, mas não me vou despedir.
Vou continuar por aqui como sempre...
Até já então amigos!
P.S- Ficam a faltar fotos mas vocês, Rodrigo, Rafa, Nuno, Catarina...e todos os outros sabem...que o até já é para vocês também...
terça-feira, julho 12, 2005
E onde fica o simples?
o dia não corre mas desliza...
A boca não cola mas mastiga...
Os dedos não dobram mas curvam...
O olhar não enxerga apenas repara...
O sabor não é degustado mas altera o paladar...
O sereno não é parado é apenas tranquilo...
O céu é azul mas com pontos brancos...
A areia não é fina tem textura...
A pele tem marcas mais do que as do tempo...
O tempo não passa, apenas desaparece...
Não podemos ser sempre iguais, evoluímos...
O vazio, é inexistente...
O repleto, existe...
O vago não preenche a satisfação, mas o completo não deixa espaço.
Se é acessório não é necessário.
Resposta implica sempre uma pergunta, então porque não sei qual a pergunta a estas respostas.
Porque se é demasiado fácil, o difícil é demasiado complicado.
Então e onde fica o simples?
A boca não cola mas mastiga...
Os dedos não dobram mas curvam...
O olhar não enxerga apenas repara...
O sabor não é degustado mas altera o paladar...
O sereno não é parado é apenas tranquilo...
O céu é azul mas com pontos brancos...
A areia não é fina tem textura...
A pele tem marcas mais do que as do tempo...
O tempo não passa, apenas desaparece...
Não podemos ser sempre iguais, evoluímos...
O vazio, é inexistente...
O repleto, existe...
O vago não preenche a satisfação, mas o completo não deixa espaço.
Se é acessório não é necessário.
Resposta implica sempre uma pergunta, então porque não sei qual a pergunta a estas respostas.
Porque se é demasiado fácil, o difícil é demasiado complicado.
Então e onde fica o simples?
sexta-feira, julho 01, 2005
Um pedido de desculpas minhas e vossas...

Quando o lugar é mais marcante que a própria sombra. Quando a permanência não manifesta a voz, apenas estende a mão num hábito de rotina vincado no corpo, que ninguém vê. Mas que sente as pedras da calçada onde o horizonte pisa cada sapato de verniz. O olhar não curva mas sente essas vossas, minhas pegadas num sítio distante. Porque o hábito meu e vosso retira a visão e afunda o sentir. Mas há quem dobre a menina do olho por essa calçada que vocês e eu pisamos sem ver. Há quem simplesmente a conheça melhor do que os vossos sapatos de verniz por incrível que pareça...há quem lhe sinta o cheiro que levantam os vossos e meus sapatos importados de indiferança...Mas porém há dias em que reparamos, olhamos e vemos mais do que o nosso calcanhar...vemos esse ser que respira rente as nossas solas...e ainda bem que assim o é...porque hoje vi o quanto eras grande perto de mim e da minha e vossa indiferança diária...que usa os sapatos mas que não consegue ver para além da sua biqueira.
segunda-feira, junho 27, 2005
Corpo de inércia...
O caos do ser apenas se dobra na espinha. Queimam-se as chamadas de pensamento, e quebram-se as vidraças dos olhos...
Aclamam-se as chegadas de ar que invadem o corpo pelo corredor do sentir e curvam-se as mãos em formas diversas... que acordam o uso e desuso da alma. E os dedos furam mais do que a pele, flutuam no espírito e ondulam os avessos. E no paladar dormem as horas, calam-se as vozes e apela-se a inércia do rubor do tempo. E mordem-se as chegadas sem nunca querer pensar as partidas. E no espaço curto de palpitações deixam-se as noites pelos meios e os dias pelas metades.
domingo, junho 26, 2005
Um bocado de mim....
Vocês fizeram-me pensar sobre isto e aqui vai também a minha resposta.
Há 10 anos
01. Tinha 12 anos
02. Tinha amigos que ainda hoje tenho e vocês sabem quem são:)
03. A minha pequena mas repleta vila era o meu mundo
04. A patinagem era o meu passatempo
05. As viagens pelo país com os meus pais marcam das melhores memórias que tenho.
Há 5 anos
01. Tinha 17 anos
02. A viagem aos Açores foi inesquecível
03. Uma das melhores passagem de ano de sempre...
04. Descobri que as coisas afinal podiam não ser para sempre...
05. A Praia do malhão foi sempre o destino de boas recordações.
Há 2 anos
01. Tinha 20 anos
02. Acabei o 2 ano da faculdade e decidi que queria ir para a Jornalismo
03. Lisboa tornou-se o meu habitat diário.
04. Eu e a minha família de amigos mudamos mais uma vez de casa, Anjos como destino:)
05. As coisas que descobri que não eram para sempre acabaram mesmo por mudar...
Há 1 ano
01. O melhor ano de faculdade...e já começam a apertar as saudades.
02. Preparava as férias e que férias:)
03. Ilha de tavira, amigos, sol, mais uma vez o malhão
04. Barcelona era o próximo destino...e inesquecível fica na memória para sempre, pela cidade magnífica, pela companhia de sempre, e por tudo...
05. Li o livro Budapeste e ficou na memória.
Ontem
01. Sai com o meu irmão companheiro de todas as horas.
02. Acabei a tarde numa esplanada com as minhas grandes amigas Rita e Ana e com o também grande Amigo Karika
03. A noite terminou numa festa de santos populares os típicos bailes de verão de Aljustrel para mim o melhor sítio do mundo.
Hoje
01. Acordei já tarde
02. Fui tomar um café com amigos
03. O dia ainda não terminou...
Amanhã
01. Não gosto de prever o futuro
02. ...........
03. ..............
5 coisas sem as quais não consigo viver
01. Família
02. Amigos
03. Praia
04. livros
05. Conhecer novas paragens....
5 dos meus hábitos
01. Escrever
02. Falar
03. Ter companhia por perto
04. rir
05. Não me esquecer das coisas, mas perferir não falar
5 programas/ séries televisivas que gosto
01. Telejornal
02. CSI
03. Expresso da meia noite
04. De mochila as costas
05. e tantos mais....
5 bandas/músicos favoritos
3 coisas que me assustam
01. Perder alguém de quem gosto
02. Perder-me a mim
03. e perder mais alguma coisa...
3 coisas de que gostaria muito de fazer neste momento
01. Fazer as malas era sinal de ir viajar
02. mergulhar no mar
03. comer uma taça de gelado
5 lugares que gostaria de visitar quando em férias e que ainda não conheço
01. Tailândia
02. Cambodja
03. Marrocos
04. México
05. Dubai e todos os possíveis
Há 10 anos
01. Tinha 12 anos
02. Tinha amigos que ainda hoje tenho e vocês sabem quem são:)
03. A minha pequena mas repleta vila era o meu mundo
04. A patinagem era o meu passatempo
05. As viagens pelo país com os meus pais marcam das melhores memórias que tenho.
Há 5 anos
01. Tinha 17 anos
02. A viagem aos Açores foi inesquecível
03. Uma das melhores passagem de ano de sempre...
04. Descobri que as coisas afinal podiam não ser para sempre...
05. A Praia do malhão foi sempre o destino de boas recordações.
Há 2 anos
01. Tinha 20 anos
02. Acabei o 2 ano da faculdade e decidi que queria ir para a Jornalismo
03. Lisboa tornou-se o meu habitat diário.
04. Eu e a minha família de amigos mudamos mais uma vez de casa, Anjos como destino:)
05. As coisas que descobri que não eram para sempre acabaram mesmo por mudar...
Há 1 ano
01. O melhor ano de faculdade...e já começam a apertar as saudades.
02. Preparava as férias e que férias:)
03. Ilha de tavira, amigos, sol, mais uma vez o malhão
04. Barcelona era o próximo destino...e inesquecível fica na memória para sempre, pela cidade magnífica, pela companhia de sempre, e por tudo...
05. Li o livro Budapeste e ficou na memória.
Ontem
01. Sai com o meu irmão companheiro de todas as horas.
02. Acabei a tarde numa esplanada com as minhas grandes amigas Rita e Ana e com o também grande Amigo Karika
03. A noite terminou numa festa de santos populares os típicos bailes de verão de Aljustrel para mim o melhor sítio do mundo.
Hoje
01. Acordei já tarde
02. Fui tomar um café com amigos
03. O dia ainda não terminou...
Amanhã
01. Não gosto de prever o futuro
02. ...........
03. ..............
5 coisas sem as quais não consigo viver
01. Família
02. Amigos
03. Praia
04. livros
05. Conhecer novas paragens....
5 dos meus hábitos
01. Escrever
02. Falar
03. Ter companhia por perto
04. rir
05. Não me esquecer das coisas, mas perferir não falar
5 programas/ séries televisivas que gosto
01. Telejornal
02. CSI
03. Expresso da meia noite
04. De mochila as costas
05. e tantos mais....
5 bandas/músicos favoritos
01. Ben Harper.....Walk away
02. Jack Johnson
03. Gentleman
04. Trovante
05. e uns rapazinhos amigos Aspegic que vão ser o sucesso dos próximos anos
3 coisas que me assustam
01. Perder alguém de quem gosto
02. Perder-me a mim
03. e perder mais alguma coisa...
3 coisas de que gostaria muito de fazer neste momento
01. Fazer as malas era sinal de ir viajar
02. mergulhar no mar
03. comer uma taça de gelado
5 lugares que gostaria de visitar quando em férias e que ainda não conheço
01. Tailândia
02. Cambodja
03. Marrocos
04. México
05. Dubai e todos os possíveis
sábado, junho 25, 2005
Existências/ Inexistências
Ainda que só o murmúrio do asfalto levante a brisa que todos os poros abrem pelo chão.
Que o ventilar dos segundos caía sobre a cortina do tempo.
Que se chame vagabundo ao andar e vadio ao olhar.
Ainda assim que se dobrem os espíritos de apatia e que fluam as mentes...
Que todos os deuses quebrem as asas de divinos e se enxerguem todos os andantes em terra firme.
Que se dispersem todos os momentos vagos, mas que afinem e sintonizem os que contemplam a audácia...Mas que reforcem o valor da timidez que assusta os que ainda não se revelaram por não se deixarem ver ou porque nunca os viram…
Que o ventilar dos segundos caía sobre a cortina do tempo.
Que se chame vagabundo ao andar e vadio ao olhar.
Ainda assim que se dobrem os espíritos de apatia e que fluam as mentes...
Que todos os deuses quebrem as asas de divinos e se enxerguem todos os andantes em terra firme.
Que se dispersem todos os momentos vagos, mas que afinem e sintonizem os que contemplam a audácia...Mas que reforcem o valor da timidez que assusta os que ainda não se revelaram por não se deixarem ver ou porque nunca os viram…
sexta-feira, junho 24, 2005
P.S - A espera das notas dos exames...
Já começa a fervilhar entre os dedos a chegada desse tempo... De mudança e de virada.
Já entra pelos poros o bater mais acelerado das horas...
E já escorrega pelo pensamento a angustia de não saber o passo seguinte…
Mas fica o aguardar trémulo dessa mudança de página, dessa nova morada…
E resta apenas o que sobra dos dias…o que sobra do tempo desta espera!
Neste tempo de consumo...
P.S- A espera dos notas dos exames...
Já entra pelos poros o bater mais acelerado das horas...
E já escorrega pelo pensamento a angustia de não saber o passo seguinte…
Mas fica o aguardar trémulo dessa mudança de página, dessa nova morada…
E resta apenas o que sobra dos dias…o que sobra do tempo desta espera!
Neste tempo de consumo...
P.S- A espera dos notas dos exames...
sexta-feira, junho 17, 2005
Brecha...a céu aberto.
O ritmo dos dias fenda o corpo liso. E essa estrada que liga o coração ao cérebro encontra mais do que nada. Pisa e esconde as feridas que cá dentro vivem abertas ao ar do corpo, e dos outros que penetram pelo dia solto. Solto das pernadas que o erguem, mas virado pelo vento que o sopra. E não sei se hoje me entendem a gramática, mas penso não existir sentido no que se sente. Ou talvez não se murmurem os silêncios. Por os ouvidos não quererem escutar a entoação grave e aguda que fura não só a cartilagem, mas que afunda as vogais pela brecha que abre sem remendo que a abafe.
terça-feira, junho 07, 2005
Apaziguamentos...
Andam loucos os fonemas, loucos de dizer sílabas...
E saíem sem gramática, sem léxico.
Falam, gritam e arrastam-se pela língua e alteram o paladar.
E sobram as artérias alteradas de forma...
Pulmões que encham tais esforços de garganta e ar.
Capacidades de reserva encontradas no fundo do ser onde corre mais do que o sangue, pois tudo o que corre desagua sempre em sitio seguro e vasto...vasto como a alma.
quinta-feira, junho 02, 2005
Sem nome...
O tempo anda solto...
As vozes cantam...
A epiderme arrepia-se
O dormir é tranquilo...
O sonhar sereno como a noite...
E chegam sinais de fumo...transparentes.
Matéria colorida...
Nuvens de leveza voam para direcção alguma...
Cái o sentir pelo pano...desvendam-se os dias...
Retira-se o nome as coisas...os nomes as pessoas...
e fica apenas a essência.
Será que reconhecem agora este ser!!
Nú de atribuições e somente humano...
As vozes cantam...
A epiderme arrepia-se
O dormir é tranquilo...
O sonhar sereno como a noite...
E chegam sinais de fumo...transparentes.
Matéria colorida...
Nuvens de leveza voam para direcção alguma...
Cái o sentir pelo pano...desvendam-se os dias...
Retira-se o nome as coisas...os nomes as pessoas...
e fica apenas a essência.
Será que reconhecem agora este ser!!
Nú de atribuições e somente humano...
quarta-feira, junho 01, 2005
Estarei por aqui...
A noite nem sempre dorme...tem momentos que grita de angústia feroz e sentida. Cai sem sentido o bater do coração vago de atitude e repleto de contrastes,secreção de cores variadas ora verdes ora azuis, amarelas e leitosas. Cores associadas a lesão, para a qual ainda ninguém inventou estudo suficiente ou metódo para a cura. E brotam dores de mágoa...já pensaram o quanto pode doer um músculo hemorrágico e torcido de solidão? O tempo é uma distorçáo de horas e quando não chegam boas memórias fica a espícula que fura o sentir. E tudo o que resta agora são pedaços de querer, procura de lugares mais que finitos que o ser. Retalhos de céu que façam voar e léguas de mar que acalmem a vontade de aqui querer ficar.
Mas apenas te peço que ondules os olhos para conseguires ver que afinal não estas só porque estarei sempre aqui, mesmo que não me consigas ver. E estarei mesmo quando a mim não me quiseres chamar...porque
sei que nem sempre assim se faz, não por não querer mas por não se conseguir fazer. Mas acredita que estarei...
quarta-feira, maio 25, 2005
A uma só voz...
Gira a bola em torno do vento e não o vento em torno da bola...
Entorna-se o desejo pelo abismo e fica o surdaz movimento de inquietude.
E não caiem os olhos no chão apenas as mãos não deslizam presas aos braços estáticos.
Gritam as vozes roucas e o desmedido querer viver.
Fica a vontade mais longa...e esse tempo imóvel de vidas cruzadas, paralelas, ora verticais ora horizontais apenas várias cabeças unidas pelo mesmo ponto. E forma-se essa recta humana perfeita.
E não se multipliquem os dias por uma só noite, mas sim uma só noite por vários dias.
Caras que falam sem abrir a boca... sorrisos infinitos de alegria, despertam o sonho já remoto mas vivo.
Quebram-se as memórias e renasce a história...Porém bem mais interressante faze-la do que apenas a ler.
E afinal hoje a cor habitual do interior do corpo pinta todos os membros exteriores.
e fica a epiderme colorida num só tom...e sonoriza-se o dia a uma só voz.
Entorna-se o desejo pelo abismo e fica o surdaz movimento de inquietude.
E não caiem os olhos no chão apenas as mãos não deslizam presas aos braços estáticos.
Gritam as vozes roucas e o desmedido querer viver.
Fica a vontade mais longa...e esse tempo imóvel de vidas cruzadas, paralelas, ora verticais ora horizontais apenas várias cabeças unidas pelo mesmo ponto. E forma-se essa recta humana perfeita.
E não se multipliquem os dias por uma só noite, mas sim uma só noite por vários dias.
Caras que falam sem abrir a boca... sorrisos infinitos de alegria, despertam o sonho já remoto mas vivo.
Quebram-se as memórias e renasce a história...Porém bem mais interressante faze-la do que apenas a ler.
E afinal hoje a cor habitual do interior do corpo pinta todos os membros exteriores.
e fica a epiderme colorida num só tom...e sonoriza-se o dia a uma só voz.
sexta-feira, maio 20, 2005
Corpo linguagem Universal...
O corpo Rejuvenesce com as descobertas, testam-se medicamentos que o revitalizem, ensaiam-se danças em que a expressão corporal é o espelho do belo. É o portador de grandes pensadores, grandes matemáticos e grandes políticos. O corpo é ciência, é cultura, é história, é movimento, é comunicação, é moda, é parte integrante de todas as actividades humanas.
É o tema que atravessa os tempos e permanece na actualidade. Põe a falar os mudos através da expressão e faz ouvir os surdos. É o meio, é o canal, é a mensagem que todos compreendem. O corpo é a língua oficial da humanidade.
Hoje, mais do que nunca o corpo é ícone presente nas mentalidades. Está associado à publicidade, à saúde, à performance, à estética. A imagem é algo a preservar. O corpo transmite e relaciona novas e velhas tendências.Exemplo disso são as tatuagens, o cuidar da performance que prevalece desde a Grécia antiga, a escultura e a pintura que tornam o culto do corpo intemporal.
É o tema que atravessa os tempos e permanece na actualidade. Põe a falar os mudos através da expressão e faz ouvir os surdos. É o meio, é o canal, é a mensagem que todos compreendem. O corpo é a língua oficial da humanidade.
Hoje, mais do que nunca o corpo é ícone presente nas mentalidades. Está associado à publicidade, à saúde, à performance, à estética. A imagem é algo a preservar. O corpo transmite e relaciona novas e velhas tendências.Exemplo disso são as tatuagens, o cuidar da performance que prevalece desde a Grécia antiga, a escultura e a pintura que tornam o culto do corpo intemporal.
O corpo é arte...arte de vivências, arte repleta de características diversas, arte representativa do ser, o corpo é essência, é o transmissor da sensação a epiderme...
O corpo é língua é dialecto...é cor, é país sem fronteiras....
O corpo é a linguagem universal...
domingo, maio 08, 2005
Para lá desta Ponte...
E aqui da outra margem…vê-se a outra viagem, o azul nos olhos que aqui abarca neste cais. O caminho mais longo que o habitual, a realidade diferente repleta de sonhos e de recordações que pareciam em suas memórias já vagas. E chegaram sozinhos, para esta aventura e tudo mudara a entrada desta ponte que ligava a planície à cidade. Eram mais confusas agora as imagens que o dia tocava, eram tantas as mudanças que para lá da porta tudo eram novidades. Os passos sozinhos que deambulavam pelas ruas eram a medo, o roteiro era certeiro e sem novas nortadas. O tempo afastava-se e com ele o hábito. Chegavam novas caras, novas vivências e tudo aprecia ser mais fácil…mas ficava o pensamento em ventos do sul. E com os dias já não era notícia…era apenas um novo começo, e ficava essa ponte segura que nos ligava sempre que quiséssemos ir embora para matar a saudade.
domingo, abril 10, 2005
Não sei se o tempo vira...
Não sei se o tempo vira, mas sei que as horas são loucas voltas.
Que sentido ganham as risadas, sem companhia para as fazer rir? Ganham mais que o tempo porque fazem parte de si e porque lembram quem as fez rir. Mas, se ris sozinho afinal porque ris? Para acordar a alma, para que ela não se esqueça de ser feliz. Estranho sentimento que parece exigir mais de ti…mas para quê exigir se assim ele teima em querer fugir! E as noites são fáceis de dormir? São quando o sono quer vir. Mas não pensas no que pode vir? Penso que seria bom, que o sol voltasse a brilhar por aqui. E se ele trouxer coisas más? Ele nunca as trás. E se resolver chover? Ai brotam sinais de frio e arrepios…O dia cobre-se de negro e os sorrisos são mais fáceis de esquecer…Esquecer sorrisos? Quando o músculo aperta cobre-se a memória de dias negros de chuva e a face pinta-se num só tom triste. E? E depois resta voltar a sorrir…e decerto que as horas passam... e o tempo esse não sei se vira,mas esquece!
Que sentido ganham as risadas, sem companhia para as fazer rir? Ganham mais que o tempo porque fazem parte de si e porque lembram quem as fez rir. Mas, se ris sozinho afinal porque ris? Para acordar a alma, para que ela não se esqueça de ser feliz. Estranho sentimento que parece exigir mais de ti…mas para quê exigir se assim ele teima em querer fugir! E as noites são fáceis de dormir? São quando o sono quer vir. Mas não pensas no que pode vir? Penso que seria bom, que o sol voltasse a brilhar por aqui. E se ele trouxer coisas más? Ele nunca as trás. E se resolver chover? Ai brotam sinais de frio e arrepios…O dia cobre-se de negro e os sorrisos são mais fáceis de esquecer…Esquecer sorrisos? Quando o músculo aperta cobre-se a memória de dias negros de chuva e a face pinta-se num só tom triste. E? E depois resta voltar a sorrir…e decerto que as horas passam... e o tempo esse não sei se vira,mas esquece!
sexta-feira, abril 08, 2005
Dias de sol...
Reservam-se as mudas de roupa…
Reservam-se as razões…
Aumenta a sede e a frescura pálida desse bafo de calor…
E as cidades têm mais luz…tanta, quanto a que o espectro reflecte.
E transpira a pele mas escurece a melanina.
E ficam estes dias morenos…
E as folhas verdes delineiam as sombras.
Que giram e rodam consoante a hora.
E os olhos não conseguem enxergar de frente…
Caiem as lágrimas provenientes dessa luz invasora…
Que inunda a íris e que atrai os corpos…
E o dia ganha a sua lâmpada natural…
E o ar suga a respiração…
Explode o magma…
Um céu repleto de azul…
E mergulha-se nessa imensidão…
Apenas esta brisa murmura.
E perde-se a noção do tempo…
O roteiro não é definido e altera-se a rotina…
E a bússola do olhar, essa sempre encontra um caminho…em dias de sol.
Reservam-se as razões…
Aumenta a sede e a frescura pálida desse bafo de calor…
E as cidades têm mais luz…tanta, quanto a que o espectro reflecte.
E transpira a pele mas escurece a melanina.
E ficam estes dias morenos…
E as folhas verdes delineiam as sombras.
Que giram e rodam consoante a hora.
E os olhos não conseguem enxergar de frente…
Caiem as lágrimas provenientes dessa luz invasora…
Que inunda a íris e que atrai os corpos…
E o dia ganha a sua lâmpada natural…
E o ar suga a respiração…
Explode o magma…
Um céu repleto de azul…
E mergulha-se nessa imensidão…
Apenas esta brisa murmura.
E perde-se a noção do tempo…
O roteiro não é definido e altera-se a rotina…
E a bússola do olhar, essa sempre encontra um caminho…em dias de sol.
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